O México suspendeu a importação de produtos avícolas do Brasil após a confirmação de um foco da doença de Newcastle em uma granja comercial de perus localizada em Nova Itaberaba, no Oeste de Santa Catarina. A decisão foi anunciada pelo governo mexicano na segunda-feira (19) e afeta a entrada de carne de frango, miúdos, ovos férteis, pintinhos e outras aves brasileiras no país.
A medida foi adotada pela Secretaria de Agricultura e Desenvolvimento Rural do México, por meio do Serviço Nacional de Sanidade, Inocuidade e Qualidade Agroalimentar (Senasica), como forma de proteger a produção avícola mexicana. A suspensão vale tanto para importações comerciais quanto para produtos transportados por turistas. Até esta terça-feira (20), não havia prazo definido para a retomada das compras.
O foco da doença foi confirmado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) no domingo (18). A propriedade atingida possui aproximadamente 6 mil perus de corte e foi interditada pelas autoridades sanitárias brasileiras. Apesar das restrições comerciais, o governo federal esclareceu que a doença não compromete a segurança da carne de aves e dos ovos submetidos à inspeção oficial.
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Surto em Santa Catarina provoca suspensão das importações
A confirmação da doença de Newcastle ocorreu após uma investigação epidemiológica conduzida pelo Serviço Veterinário Oficial de Santa Catarina. O diagnóstico foi realizado pelo Laboratório Federal de Defesa Agropecuária de São Paulo, reconhecido internacionalmente para a identificação da enfermidade.
Segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária, a propriedade foi imediatamente interditada, com suspensão da movimentação de aves e adoção de medidas para impedir a disseminação do vírus.
As autoridades brasileiras também iniciaram procedimentos de contenção e erradicação, seguindo o plano nacional de contingência para influenza aviária e doença de Newcastle.
O México informou que a suspensão permanecerá enquanto aguarda informações sanitárias sobre o controle do foco no Brasil. A medida impede a entrada de carne e miúdos de aves, ovos férteis, pintinhos de até três dias de vida, além de determinadas categorias de aves ornamentais, canoras e de rapina.
O que é a doença de Newcastle e quais são os riscos?
A doença de Newcastle é uma infecção viral altamente contagiosa que atinge aves domésticas e silvestres. Ela é provocada por um vírus pertencente ao grupo dos paramixovírus aviários e pode causar prejuízos significativos à produção avícola.
Entre os principais sintomas nas aves estão dificuldades respiratórias, apatia, diarreia, alterações neurológicas e queda na produção de ovos. Dependendo da variante do vírus e das condições dos animais, a enfermidade pode provocar elevada mortalidade.
De acordo com a Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA), a doença exige medidas rigorosas de vigilância e controle para evitar sua propagação entre propriedades rurais.
Embora represente uma ameaça importante para a avicultura, a doença não é considerada um risco significativo para a população em geral.
O Ministério da Agricultura reforçou que o consumo de produtos avícolas submetidos à inspeção oficial continua seguro.
Granja com 6 mil perus foi interditada em Santa Catarina
Durante entrevista coletiva realizada na segunda-feira (19), o ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, apresentou detalhes das medidas adotadas após a confirmação do foco.
Segundo o governo federal, a propriedade atingida possui aproximadamente 6 mil perus destinados à produção de carne. As aves permaneceram no estabelecimento e não foram encaminhadas ao abate para consumo.
As medidas sanitárias previstas incluem a eliminação das aves do estabelecimento, seguida de limpeza, desinfecção e outras ações necessárias para erradicar o vírus.
O monitoramento epidemiológico também será realizado em uma área de restrição que abrange Nova Itaberaba e os municípios vizinhos de Coronel Freitas, Nova Erechim e Águas Frias.
O objetivo é identificar possíveis sinais da doença em outras propriedades e impedir que o foco alcance novas criações comerciais.
Suspensão pode afetar exportações brasileiras de frango
A decisão mexicana ocorre em um momento de forte participação do Brasil no mercado internacional de proteína animal. O país é o maior exportador mundial de carne de frango e abastece diferentes mercados na América, Ásia e Oriente Médio.
Nos últimos anos, o México ampliou significativamente suas compras de produtos avícolas brasileiros.
Segundo dados da Agência Nacional de Aduanas do México, divulgados pela União Nacional de Avicultores do país, as importações mexicanas de peito de frango desossado do Brasil passaram de aproximadamente 90 mil toneladas em 2022 para 196 mil toneladas em 2025.
O crescimento demonstra a importância comercial do fornecimento brasileiro para o mercado mexicano.
Com a suspensão, exportadores brasileiros ficam temporariamente impedidos de enviar os produtos abrangidos pela restrição ao país.
Ainda não há estimativa oficial sobre o prejuízo financeiro provocado pela medida. O impacto dependerá principalmente da duração do embargo e das condições estabelecidas para a retomada das importações.
Brasil já enfrentou restrições comerciais por doenças aviárias
O episódio ocorre pouco mais de um ano após o Brasil enfrentar uma série de restrições internacionais relacionadas à influenza aviária de alta patogenicidade.
Em maio de 2025, a confirmação de um foco de gripe aviária em uma granja comercial de Montenegro, no Rio Grande do Sul, levou diferentes países a suspender temporariamente a compra de produtos avícolas brasileiros.
Apesar de ambas as enfermidades afetarem aves e provocarem medidas de controle sanitário, a doença de Newcastle e a influenza aviária são causadas por vírus diferentes.
Nos dois casos, a confirmação de focos em estabelecimentos comerciais pode provocar restrições ao comércio internacional, dependendo dos protocolos sanitários adotados pelos países importadores.
A experiência anterior reforça a importância das ações de vigilância, da comunicação entre autoridades sanitárias e do cumprimento das exigências internacionais para a manutenção das exportações.
Próximos passos para a retomada das exportações
O governo brasileiro deverá continuar as ações de contenção em Santa Catarina e apresentar informações atualizadas aos parceiros comerciais sobre o controle do foco.
O Ministério da Agricultura informou que a ocorrência será comunicada à Organização Mundial de Saúde Animal e aos países que mantêm relações comerciais com o Brasil.
No México, o Senasica deverá acompanhar os resultados das medidas sanitárias brasileiras antes de avaliar a possibilidade de restabelecer as autorizações de importação.
Por enquanto, a suspensão permanece em vigor, sem data anunciada para o encerramento. A retomada dependerá da avaliação das autoridades mexicanas e das garantias sanitárias apresentadas pelo Brasil.