Quem é Verônica Costa, ex-vereadora presa que recebeu filha vestida de noiva na cadeia

Conhecida pela atuação no funk carioca, ex-parlamentar cumpre pena de 10 anos e oito meses por tortura; filha tentou visitá-la após casamento no Rio
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A ex-vereadora Verônica Costa, conhecida como “Mãe Loira do Funk”, voltou ao noticiário depois que sua filha, Jeniffer Costa, apareceu vestida de noiva na porta de um presídio do Rio de Janeiro. A economista se casou na quinta-feira (29), no Cristo Redentor, e seguiu para a unidade prisional onde a mãe cumpre pena de 10 anos e oito meses por tortura contra o ex-marido.

Jeniffer se casou com o bombeiro Francesco Luna e, após a cerimônia, foi ao Instituto Penal Oscar Stevenson, na Zona Norte da capital fluminense. Ela pretendia encontrar a mãe, mas não conseguiu entrar devido às regras de visitação. A jovem registrou o momento nas redes sociais e manifestou apoio à ex-parlamentar, que está presa desde setembro.

O que aconteceu na casa de Verônica Costa? Acusação e defesa apresentam versões opostas sobre caso de tortura

Quem é Verônica Costa, a Mãe Loira do Funk?

Verônica Costa ganhou notoriedade no cenário musical carioca durante a expansão do funk nos anos 1990. Empresária e apresentadora, ela participou da administração da Furacão 2000, equipe de som e produtora que ajudou a popularizar o gênero no Brasil.

Na época, era casada com Rômulo Costa, fundador da Furacão 2000 e pai de Jeniffer. A parceria profissional e o casamento chegaram ao fim em 2001, em meio a desentendimentos pessoais.

Após a separação, Verônica criou sua própria equipe de som, a Glamurosa, e continuou atuando no mercado musical. A empresária também passou a investir na carreira política, aproveitando a popularidade conquistada entre o público do funk.

Verônica Costa ganhou projeção como a Mãe Loira do Funk, durante sua atuação nos bailes da Furacão 2000.

Carreira política e cinco mandatos no Rio

Verônica Costa iniciou sua trajetória na Câmara Municipal do Rio de Janeiro em 2001, depois de receber mais de 36 mil votos na eleição anterior.

Ao longo da carreira, exerceu cinco mandatos como vereadora e passou por diferentes partidos, entre eles PL, PMDB, DEM e Republicanos.

Entre suas principais bandeiras estavam políticas voltadas à juventude, oportunidades de emprego para pessoas mais velhas e direitos das mulheres.

Uma das iniciativas associadas à atuação parlamentar foi a criação de uma lei municipal voltada à contratação de jovens aprendizes por empresas prestadoras de serviços à prefeitura.

Apesar da projeção política, Verônica não conseguiu se eleger deputada nas tentativas de conquistar uma vaga no Legislativo estadual ou federal.

Verônica Costa durante atividade parlamentar na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, onde exerceu mandatos como vereadora.

Por que Verônica Costa foi presa?

A prisão está relacionada a um episódio ocorrido em fevereiro de 2011, envolvendo Márcio Costa, então marido da empresária e sobrinho de Rômulo Costa.

Segundo a denúncia, Márcio foi mantido amarrado e submetido a agressões durante aproximadamente 20 horas na residência onde vivia com Verônica, em Vargem Grande, na Zona Oeste do Rio.

Ele relatou à polícia que sofreu ameaças, agressões físicas e teve substâncias químicas lançadas sobre o corpo. A investigação apontou a participação de familiares da então vereadora.

A defesa de Verônica apresentou uma versão diferente. Sustentou que Márcio chegou à residência já ferido e alterado, negou a prática de tortura e afirmou que os familiares foram chamados para proteger a empresária de uma situação de violência doméstica.

A Justiça, entretanto, considerou que as provas reunidas no processo sustentavam a acusação.

Em 2019, Verônica recebeu uma condenação de cinco anos e dez meses de prisão. Após recurso do Ministério Público, a Segunda Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio aumentou a pena, em 2023, para dez anos e oito meses, em regime inicialmente fechado.

 

Prisão aconteceu em setembro de 2026

Depois que a condenação se tornou definitiva, a Justiça determinou o cumprimento da pena.

A Polícia Civil tentou localizar Verônica em sua residência na Barra da Tijuca, mas ela não foi encontrada e passou a ser considerada foragida.

A ex-vereadora acabou presa em 24 de setembro, em Petrópolis, na Região Serrana do Rio de Janeiro.

Outros familiares também foram condenados no mesmo processo. Verônica continua contestando a decisão judicial e afirma que não cometeu o crime.

 

Filha foi de noiva até a porta do presídio

O episódio mais recente aconteceu na quinta-feira (29), quando Jeniffer Costa oficializou a união com Francesco Luna em uma cerimônia realizada no Cristo Redentor.

O pai da noiva, Rômulo Costa, participou do casamento e acompanhou a filha até o noivo.

Depois da celebração, Jeniffer seguiu para o presídio onde Verônica está detida. Ainda com o vestido de noiva, ela apareceu ao lado do marido e fez uma manifestação em apoio à mãe.

A entrada não foi autorizada devido aos protocolos da unidade prisional. Nas redes sociais, Jeniffer afirmou compreender as restrições, mas disse que desejava estar perto da mãe naquele momento.

“Não deixaram eu ver minha mãe (super entendo que tem protocolos), mas pelo menos tentei e fiquei perto dela mesmo de longe.”

A filha também publicou uma mensagem sobre a ausência de Verônica no casamento.

“Mãe, você fez tanta falta hoje.”

Jeniffer já havia defendido publicamente a mãe após a prisão, alegando que a ex-vereadora teria sido vítima de violência durante o relacionamento com Márcio Costa.

Essas declarações representam a posição da família e não alteram a condenação definitiva estabelecida pela Justiça.

Jeniffer Costa e Francesco Luna posaram em frente ao presídio após o casamento no Cristo Redentor, em manifestação de apoio a Verônica Costa.

Próximos passos

Verônica Costa permanece cumprindo a pena de dez anos e oito meses de prisão. A defesa continua contestando a condenação, mas eventuais pedidos de revisão dependerão de análise judicial.

Enquanto isso, familiares seguem se manifestando publicamente em apoio à ex-vereadora. A ida de Jeniffer ao presídio no dia do próprio casamento trouxe novamente a trajetória pessoal, artística e política da Mãe Loira do Funk para o centro das atenções.

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