O atacante Richarlison, do Tottenham e da seleção brasileira, está envolvido em uma disputa judicial pelos direitos de ocupação de uma casa de luxo localizada na Ilha Comprida, em Angra dos Reis, no Rio de Janeiro. O jogador afirma ter investido aproximadamente R$ 10 milhões no imóvel e questiona a negociação que levou uma empresa ligada ao advogado Willer Tomaz, amigo de Flávio Bolsonaro (PL), a reivindicar a posse da propriedade.
O caso ganhou repercussão durante a campanha presidencial após Richarlison mencionar o senador em publicações nas redes sociais. Mensagens divulgadas pela imprensa mostram que Flávio pediu ao jogador uma manifestação pública esclarecendo que não tinha participação na disputa. O parlamentar nega ter comprado, vendido ou intermediado o imóvel, enquanto o advogado sustenta que sua empresa adquiriu os direitos de maneira regular.
Richarlison acusa Flávio Bolsonaro em disputa por mansão de R$ 10 milhões e pede investigação
Como começou a disputa pela ilha de Richarlison?
Richarlison afirma que participou da aquisição de direitos sobre a casa em 2020, durante a pandemia de Covid-19. A negociação envolveu parceiros comerciais, incluindo seu então empresário, Renato Velasco.
Segundo o atacante, os investimentos na propriedade chegaram a aproximadamente R$ 10 milhões. O jogador afirma que não recuperou o dinheiro após perder a disputa pela posse.
O imóvel fica na Ilha Comprida, em Angra dos Reis, e está situado em uma área cuja ocupação envolve direitos administrados pela União.
Por isso, a controvérsia não diz respeito necessariamente à propriedade definitiva de uma ilha, mas aos direitos de ocupação e posse de uma residência localizada no local.
Richarlison afirma que Flávio Bolsonaro demonstrou interesse na compra do imóvel, mas que ele recusou a negociação.
O senador nega ter participado de qualquer operação de compra ou venda relacionada à propriedade.
Empresa ligada a advogado comprou imóvel por R$ 600 mil
Em abril de 2022, a WT Administração de Bens e Imóveis, empresa ligada ao advogado Willer Tomaz, firmou um contrato de compra e venda da casa com a M Locadora, sediada em Santos, no litoral paulista.
O valor declarado da transação foi de R$ 600 mil, enquanto uma avaliação da Prefeitura de Angra dos Reis apontava aproximadamente R$ 2,6 milhões.
Tomaz afirma que, além do pagamento pela aquisição, gastou outros R$ 3 milhões para quitar impostos e dívidas relacionados ao imóvel.
A negociação passou a ser questionada após o surgimento de informações sobre a situação da empresa vendedora.
Segundo documentos divulgados pelo UOL, a M Locadora estava sem movimentação registrada na Junta Comercial desde 1997, e seus dois sócios originais já haviam morrido.
A viúva de um dos antigos sócios registrou um boletim de ocorrência relatando possíveis irregularidades na venda e questionando a autenticidade de documentos utilizados na operação.
As suspeitas apresentadas não significam que tenha sido comprovada a existência de fraude. Willer Tomaz contesta as acusações e afirma que a aquisição foi legal.
Por que Flávio Bolsonaro aparece na história?
O nome de Flávio Bolsonaro foi associado à disputa por causa de sua amizade com Willer Tomaz, de uma visita à propriedade e das declarações feitas por Richarlison.
Em 2021, o senador publicou nas redes sociais imagens aéreas da casa, mostrando uma cachoeira próxima ao imóvel.
Richarlison afirma que Flávio teve interesse em adquirir a propriedade, mas que a venda não foi concretizada.
O jogador também acusa pessoas ligadas à negociação de terem se beneficiado de procedimentos que resultaram na perda dos direitos que ele reivindica.
A assessoria de Flávio Bolsonaro afirma que o parlamentar não comprou, vendeu ou intermediou o imóvel e não possui vínculo com a propriedade.
O senador também sustenta que foi citado no processo judicial apenas na condição de testemunha.
Até o momento, não há comprovação de que Flávio seja proprietário do imóvel ou tenha cometido irregularidade relacionada à negociação.
Mensagens revelam pedido de Flávio a Richarlison
A controvérsia ganhou um novo capítulo após a divulgação de mensagens trocadas entre Richarlison e Flávio Bolsonaro.
O jogador procurou o senador pelo Instagram em abril de 2026 para reclamar da situação e cobrar o dinheiro que afirma ter perdido.
Flávio respondeu em julho e encaminhou trechos de um acordo privado relacionado à disputa judicial.
Segundo o parlamentar, advogados haviam consultado o processo e identificado um entendimento envolvendo uma empresa ligada ao jogador e seu ex-empresário, Renato Velasco.
Richarlison questionou a validade da negociação e afirmou que não havia autorizado o acordo.
Durante a conversa, Flávio pediu que o atacante esclarecesse publicamente que ele não tinha relação com o caso.
“Gostaria de te pedir que soltasse uma nota dizendo que eu não tenho nada a ver com o assunto.”
O jogador respondeu que só pretendia se manifestar depois de recuperar os recursos investidos.
Richarlison também afirmou que seu ex-empresário havia mencionado o nome de Flávio na disputa.
