Alta do milho e possível fim da escala 6×1 preocupam indústria de aves e suínos

Presidente da ABPA prevê aumento dos custos de produção com redução da jornada e possível alta do milho usado na alimentação dos animais
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A indústria de aves e suínos prevê aumento dos custos de produção e possível alta nos preços das carnes nos próximos meses. O presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ricardo Santin, relaciona a pressão principalmente ao aumento esperado do preço do milho e aos efeitos do fim da escala 6×1 sobre a mão de obra do setor.

Segundo Santin, a redução da jornada de trabalho exigirá adaptações nas empresas e poderá aumentar as despesas necessárias para manter a produção. A avaliação foi apresentada no domingo (18), durante o Sial Paris, na França, em entrevista sobre as perspectivas para o setor de proteína animal.

“Vai ter um impacto no preço do frango e no suíno. Será um repasse necessário para a manutenção da produção. E cada empresa tem o seu jeito e o quanto vai colocar no preço final”, afirmou Ricardo Santin.

O alerta ocorre depois de o Senado aprovar a proposta que reduz a jornada semanal de 44 para 40 horas, sem redução salarial, e estabelece dois dias de descanso por semana.

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Milho pesa no custo da produção de aves e suínos

Um dos principais fatores de pressão apontados pela ABPA é o preço do milho. O cereal representa quase 70% do custo da ração utilizada na criação de aves e suínos.

Na sexta-feira (16), o indicador do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) registrou o preço de R$ 64,85 pela saca de 60 quilos de milho.

Como a alimentação representa uma parcela significativa dos custos das granjas, qualquer aumento expressivo na cotação do cereal pode elevar as despesas dos produtores e das indústrias.

Alta do milho pode chegar à carne

O aumento do custo da ração interfere diretamente na formação dos preços de produção de frangos e suínos. Quando a alimentação dos animais fica mais cara, produtores precisam avaliar como absorver a diferença ou repassá-la ao longo da cadeia.

A ABPA considera que a combinação entre milho mais caro e custos adicionais relacionados à jornada de trabalho poderá pressionar as despesas do setor.

O impacto final, porém, pode variar entre empresas e mercados, dependendo da capacidade de cada indústria de absorver os custos e das condições de oferta e demanda.

Fim da escala 6×1 preocupa indústria

A redução da jornada semanal é outro ponto de atenção para o setor de proteína animal. A mudança diminui de 44 para 40 horas o limite semanal de trabalho e mantém a remuneração dos trabalhadores.

Para indústrias que operam continuamente, a redução das horas trabalhadas por funcionário pode exigir mudanças nas escalas e na organização das equipes.

Empresas podem precisar contratar novos trabalhadores, reorganizar turnos ou ampliar o uso de horas extras para manter o ritmo das operações.

Produção precisa funcionar de forma contínua

Frigoríficos e unidades de processamento de aves e suínos dependem de uma estrutura de trabalho organizada em diferentes turnos. A paralisação de determinadas etapas pode comprometer o funcionamento da cadeia produtiva.

Por isso, a ABPA avalia que a adaptação à nova jornada terá impacto direto sobre os custos operacionais das empresas.

A entidade já havia alertado anteriormente que o setor enfrenta dificuldades para preencher vagas. A redução da jornada pode ampliar essa necessidade de mão de obra.

ABPA prevê possível repasse ao consumidor

Para Ricardo Santin, os custos adicionais deverão ser considerados pelas empresas na formação dos preços finais dos produtos.

A associação, no entanto, não apresentou uma estimativa de quanto o frango ou a carne suína poderiam subir. O percentual de eventual repasse dependerá das condições de cada empresa e do comportamento do mercado.

“Cada empresa tem o seu jeito e o quanto vai colocar no preço final”, afirmou Santin.

A declaração indica que a entidade não prevê necessariamente um aumento uniforme para todos os produtos ou empresas, mas considera provável a necessidade de repassar parte dos custos para preservar a atividade.

Consumidor pode sentir efeito na cadeia

O preço final da carne não depende apenas do custo da mão de obra ou da ração. Transporte, energia, processamento, armazenamento, impostos, distribuição e margem de comercialização também influenciam o valor pago pelo consumidor.

Por isso, uma alta do milho ou das despesas trabalhistas não significa automaticamente que o preço da carne subirá na mesma proporção.

O alerta da ABPA é de que os custos adicionais podem pressionar a cadeia produtiva e criar necessidade de reajustes.

Setor ainda precisa se adaptar à nova jornada

A aprovação do fim da escala 6×1 abre uma etapa de adaptação para diferentes segmentos da economia. No caso das aves e dos suínos, a discussão envolve atividades que precisam manter produção, processamento e logística em funcionamento contínuo.

A reorganização das equipes será uma das principais tarefas das empresas. Dependendo da operação, será necessário redistribuir horários ou ampliar o quadro de funcionários.

O impacto também poderá variar conforme o nível de automação, a localização da unidade e a disponibilidade de trabalhadores na região.

Agro já havia alertado sobre custos

O alerta da ABPA se soma às manifestações de outras entidades do agronegócio. A Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp) afirmou que a redução da jornada pode aumentar os custos de produção e agravar a dificuldade de contratação no campo.

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) também defende que a aplicação da nova jornada considere as características específicas de cada atividade.

No campo, atividades como pecuária leiteira, plantio, colheita e transporte apresentam limitações próprias porque dependem de animais, ciclos biológicos e condições climáticas.

O que pode mudar no preço do frango e da carne suína?

A principal consequência apontada pela indústria é uma possível elevação do custo de produção. De um lado, está a alimentação dos animais, fortemente dependente do milho. De outro, estão as despesas com mão de obra e a necessidade de reorganizar as jornadas.

Se esses custos aumentarem, parte deles poderá ser absorvida pelas empresas ou repassada aos compradores.

Ainda não há, porém, uma projeção oficial da ABPA sobre o percentual de aumento que poderia chegar ao consumidor.

Produção e preços dependerão do mercado

O comportamento dos preços também dependerá da oferta de frango e carne suína, da demanda interna e externa e das cotações dos principais insumos.

O Brasil é um dos maiores produtores e exportadores mundiais de proteína animal. Por isso, mudanças no mercado internacional também podem influenciar a formação dos preços domésticos.

A avaliação da ABPA é que o setor terá de ajustar sua estrutura para cumprir a nova jornada sem comprometer a produção.

Fim da 6×1 entra no radar da indústria de carnes

Com a aprovação da mudança na jornada de trabalho, empresas de aves e suínos começam a avaliar os impactos sobre escalas, contratação e custos.

A pressão sobre o preço do milho acrescenta outro fator de preocupação para o setor, já que o cereal é um dos principais componentes da alimentação dos animais.

O resultado dessa combinação ainda não pode ser medido com precisão. O que a indústria sinaliza é que, se os custos aumentarem, haverá pressão para repassar parte deles aos preços finais.

Para o consumidor, o efeito dependerá de como empresas, produtores e demais integrantes da cadeia irão absorver ou distribuir essas despesas.

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