O governo dos Estados Unidos, comandado pelo presidente Donald Trump, anunciou nesta terça-feira (27) que concederá vistos ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e a seus familiares, permitindo a entrada deles em território norte-americano. A informação foi confirmada por uma autoridade do Departamento de Estado dos EUA, em meio aos desdobramentos da saída do parlamentar do Brasil após sua derrota nas eleições presidenciais de 2026.
O anúncio ocorre no mesmo dia em que a Polícia Federal informou ao Supremo Tribunal Federal (STF) que Flávio não cumpriu a determinação de entregar seus passaportes. A ordem havia sido expedida pelo ministro Alexandre de Moraes na segunda-feira (26), com prazo de 24 horas e proibição de deixar o território brasileiro.
A decisão norte-americana acrescenta uma dimensão diplomática ao caso, mas a concessão de vistos não significa que os Estados Unidos tenham aprovado um pedido de asilo político. Até o momento, não foi apresentada confirmação oficial de que o senador tenha recebido esse tipo de proteção.
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Departamento de Estado confirma autorização para entrada nos EUA
A posição do governo norte-americano foi comunicada por uma autoridade do Departamento de Estado, órgão responsável pela política externa dos Estados Unidos.
“O Departamento de Estado emitirá vistos para Flávio Bolsonaro e sua família e permitirá que eles entrem nos Estados Unidos”, informou a autoridade.
A declaração confirma a intenção do governo Trump de autorizar a entrada do senador e de seus familiares. Entretanto, não esclarece qual modalidade de visto será utilizada, por quanto tempo eles poderão permanecer no país ou se haverá algum procedimento adicional relacionado à situação migratória.
O anúncio ocorre depois de relatos de que Flávio teria viajado para os Estados Unidos acompanhado da esposa, Fernanda Bolsonaro, e das duas filhas do casal.
Flávio Bolsonaro deixou o Brasil após determinação judicial
A viagem do senador ganhou repercussão após a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, que determinou a entrega dos passaportes comum e diplomático de Flávio à Polícia Federal.
A medida foi adotada no âmbito de uma investigação que envolve o parlamentar e o advogado Willer Tomaz por suspeitas de lavagem de dinheiro. Ambos negam irregularidades.
O prazo para a entrega dos documentos terminou na manhã desta terça-feira (27), sem que o senador comparecesse para cumprir a determinação.
Diante do descumprimento, a Polícia Federal cancelou os passaportes brasileiros do parlamentar e comunicou o fato ao STF.
Apesar da situação, não havia mandado de prisão contra Flávio Bolsonaro nas informações divulgadas até então. Por esse motivo, o descumprimento da ordem de entrega dos documentos não significa, por si só, que ele seja formalmente considerado foragido.
Senador possui cidadania italiana
Outro ponto relacionado à viagem é a cidadania italiana de Flávio Bolsonaro, que também possui passaporte do país europeu.
A existência de uma segunda nacionalidade pode influenciar os procedimentos migratórios, mas não elimina automaticamente as restrições impostas pela Justiça brasileira.
Também não foram esclarecidas oficialmente todas as circunstâncias da saída do senador do território nacional, incluindo o trajeto percorrido e os documentos apresentados durante o deslocamento.
Autoridades argentinas chegaram a verificar informações sobre uma possível passagem do parlamentar pelo país, mas afirmaram não ter localizado registros que confirmassem sua entrada pela rota inicialmente mencionada.
Concessão de visto é diferente de asilo político
O anúncio do Departamento de Estado provocou questionamentos sobre a possibilidade de Flávio Bolsonaro solicitar proteção política nos Estados Unidos.
É importante distinguir os dois procedimentos. O visto é uma autorização migratória para solicitar entrada no país, enquanto o asilo envolve um processo específico de proteção internacional, sujeito a requisitos legais e análise das autoridades competentes.
Assim, a manifestação do governo Trump não comprova que o senador tenha apresentado um pedido formal de asilo nem que eventual solicitação tenha sido aprovada.
Nos Estados Unidos, pedidos de asilo normalmente são apresentados por pessoas que já estão em território norte-americano ou em um ponto de entrada autorizado, conforme as regras migratórias aplicáveis.
Aliado de Trump havia mencionado possível operação de proteção
Antes do anúncio oficial sobre os vistos, o empresário mexicano Simón Levy, que se apresenta como aliado de Donald Trump, afirmou nas redes sociais que autoridades norte-americanas teriam participado de uma operação para garantir a segurança de Flávio Bolsonaro.
Levy atribuiu ao secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, a organização da suposta iniciativa.
Entretanto, o anúncio sobre a emissão de vistos não confirma a existência dessa operação nem comprova a participação de Rubio em um eventual planejamento da viagem.
Até a divulgação das informações disponíveis, não haviam sido apresentados documentos oficiais que detalhassem uma operação de transporte ou proteção organizada pelo governo norte-americano.
Viagem ocorre dois dias após derrota presidencial
Flávio Bolsonaro disputou o segundo turno das eleições presidenciais contra Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no domingo (25) e foi derrotado pelo atual presidente, que conquistou a reeleição.
Na segunda-feira (26), após ser informado da determinação judicial, o senador afirmou publicamente que permaneceria no Brasil e que pretendia organizar a oposição ao governo Lula.
No dia seguinte, porém, aliados e fontes ligadas ao governo norte-americano confirmaram que o parlamentar havia seguido para os Estados Unidos.
A sequência de acontecimentos provocou reações políticas e questionamentos sobre o cumprimento das medidas determinadas pelo Supremo Tribunal Federal.
O que pode acontecer agora?
A situação de Flávio Bolsonaro dependerá dos próximos encaminhamentos da investigação conduzida no Brasil e das informações oficiais sobre sua permanência nos Estados Unidos.
No âmbito judicial, caberá ao STF avaliar as consequências do descumprimento da determinação de entrega dos passaportes e de eventuais restrições de deslocamento.
Na esfera diplomática, a concessão de vistos demonstra a disposição do governo norte-americano de permitir a entrada do senador e de seus familiares, mas ainda não esclarece se haverá solicitação de asilo ou outra medida migratória.
O caso segue em desenvolvimento, e novas manifestações das autoridades brasileiras e norte-americanas poderão esclarecer as condições da viagem e a situação jurídica do parlamentar.