O senador rejeitou a afirmação.
“Craque, mentira pura!”
Flávio reiterou que não tinha participação na negociação e pediu que seu nome não fosse associado ao episódio.
Richarlison diz que não autorizou acordo judicial
Outro ponto central da controvérsia envolve um acordo firmado entre empresas participantes da disputa.
No fim de 2025, uma empresa ligada a Richarlison e Renato Velasco desistiu de uma ação judicial contra a empresa de Willer Tomaz.
O jogador afirma que não autorizou o entendimento e questiona as circunstâncias em que a desistência foi formalizada.
Segundo Richarlison, o acordo não resolveu sua situação financeira, já que ele continua sem receber os aproximadamente R$ 10 milhões que afirma ter investido.
Willer Tomaz, por outro lado, sustenta que a disputa judicial foi encerrada e que a empresa ligada ao jogador não conseguiu comprovar os direitos reivindicados.
O advogado afirma que Richarlison não participou diretamente dos processos sobre a posse do imóvel.
As versões divergem sobre a legitimidade das negociações e sobre quem teria direito ao ressarcimento dos valores envolvidos.
Justiça rejeitou pedido para impedir publicações do jogador
Em 29 de julho, Willer Tomaz e sua empresa apresentaram uma ação na Justiça do Distrito Federal para tentar impedir que Richarlison continuasse divulgando acusações relacionadas à disputa.
O advogado pediu a proibição de novas publicações que afirmassem ou insinuassem que o imóvel havia sido tomado irregularmente.
A ação também incluiu pedidos de multa e indenização por danos morais.
Em 13 de agosto, a Justiça rejeitou a medida urgente solicitada.
O magistrado considerou que uma proibição ampla de manifestações futuras poderia representar restrição prévia à liberdade de expressão.
A decisão não encerrou o processo. Os pedidos apresentados por Tomaz ainda poderão ser analisados durante a tramitação da ação.
Amigo de Flávio Bolsonaro tenta calar Richarlison sobre disputa por ilha de R$ 10 milhões
O que a Justiça decidiu sobre a posse da propriedade?
A disputa envolvendo os direitos de ocupação do imóvel passou por diferentes instâncias judiciais.
Decisões anteriores foram favoráveis à empresa ligada a Willer Tomaz, e a controvérsia chegou ao Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Em 2025, o STJ manteve entendimento favorável à empresa do advogado.
Posteriormente, uma das empresas ligadas à negociação desistiu de uma ação em que questionava os direitos sobre o imóvel.
Tomaz utiliza esse histórico para sustentar a regularidade da posse.
Richarlison, entretanto, continua questionando as circunstâncias da negociação e afirma que não recebeu o ressarcimento dos valores investidos.
É importante distinguir decisões judiciais sobre posse de eventuais investigações sobre a autenticidade de documentos ou a atuação de terceiros.
Uma decisão favorável em uma disputa cível não comprova, isoladamente, que todas as suspeitas apresentadas posteriormente tenham sido examinadas.
Lula afirmou ter solicitado investigação à Polícia Federal
A disputa também entrou no debate político durante a reta final da campanha presidencial.
Na quarta-feira (21), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou ter solicitado à Polícia Federal uma investigação sobre as circunstâncias da transferência dos direitos de ocupação do imóvel.
O presidente questionou diferenças nos prazos de tramitação de pedidos relacionados à propriedade.
Richarlison também pediu publicamente que as autoridades investigassem o caso.
Além disso, uma representação foi apresentada ao Ministério Público Federal para solicitar a análise de possíveis irregularidades.
A existência desses pedidos não comprova que tenha ocorrido crime ou que Flávio Bolsonaro tenha participado de alguma conduta ilegal.
Cabe às autoridades competentes avaliar os documentos e decidir sobre eventuais medidas de investigação.
O que dizem os envolvidos?
Richarlison afirma que investiu aproximadamente R$ 10 milhões na propriedade, perdeu os direitos que reivindicava e deseja recuperar o dinheiro.
O jogador questiona a validade de negociações realizadas por terceiros e pede esclarecimentos sobre os procedimentos que beneficiaram a empresa de Willer Tomaz.
Flávio Bolsonaro nega qualquer participação na compra, venda ou intermediação do imóvel.
O senador afirma que não possui vínculo com a propriedade e rejeita as acusações feitas pelo atacante.
Willer Tomaz sustenta que sua empresa adquiriu os direitos sobre a residência de forma regular e que as decisões judiciais confirmaram sua posição na disputa.
O advogado também contesta as manifestações públicas de Richarlison e afirma que elas prejudicam sua reputação.
O que pode acontecer agora?
A disputa ainda poderá ter novos desdobramentos judiciais.
A ação apresentada por Willer Tomaz contra Richarlison continua em tramitação, apesar da rejeição do pedido urgente para impedir novas publicações.
Também poderão ser analisados documentos relacionados às representações encaminhadas às autoridades.
Richarlison mantém a cobrança pelo dinheiro que afirma ter investido na propriedade.
Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz negam participação em irregularidades.
Até o momento, as informações disponíveis não demonstram que o senador tenha adquirido o imóvel ou sido responsabilizado judicialmente por alguma fraude relacionada à disputa.