O preço do feijão-preto subiu em outubro mesmo com o ritmo de compras mais lento no mercado brasileiro. Dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) mostram que a saca de 60 quilos alcançou média de R$ 263,06 no sul do Paraná na parcial até 16 de outubro, alta de 9,1% em relação à média registrada em setembro.
O movimento ocorre em um mercado marcado por diferenças entre os tipos de feijão. Enquanto o preto ganhou força nas últimas semanas, o feijão-carioca de qualidade superior também manteve as cotações sustentadas nas principais regiões produtoras.
No noroeste de Minas Gerais, a saca de 60 quilos do feijão-carioca de qualidade superior registrou média de R$ 311,42 em outubro, até o dia 16. O valor representa avanço de 0,4% em relação à média de setembro, segundo o indicador Cepea/CNA.
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Feijão-preto acumula alta no Paraná
O principal destaque do mercado em outubro é o feijão-preto. No sul do Paraná, a média de R$ 263,06 por saca representa uma valorização de 9,1% em apenas um mês.
A alta ocorre mesmo com a demanda doméstica apresentando ritmo mais lento. Em condições normais, uma procura menor tende a reduzir a pressão sobre os preços, mas outros fatores ligados à disponibilidade do produto têm sustentado as cotações.
O Paraná é uma das principais regiões produtoras de feijão do país e tem papel importante na formação dos preços do grão preto.
Oferta ajuda a explicar movimento
O comportamento do feijão-preto vem sendo influenciado pela disponibilidade do produto. Ao longo do ano, o mercado já vinha registrando atenção para a produção paranaense e para os efeitos das condições climáticas sobre as lavouras.
Em maio, o Cepea havia apontado que ofertas limitadas e o ritmo mais lento da colheita no Paraná ajudavam a sustentar a valorização dos feijões carioca e preto.
Em julho, o Centro de Pesquisas também destacou que a menor produção esperada de feijão-preto no Paraná ajudava a limitar quedas nas cotações, mesmo com demanda enfraquecida.
Feijão-carioca também segue sustentado
O feijão-carioca de melhor qualidade apresenta um cenário diferente, mas também registra sustentação de preços.
No noroeste de Minas Gerais, a saca de 60 quilos alcançou R$ 311,42 na média parcial de outubro, alta de 0,4% sobre setembro.
A valorização é mais moderada que a registrada pelo feijão-preto no Paraná, mas mostra que os preços continuam firmes no mercado produtor.
Qualidade influencia as cotações
A formação dos preços do feijão-carioca depende, entre outros fatores, da qualidade dos grãos disponíveis. Lotes considerados de melhor padrão podem alcançar valores superiores quando encontram compradores interessados.
O Cepea já apontou ao longo de 2026 que a qualidade dos lotes tem sido um fator importante para a formação das cotações do feijão carioca.
Além da qualidade, a quantidade disponível em cada região e o comportamento dos compradores influenciam diretamente os preços.
Por que o preço sobe mesmo com a demanda mais lenta?
O comportamento pode parecer contraditório, mas preço e demanda não dependem de um único fator. Quando a oferta disponível é limitada, uma procura menos intensa ainda pode ser suficiente para manter os valores sustentados.
No caso do feijão-preto, o mercado paranaense vinha sendo acompanhado de perto por causa das perspectivas de menor disponibilidade. O Cepea já havia registrado, no início do ano, uma forte reação dos preços do grão no Paraná, associada à expectativa de redução da área semeada no estado.
Assim, mesmo com compradores mais cautelosos, vendedores podem manter suas pedidas quando há menos produto disponível ou quando os lotes de melhor qualidade são mais disputados.
Compradores reduzem o ritmo
A cautela dos compradores não é novidade no mercado de feijão em 2026. Em junho, o Cepea registrou redução no ritmo de negócios após fortes altas acumuladas em maio.
Naquele momento, a entrada de lotes comerciais do Paraná pressionava principalmente o feijão-carioca, enquanto o feijão-preto encontrava sustentação.
O cenário mostra como os preços podem reagir de maneira diferente entre os tipos de feijão e entre as regiões produtoras.
O que acontece com o preço no mercado consumidor?
A alta registrada no mercado produtor não significa que o consumidor verá imediatamente o mesmo percentual de aumento nas prateleiras. Entre o produtor e o consumidor existem etapas de beneficiamento, transporte, empacotamento, distribuição e comercialização.
Por isso, uma alta de 9,1% na saca do feijão-preto no sul do Paraná não significa necessariamente uma alta de 9,1% no preço pago pelo consumidor.
O comportamento no varejo dependerá também dos estoques, dos custos de transporte e comercialização e das condições de oferta e demanda em cada região.
Feijão é item importante da alimentação brasileira
O feijão está entre os alimentos básicos da mesa dos brasileiros e aparece regularmente nos levantamentos de custo da cesta básica.
Em março, por exemplo, levantamento divulgado pelo NC News com dados de preços em diferentes capitais mostrou variações importantes para o feijão-preto e o feijão-carioca entre as cidades pesquisadas.
As diferenças regionais reforçam que a evolução da cotação no mercado produtor não é automaticamente igual ao preço final encontrado nos supermercados.
Mercado segue atento à oferta
Com o avanço de outubro, produtores, compradores e indústrias acompanham principalmente a disponibilidade dos grãos e o comportamento das negociações.
No feijão-preto, a alta acumulada no Paraná chama atenção porque ocorre mesmo em um momento de demanda doméstica mais lenta. Já no feijão-carioca de melhor qualidade, os preços permanecem sustentados, com avanço mais discreto.
O mercado deverá continuar sendo influenciado pelo equilíbrio entre oferta e procura, pela qualidade dos lotes e pela disponibilidade nas principais regiões produtoras.
Por enquanto, os dados do Cepea mostram dois movimentos distintos: o feijão-preto ganhou força em outubro, enquanto o carioca mantém preços firmes no mercado produtor.