Um medicamento administrado em forma de comprimido, uma vez ao dia, apresentou resultados inéditos no tratamento de um tipo de câncer de pulmão avançado. Após sete anos de acompanhamento, 55% dos pacientes que receberam lorlatinibe permaneceram vivos e sem progressão da doença, segundo dados atualizados de um estudo clínico.
A pesquisa acompanhou 296 pessoas com câncer de pulmão de não pequenas células avançado e que apresentavam uma alteração genética chamada ALK. Os resultados fazem parte do estudo clínico CROWN, de fase 3, e foram publicados em setembro de 2026 na revista científica Annals of Oncology.
O avanço é considerado relevante porque o câncer de pulmão é o tipo de tumor que mais provoca mortes no Brasil, entre homens e mulheres. No entanto, o medicamento não é indicado para todos os pacientes: sua eficácia está relacionada à presença dessa alteração genética, encontrada em aproximadamente 3% a 7% dos casos do tipo mais comum da doença.
Como funciona o medicamento
O lorlatinibe pertence à categoria das chamadas terapias-alvo, desenvolvidas para bloquear mecanismos específicos que estimulam o crescimento das células cancerígenas.
Nos pacientes com alteração no gene ALK, o organismo produz uma proteína que envia sinais contínuos para a multiplicação das células tumorais. O medicamento atua bloqueando essa proteína e interrompendo o estímulo ao crescimento do câncer.
Uma das características do tratamento é a capacidade de atravessar a barreira hematoencefálica, estrutura que protege o cérebro e dificulta a entrada de diversas substâncias. Isso é importante porque o câncer de pulmão pode provocar metástases cerebrais.
O resultado também representa uma evolução em relação a tratamentos anteriores. Segundo especialistas, os medicamentos desenvolvidos em gerações anteriores já haviam ampliado o período de controle da doença, mas os dados atuais mostram um avanço expressivo entre pacientes com a alteração ALK.