Ex-dirigente de comunidade espírita é investigado por suspeita de crimes sexuais em Goiânia

Ministério Público de Goiás cumpriu quatro mandados de busca e apreensão; investigação apura suspeitas de exploração de mulheres em situação de vulnerabilidade e divulgação de imagens íntimas sem autorização.
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O Ministério Público de Goiás (MPGO) deflagrou, nesta terça-feira (27), a Operação Luz e Sombra para investigar suspeitas de crimes contra a dignidade sexual atribuídos ao ex-presidente de uma comunidade espírita de Goiânia. A investigação apura se o homem utilizava sua posição de liderança religiosa para se aproximar de mulheres em situação de vulnerabilidade social e obter vantagens de natureza sexual.

Durante a operação, foram cumpridos quatro mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao investigado, incluindo a sede da Comunidade Espírita Eurípedes Barsanulfo, localizada no Jardim Guanabara II, na capital goiana. As diligências buscam reunir provas sobre as denúncias e identificar possíveis outras vítimas.

Segundo o Ministério Público, uma das suspeitas é de que o ex-dirigente teria exigido materiais de conteúdo sexual em troca do fornecimento de cestas básicas. Os investigadores também apuram a possível divulgação de fotografias e vídeos íntimos sem o consentimento das mulheres envolvidas.

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Investigação começou após denúncia de integrante da comunidade

A apuração teve início depois que uma integrante da instituição religiosa apresentou uma notícia-crime ao Ministério Público de Goiás.

A denúncia levou à abertura de uma investigação sobre possíveis condutas praticadas pelo então dirigente contra mulheres atendidas pela comunidade.

De acordo com o MPGO, os elementos reunidos até o momento indicam a necessidade de esclarecer se a posição de liderança religiosa teria sido utilizada para conquistar a confiança das vítimas e submetê-las a situações de exploração.

Entre as hipóteses investigadas está a prática de violação sexual mediante fraude, crime previsto no Código Penal brasileiro.

O procedimento tramita sob sigilo, medida que também busca preservar informações sensíveis e a identidade das possíveis vítimas.

Fornecimento de cestas básicas teria sido utilizado para exigir conteúdo sexual

Uma das principais linhas de investigação envolve a suspeita de que o ex-presidente da instituição teria condicionado o fornecimento de cestas básicas ao envio de materiais de natureza sexual.

Segundo as informações divulgadas pelo Ministério Público, as mulheres envolvidas estariam em situação de vulnerabilidade social e procuravam a comunidade para receber assistência.

Os investigadores buscam esclarecer se o acesso aos benefícios oferecidos pela instituição foi utilizado como forma de pressão sobre essas mulheres.

A apuração também considera a relação de confiança existente entre o dirigente religioso e as pessoas atendidas pela entidade.

Até o momento, as suspeitas estão em fase de investigação e não representam uma conclusão definitiva sobre a responsabilidade criminal do ex-dirigente.

Divulgação de imagens íntimas também está sob investigação

O Ministério Público apura ainda indícios de que fotografias e vídeos íntimos de uma das mulheres teriam sido compartilhados com terceiros sem autorização.

Caso a conduta seja comprovada e estejam presentes os requisitos previstos em lei, o investigado poderá responder pelo crime de divulgação de cena de sexo, nudez ou pornografia sem consentimento.

A prática é prevista no artigo 218-C do Código Penal, que estabelece punições para a divulgação não autorizada de conteúdos íntimos nas circunstâncias descritas pela legislação.

Os investigadores também procuram identificar a eventual participação de outras pessoas no recebimento ou compartilhamento dos materiais.

O acesso aos dados telemáticos autorizado pela Justiça poderá auxiliar na análise de comunicações e arquivos relevantes para a apuração.

Ministério Público apura possibilidade de outras vítimas

As diligências conduzidas pelo Núcleo de Apoio às Vítimas (Navita), do Ministério Público de Goiás, apontam que outras mulheres podem ter passado por situações semelhantes.

A investigação busca identificar possíveis vítimas, reunir depoimentos e esclarecer se as condutas denunciadas ocorreram de maneira isolada ou atingiram outras pessoas atendidas pela instituição.

O trabalho de acolhimento também é importante para preservar a integridade das mulheres envolvidas e evitar sua exposição durante a investigação.

Como o procedimento tramita sob sigilo, detalhes dos depoimentos e dos elementos de prova não foram divulgados.

Justiça impõe restrições ao ex-dirigente

Além dos mandados de busca e apreensão, a Justiça autorizou o acesso a dados telemáticos e estabeleceu medidas cautelares contra o investigado.

Entre as determinações estão o comparecimento mensal em juízo e a proibição de frequentar a sede da Comunidade Espírita Eurípedes Barsanulfo.

O homem também está impedido de participar de atividades e eventos promovidos pela instituição, mesmo quando realizados em outros locais.

As medidas foram adotadas no contexto da investigação e não equivalem a uma condenação criminal.

Ex-presidente foi afastado da instituição em julho

O investigado deixou a presidência da Comunidade Espírita Eurípedes Barsanulfo após uma assembleia extraordinária realizada em julho de 2026.

Segundo as informações divulgadas, o ex-dirigente foi destituído do cargo e a instituição passou a contar com uma nova administração.

Atualmente, a sede da comunidade, localizada no Jardim Guanabara II, encontra-se temporariamente fechada.

A investigação prossegue para esclarecer as denúncias, analisar os materiais apreendidos e verificar a existência de outras possíveis vítimas.

O caso permanece sob sigilo judicial. Até a conclusão das apurações, o investigado deve ser considerado inocente, conforme o princípio constitucional da presunção de inocência.

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