Arqueóloga baleada no Leblon agradece a desconhecidos que ajudaram a salvar sua vida

Tania Andrade Lima, de 81 anos, foi atingida por três tiros durante um assalto no Rio; pesquisadora destacou a solidariedade de pedestres, um taxista e profissionais de saúde.
Redação NC News
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A arqueóloga Tania Andrade Lima, de 81 anos, baleada durante um assalto no Leblon, na Zona Sul do Rio de Janeiro, agradeceu às pessoas que a socorreram após o ataque. A pesquisadora, reconhecida por seu trabalho na descoberta do Cais do Valongo, afirmou sentir uma profunda gratidão por ter sobrevivido aos três disparos e destacou a ajuda recebida de desconhecidos no momento em que estava ferida.

O crime aconteceu no dia 15 de outubro, quando Tania deixava uma agência bancária na Rua General Venâncio Flores. Ela foi abordada por um criminoso que tentou arrancar sua bolsa, derrubou-a na calçada e efetuou os disparos. Em relato divulgado nesta semana, a arqueóloga relembrou os momentos de violência e a mobilização de pessoas que correram para ajudá-la, mesmo diante do perigo.

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Arqueóloga agradece ajuda recebida após os disparos

Em seu relato, Tania afirmou que a solidariedade das pessoas foi fundamental para enfrentar os momentos que se seguiram ao assalto.

“Milagrosamente tô viva”, declarou a pesquisadora ao comentar a própria sobrevivência.

Segundo ela, alguns homens que presenciaram a abordagem não hesitaram em se aproximar para prestar socorro, apesar de o criminoso estar armado.

A arqueóloga também agradeceu a uma mulher que emprestou o telefone celular para que pudesse avisar o marido sobre o ocorrido.

Outro gesto lembrado foi o de um taxista, que improvisou um garrote utilizando um cadarço para tentar conter o sangramento em seu braço.

Uma pessoa também ofereceu um moletom para ajudar a estancar a hemorragia.

Tania destacou que a assistência recebida naquele momento contribuiu para que ela conseguisse chegar ao atendimento médico.

Pesquisadora foi atingida por três tiros durante assalto

Imagens de câmeras de segurança registraram a ação criminosa por volta das 14h, na Rua General Venâncio Flores.

A arqueóloga caminhava em direção ao próprio carro depois de sair de uma agência bancária quando foi surpreendida por um homem.

O criminoso puxou a bolsa e o braço da vítima, fazendo com que ela caísse na calçada.

Durante a abordagem, Tania foi atingida por três disparos. Os ferimentos alcançaram regiões do pescoço, ombro e mão.

Após o ataque, o assaltante fugiu na garupa de uma motocicleta conduzida por um comparsa.

A Polícia Civil investiga a participação de uma quadrilha especializada em roubos cometidos contra pessoas que realizam saques bancários.

Atendimento médico e recuperação

Depois do crime, a pesquisadora recebeu os primeiros socorros e foi encaminhada ao Hospital Municipal Miguel Couto, na Gávea.

Posteriormente, a família optou por transferi-la para uma unidade particular.

Tania contou que passou por um procedimento para retirar um projétil alojado na região do pescoço e por uma cirurgia de reconstrução da mama.

A arqueóloga agradeceu aos profissionais de saúde envolvidos no atendimento, incluindo médicos, enfermeiros e equipes responsáveis pelos procedimentos cirúrgicos.

Ela também reconheceu a atuação dos agentes de segurança que participaram do socorro.

Segundo as informações divulgadas sobre sua recuperação, a pesquisadora apresentava quadro clínico estável.

Polícia prende suspeito de monitorar vítimas em bancos

Na quinta-feira (22), a Polícia Civil prendeu um homem suspeito de integrar a quadrilha responsável pelo assalto.

Identificado como Fabio Cassiano da Silva, ele foi localizado no bairro de Benfica, na Zona Norte do Rio.

De acordo com os investigadores, o suspeito atuaria como olheiro do grupo, observando clientes dentro de agências bancárias e repassando informações aos comparsas.

A polícia afirma que ele é investigado por participação em pelo menos cinco assaltos.

O homem suspeito de ter efetuado os disparos contra a arqueóloga permanecia foragido até a atualização divulgada na sexta-feira (23).

As investigações continuam para identificar os demais envolvidos e esclarecer a participação de cada integrante do grupo.

Quem é Tania Andrade Lima?

Tania Andrade Lima é professora aposentada do Departamento de Antropologia do Museu Nacional, vinculado à Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), e pesquisadora sênior do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

Ao longo da carreira, participou de pesquisas importantes para a preservação da memória histórica e do patrimônio arqueológico brasileiro.

Ela coordenou trabalhos relacionados à descoberta do Cais do Valongo, na Zona Portuária do Rio de Janeiro, em 2011.

O local foi um dos principais pontos de desembarque de africanos escravizados nas Américas e recebeu o título de Patrimônio Mundial da Unesco em 2017.

No Museu Nacional, a arqueóloga também fundou e coordenou o Programa de Pós-Graduação em Arqueologia.

Em 2023, tornou-se a segunda brasileira a receber o Hypatia Award, reconhecimento internacional por sua contribuição à preservação do patrimônio cultural.

Museu Nacional manifesta solidariedade

Após o ataque, o Museu Nacional da UFRJ divulgou uma nota de solidariedade à pesquisadora.

A instituição destacou a dedicação de Tania ao longo de décadas de atividades acadêmicas e lamentou que o crime tenha ocorrido justamente no Dia dos Professores, celebrado em 15 de outubro.

O museu também manifestou preocupação com a violência registrada na cidade e desejou plena recuperação à arqueóloga.

Apesar dos ferimentos e do trauma provocado pelo assalto, Tania ressaltou que as manifestações de apoio recebidas depois do crime contribuíram para renovar sua confiança na solidariedade humana.

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