Manifestantes realizaram um protesto nesta segunda-feira (19) em frente à sede da Meta, empresa responsável pelo Instagram, Facebook e WhatsApp, em São Paulo. O ato teve como alvo suspeitas de interferência das plataformas digitais na eleição presidencial de 2026, especialmente em relação à distribuição de conteúdos políticos durante a campanha.
A manifestação ocorre a seis dias do segundo turno entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL). Nas últimas semanas, a campanha de Lula denunciou possíveis diferenças no tratamento dado às candidaturas nas redes sociais. A Meta reconheceu a ocorrência de falhas técnicas, mas negou qualquer atuação deliberada para favorecer um dos candidatos.
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Protesto questiona atuação da Meta nas eleições
A mobilização em São Paulo acontece em meio à discussão sobre o papel das empresas de tecnologia na circulação de informações eleitorais. O funcionamento dos algoritmos, dos mecanismos de recomendação e das ferramentas de publicidade digital passou a ser questionado após reclamações apresentadas pela campanha petista.
As suspeitas envolvem possíveis limitações no alcance de publicações, dificuldades para impulsionar conteúdos e diferenças no funcionamento de ferramentas utilizadas pelos candidatos.
Até o momento, as informações disponíveis não demonstram que tenha ocorrido uma interferência eleitoral intencional por parte da empresa. As denúncias continuam sendo discutidas na Justiça Eleitoral.
Meta reconheceu falhas técnicas durante a campanha
Na sexta-feira (16), a Meta divulgou uma manifestação na qual reconheceu problemas técnicos que afetaram ferramentas utilizadas durante a campanha presidencial.
Um dos episódios ocorreu em setembro, quando uma conta de anúncios da campanha de Lula foi temporariamente suspensa. Segundo a empresa, a restrição aconteceu durante uma análise antifraude e foi revertida depois da identificação de um erro.
A companhia também relatou problemas na contagem de visualizações de vídeos publicados no formato Reels e dificuldades temporárias na criação de anúncios a partir de publicações existentes no Instagram.
De acordo com a Meta, essas falhas tiveram alcance global e atingiram usuários e anunciantes de diferentes países, sem direcionamento específico à eleição brasileira.
A empresa sustenta que seus sistemas não classificam nem distribuem conteúdos com base na orientação política dos candidatos e que as regras são aplicadas de maneira equivalente.
Inteligência artificial também entrou na discussão
Outro episódio questionado durante a campanha envolveu a Meta AI, ferramenta de inteligência artificial integrada aos aplicativos da companhia.
Usuários relataram diferenças nas respostas da ferramenta a comandos relacionados aos candidatos à Presidência. A empresa reconheceu uma falha nos mecanismos de proteção em 14 de outubro.
Segundo a Meta, o sistema apresentava dificuldades para interpretar determinados comandos que utilizavam apenas o primeiro nome de um candidato acompanhado do número eleitoral.
A companhia afirmou que o problema poderia ocorrer com solicitações relacionadas às duas campanhas e informou que a falha foi corrigida no mesmo dia.
TSE determinou tratamento igual para Lula e Flávio
Na quinta-feira (15), o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) determinou que a Meta não aplique restrições desiguais à distribuição de conteúdos político-eleitorais das campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro.
A decisão foi assinada pelo ministro Marco Aurélio Bellizze e estabeleceu multa diária de R$ 500 mil em caso de descumprimento. A determinação permanece válida até o segundo turno, marcado para 25 de outubro.
Na prática, a medida busca impedir que mecanismos de recomendação, busca ou distribuição de publicações sejam utilizados de maneira desigual, prejudicando uma candidatura em relação à outra.
A ordem não impede a remoção de conteúdos ilegais nem significa que o tribunal tenha concluído que houve manipulação deliberada dos algoritmos.
Campanha de Lula levou suspeitas à Justiça Eleitoral
A campanha do presidente já havia anunciado medidas junto ao TSE e à Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD), após identificar problemas no funcionamento das plataformas.
Entre os questionamentos apresentados estavam dificuldades de impulsionamento de publicações, alterações na contagem de visualizações e possíveis diferenças no alcance de conteúdos relacionados aos dois candidatos.
A equipe petista argumenta que os episódios podem ter prejudicado sua comunicação com os eleitores. A Meta, por outro lado, afirma que as ocorrências tiveram explicações técnicas e rejeita a acusação de favorecimento político.
A Justiça Eleitoral deverá considerar as informações apresentadas pelas partes para avaliar o cumprimento das determinações judiciais.
Discussão ganha força na última semana da eleição
O protesto em frente à sede da Meta ocorre em um momento decisivo da campanha presidencial, quando as redes sociais são utilizadas pelos candidatos para divulgar propostas, transmitir eventos e alcançar eleitores.
A discussão sobre a atuação das plataformas envolve a necessidade de garantir critérios equivalentes de moderação e distribuição de conteúdo, sem impedir a aplicação das regras eleitorais.
Até a votação de domingo (25), a Meta deverá cumprir as determinações do TSE, enquanto eventuais novas reclamações poderão ser analisadas pela Justiça Eleitoral.
O caso mantém em debate a transparência dos sistemas digitais e a responsabilidade das empresas de tecnologia durante o processo eleitoral brasileiro.