O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que a eleição presidencial de 2026 será sua última disputa pelo Palácio do Planalto. A declaração ganhou destaque nesta terça-feira (20), quando o petista cumpriu agenda de campanha em São Luís, no Maranhão, a cinco dias do segundo turno contra o senador Flávio Bolsonaro (PL).
Aos 80 anos, Lula busca conquistar seu quarto mandato presidencial. A afirmação sobre o encerramento de sua trajetória como candidato ocorre em meio à intensificação dos compromissos eleitorais pelo país. Na segunda-feira (19), durante um ato em Porto Alegre, ele já havia dito que esta seria sua última disputa eleitoral.
No Maranhão, o presidente participou de uma caminhada pelo Centro Histórico de São Luís, acompanhado por lideranças políticas. Durante a visita, apresentou propostas relacionadas ao transporte público, à jornada de trabalho e à renegociação de dívidas, além de voltar a cobrar que Flávio Bolsonaro autorize o acesso a seus dados bancários e telefônicos.
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Lula afirma que eleição de 2026 será sua última disputa
A declaração de Lula representa um sinal sobre seus planos eleitorais após 2026, embora não signifique uma saída imediata da vida pública.
Na segunda-feira (19), em Porto Alegre, o presidente relacionou a afirmação à necessidade de defender sua trajetória política diante das acusações feitas durante a campanha presidencial.
“Esta é a minha última disputa eleitoral”, declarou o petista na ocasião.
Lula disputou a Presidência pela primeira vez em 1989. Depois, voltou a concorrer em 1994 e 1998, antes de vencer as eleições de 2002 e 2006. Após deixar o cargo, foi eleito novamente em 2022 e retornou ao Palácio do Planalto em janeiro de 2023.
A candidatura de 2026 é a sétima disputa presidencial de sua trajetória política.
O presidente não apresentou um plano detalhado sobre sua atuação após esta eleição. A declaração se refere à intenção de não disputar novamente a Presidência, independentemente do resultado do segundo turno.
Presidente anuncia propostas durante agenda no Maranhão
Durante a passagem por São Luís, Lula apresentou medidas voltadas aos trabalhadores e aos microempreendedores.
Uma das propostas é a gratuidade do transporte público aos sábados, domingos e feriados. O presidente afirmou que pretende encaminhar ao Congresso Nacional uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) para viabilizar a iniciativa.
Segundo ele, a medida poderia ser financiada com recursos de emendas parlamentares e implementada de maneira gradual.
Lula também abordou o fim da escala de trabalho 6×1, modelo em que o empregado trabalha seis dias e descansa um. O presidente defendeu a ampliação do tempo de descanso e associou a proposta à possibilidade de os trabalhadores aproveitarem atividades de lazer.
As medidas relacionadas ao transporte ainda dependem de tramitação legislativa e não estão em vigor.
Governo promete medidas para microempreendedores
Outro assunto abordado pelo presidente foi a situação financeira dos microempreendedores individuais (MEIs).
Lula anunciou a intenção de sancionar uma proposta que prevê o perdão de aproximadamente R$ 12 bilhões em dívidas e a ampliação gradual do limite de faturamento anual da categoria.
A proposta prevê que o teto, atualmente de R$ 81 mil, possa chegar a R$ 140 mil até 2028.
As mudanças dependem da conclusão dos procedimentos legislativos e administrativos necessários. Por isso, os anúncios não significam que todos os benefícios já estejam disponíveis.
O presidente apresentou as medidas como parte das ações econômicas defendidas por seu governo e de sua plataforma eleitoral para um eventual novo mandato.
Lula volta a desafiar Flávio Bolsonaro a abrir sigilos
Durante a agenda no Maranhão, Lula também retomou a discussão sobre a abertura de seus sigilos bancário e telefônico.
O presidente afirmou que seus advogados estavam encaminhando à Justiça Eleitoral uma autorização para disponibilizar informações financeiras e telefônicas dele e de familiares.
Segundo o petista, a iniciativa busca responder às acusações de corrupção feitas durante a campanha.
Lula também desafiou Flávio Bolsonaro a adotar procedimento semelhante, incluindo informações de familiares e empresas.
A declaração ocorre depois do debate presidencial realizado no domingo (18), quando os candidatos trocaram acusações relacionadas à corrupção e à conduta de integrantes de suas famílias.
Até a publicação das informações consultadas, não havia confirmação independente de que todos os documentos anunciados pelo presidente já tivessem sido efetivamente protocolados e disponibilizados para análise.
Por que Lula intensificou a campanha no Nordeste?
O Nordeste é uma região importante para a estratégia eleitoral do presidente, que procura ampliar sua votação no segundo turno.
No Maranhão, Lula recebeu 63,99% dos votos válidos no primeiro turno de 2026, percentual inferior aos 68,84% registrados na primeira etapa da eleição de 2022.
A redução motivou uma atenção maior da campanha petista ao estado, que não havia recebido uma visita de Lula durante a campanha do primeiro turno deste ano.
Na caminhada em São Luís, o presidente esteve acompanhado por aliados estaduais e nacionais, incluindo o governador Carlos Brandão e a senadora Eliziane Gama.
Após o compromisso no Maranhão, a programação prevê atividades em Juazeiro, na Bahia, e Petrolina, em Pernambuco.
A estratégia inclui caminhadas, entrevistas e encontros com lideranças locais durante os últimos dias de campanha.
Segundo turno acontece no domingo
Lula e Flávio Bolsonaro disputam a Presidência da República no próximo domingo, 25 de outubro.
No primeiro turno, realizado em 4 de outubro, Flávio recebeu 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula obteve 45,16%.
Como nenhum dos candidatos alcançou mais da metade dos votos válidos, a eleição será decidida em uma segunda votação.
Os candidatos ainda têm compromissos eleitorais previstos para os próximos dias, incluindo um debate na TV Globo, programado para sexta-feira (23).
A declaração de Lula sobre sua última campanha acrescenta um novo elemento à reta final da disputa. O resultado das urnas definirá se o presidente encerrará sua trajetória eleitoral com a conquista de um quarto mandato ou com a derrota na tentativa de reeleição.