A morte do jornalista Eduardo Sotto Mayor, aos 36 anos, após sofrer um acidente vascular cerebral (AVC), chama atenção para uma condição de saúde frequentemente associada a pessoas mais velhas, mas que também pode atingir adultos jovens. No Brasil, as internações por AVC entre pessoas de 15 a 49 anos aumentaram 16,9% entre 2020 e 2025, passando de 34.896 para 40.788 registros, segundo dados do Ministério da Saúde, consultados no DataSUS.
O caso de Eduardo reforça o alerta sobre uma doença que não atinge apenas idosos. Embora a idade seja um dos fatores que aumentam o risco, problemas cardiovasculares, alterações na circulação e hábitos de vida podem contribuir para a ocorrência de um derrame cerebral antes dos 40 anos.
Mas o que explica um AVC em pessoas tão jovens? Quais são os fatores de risco e os sintomas que não podem ser ignorados?
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O crescimento das hospitalizações chama atenção para a ocorrência da doença em uma faixa etária que muitas vezes não se considera sob risco. Entre 2020 e 2025, o número de internações de pessoas com idade entre 15 e 49 anos passou de 34.896 para 40.788, uma alta de 16,9%.
Os dados representam hospitalizações registradas no sistema de saúde, e não necessariamente o total de pessoas que sofreram AVC no país. Ainda assim, mostram a dimensão do problema entre adultos jovens.
Fatores como sedentarismo, pressão alta, diabetes, colesterol elevado, obesidade e uso de drogas ilícitas podem contribuir para o aumento do risco entre pessoas mais novas.
O cenário reforça a importância de não associar o AVC exclusivamente ao envelhecimento e de manter o acompanhamento da saúde mesmo na idade adulta.
Por que jovens podem sofrer um AVC?
O acidente vascular cerebral acontece quando o fluxo de sangue para uma parte do cérebro é interrompido ou quando um vaso sanguíneo se rompe, provocando uma hemorragia. A condição pode comprometer funções neurológicas e, em situações graves, levar à morte.
Existem dois tipos principais de AVC. O AVC isquêmico ocorre quando uma artéria que leva sangue ao cérebro é obstruída, geralmente por um coágulo. Já o AVC hemorrágico acontece quando um vaso sanguíneo se rompe e provoca sangramento dentro ou ao redor do cérebro.
O AVC também pode atingir pessoas jovens, e suas causas nem sempre são as mesmas observadas em pacientes idosos.
Entre os fatores que podem contribuir para o problema estão:
1. Pressão alta
A hipertensão pode danificar as paredes dos vasos sanguíneos e aumentar o risco de obstruções e rompimentos. É um dos principais fatores de risco para AVC.
2. Problemas cardíacos
Algumas alterações no funcionamento do coração favorecem a formação de coágulos que podem chegar ao cérebro e interromper a circulação sanguínea.
3. Dissecção arterial
Ocorre quando há uma lesão na parede de uma artéria, especialmente nas regiões do pescoço. A condição pode favorecer a formação de coágulos e provocar um AVC.
4. Trombofilias
São condições genéticas ou adquiridas que aumentam a tendência de formação de coágulos no sangue, podendo comprometer a circulação cerebral.
5. Diabetes e colesterol elevado
Alterações metabólicas podem prejudicar os vasos sanguíneos e aumentar o risco de doenças cardiovasculares, inclusive em adultos jovens.
6. Tabagismo e uso de drogas
O cigarro e substâncias como cocaína podem provocar alterações nos vasos sanguíneos e elevar o risco de eventos vasculares.
7. Enxaqueca com aura e fatores hormonais
Algumas condições podem aumentar o risco, especialmente quando associadas ao tabagismo ou ao uso de determinados contraceptivos hormonais.
A presença desses fatores não significa que uma pessoa necessariamente terá um AVC. O risco depende da combinação de condições individuais, hábitos de vida e histórico de saúde.
Quais são os sintomas de AVC em jovens?
Um dos principais perigos é não reconhecer os sintomas ou acreditar que um derrame cerebral só acontece com idosos. O AVC costuma apresentar sinais repentinos e exige atendimento médico imediato.
Entre os principais sintomas estão:
- Fraqueza ou dormência: perda de força ou sensibilidade em um dos lados do corpo, especialmente no rosto, braço ou perna.
- Boca torta: assimetria facial que aparece de repente, principalmente ao tentar sorrir.
- Dificuldade para falar: fala enrolada, dificuldade para formular frases ou compreender o que outras pessoas dizem.
- Alterações na visão: perda súbita da visão ou visão dupla.
- Tontura e desequilíbrio: dificuldade repentina para caminhar, manter o equilíbrio ou coordenar os movimentos.
- Dor de cabeça intensa: dor muito forte e repentina, especialmente quando acompanhada de outros sintomas neurológicos, pode indicar um AVC hemorrágico.
Os sintomas podem surgir isoladamente ou em conjunto. Mesmo que desapareçam depois de alguns minutos, é fundamental procurar atendimento, pois pode se tratar de um ataque isquêmico transitório, que também exige avaliação médica urgente.
O que fazer diante de uma suspeita de AVC?
O tempo é um dos fatores mais importantes no atendimento. Quanto mais rápido o paciente recebe assistência, maiores podem ser as chances de reduzir os danos cerebrais e as sequelas.
Diante de sinais suspeitos, a orientação é ligar imediatamente para o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU), pelo número 192.
Não espere os sintomas passarem, não ofereça medicamentos por conta própria e informe à equipe médica o horário em que os primeiros sinais apareceram. Essa informação pode influenciar diretamente as decisões sobre o tratamento.
Como prevenir um AVC antes dos 40 anos?
A prevenção do AVC envolve principalmente o controle dos fatores de risco e o acompanhamento regular da saúde. Mesmo pessoas jovens devem ficar atentas à pressão arterial, ao colesterol e à glicemia.
Entre as principais medidas recomendadas estão:
- Medir a pressão arterial regularmente;
- Manter uma alimentação equilibrada;
- Praticar atividades físicas;
- Evitar o cigarro e o consumo de drogas;
- Controlar o colesterol e a diabetes;
- Manter o peso adequado;
- Procurar avaliação médica diante de sintomas neurológicos ou histórico familiar de doenças vasculares precoces.
A morte de Eduardo Sotto Mayor, aos 36 anos, reforça a importância de não associar o AVC exclusivamente ao envelhecimento. O crescimento de 16,9% nas internações de pessoas entre 15 e 49 anos mostra que o problema também exige atenção entre os mais jovens. Reconhecer os fatores de risco e identificar os sintomas rapidamente pode fazer diferença entre a recuperação, sequelas permanentes e consequências mais graves.
Fontes
- Beneficência Portuguesa de São Paulo (BP)
- Hospital do Coração (HCor)
- Ministério da Saúde – Sistema de Informações Hospitalares do SUS (SIH/SUS), por meio do DataSUS.