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Brasileiro de 22 anos morre em missão na Ucrânia a um mês de voltar para casa

Natural de Tucuruí, no Pará, Hendrick Lima Gonçalves atuava como instrutor de tiro e participava de operações militares; família tenta trazer o corpo ao Brasil.
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O brasileiro Hendrick Lima Gonçalves, de 22 anos, morreu durante uma missão militar na guerra entre Rússia e Ucrânia. Natural de Tucuruí, no sudeste do Pará, o jovem integrava as forças ucranianas desde maio deste ano e tinha planos de retornar ao Brasil no fim de novembro. A família recebeu a notícia da morte no sábado (31) e agora busca informações sobre as circunstâncias do ocorrido e os procedimentos necessários para trazer o corpo de volta ao país.

Hendrick atuava como instrutor de tiro, mas também participava de operações em áreas de combate. Segundo a mãe, Josiane Alves Lima, os familiares mantinham contato frequente com ele, mas estavam sem notícias desde o início da última semana. Em entrevista à Folha de S.Paulo, ela contou que ainda não recebeu explicações detalhadas sobre como o filho morreu.

Brasileiro morre em primeira missão na guerra da Ucrânia e mãe desabafa: “Não tem volta”

Jovem estava na Ucrânia desde maio e planejava voltar ao Brasil

Hendrick viajou para a Ucrânia em maio de 2026, motivado pelo interesse em continuar sua trajetória na área militar. Ele havia servido ao Exército Brasileiro e, posteriormente, decidiu buscar uma oportunidade nas forças ucranianas.

No país europeu, passou a atuar como instrutor de tiro, função que exercia paralelamente à participação em operações militares.

Apesar da distância e das dificuldades impostas pela guerra, o jovem mantinha contato com familiares no Pará e compartilhava informações sobre sua rotina.

A previsão era retornar ao Brasil no fim de novembro, depois de aproximadamente seis meses no exterior.

O plano, entretanto, foi interrompido pela morte durante uma missão cujos detalhes ainda não foram esclarecidos.

Mãe recebeu notícia da morte no sábado

A família foi informada da morte de Hendrick em 31 de outubro, após dias sem conseguir contato com o jovem.

A mãe, Josiane Alves Lima, relatou que recebeu apenas a informação de que o filho havia morrido durante uma operação militar.

“Até agora só sabemos que ele foi morto em uma missão e estamos tentando viabilizar o traslado do corpo para o Brasil.”

O relato mostra que os familiares ainda aguardam informações sobre o local da morte, a operação em que Hendrick estava envolvido e as condições para a retirada do corpo.

Não há confirmação pública sobre a data exata do falecimento nem sobre o tipo de ataque ou confronto que teria provocado a morte.

A ausência de detalhes também dificulta a definição dos próximos procedimentos para o traslado.

Hendrick já havia servido ao Exército Brasileiro

Antes de viajar para a Ucrânia, Hendrick integrou o Exército Brasileiro em Tucuruí, onde serviu no 23º Esquadrão de Cavalaria de Selva.

Segundo relatos da família, ele tinha interesse em seguir carreira militar e desejava voltar a atuar na área.

Depois de deixar o serviço militar, passou por outras atividades profissionais. Antes de embarcar para a Europa, trabalhava no Rio Grande do Sul.

Hendrick pediu demissão e retornou ao Pará para organizar sua documentação e preparar a viagem.

A decisão de participar do conflito foi mantida em segredo até o momento do embarque.

De acordo com a mãe, o jovem telefonou para informar que estava deixando o Brasil e que seguiria para a Ucrânia.

Josiane afirmou que a escolha não foi motivada principalmente por dinheiro, mas pelo interesse do filho na atividade militar.

A família não informou detalhes sobre o contrato firmado com as forças ucranianas nem sobre as condições de recrutamento.

Família tenta realizar traslado do corpo

Além de buscar esclarecimentos sobre a morte, os familiares enfrentam as dificuldades para trazer o corpo de Hendrick ao Brasil.

O processo pode envolver identificação, emissão de documentos pelas autoridades locais, autorização para transporte internacional e cumprimento de exigências sanitárias e consulares.

Em regiões afetadas por combates, a retirada de corpos também depende das condições de segurança e do acesso às áreas onde ocorreram as operações.

O Ministério das Relações Exteriores informou que a Embaixada do Brasil em Kiev está disponível para prestar assistência consular aos familiares, caso seja solicitada.

A atuação da representação diplomática pode incluir orientações sobre documentos, contato com autoridades locais e esclarecimentos sobre procedimentos consulares.

O Itamaraty, entretanto, não confirmou uma data para o traslado nem informou se todos os procedimentos já foram iniciados.

Itamaraty registra mortes e desaparecimentos de brasileiros no conflito

O caso de Hendrick se soma aos registros de brasileiros que decidiram participar da guerra iniciada com a invasão russa em larga escala da Ucrânia, em fevereiro de 2022.

Segundo levantamento do Ministério das Relações Exteriores informado à Folha de S.Paulo, 35 brasileiros morreram e outros 117 estavam desaparecidos no conflito.

Entre os mortos, 33 integravam as forças ucranianas e dois combatiam pelo lado russo.

Dos desaparecidos, 107 estavam vinculados às forças da Ucrânia e dez às da Rússia.

Os números correspondem aos dados oficiais informados à reportagem e podem sofrer alterações conforme novas notificações, identificações e atualizações das autoridades envolvidas.

É importante destacar que desaparecimento em combate não significa, necessariamente, morte confirmada. Em algumas situações, militares podem permanecer sem contato por longos períodos devido às condições do conflito.

O governo brasileiro também não dispõe de um levantamento completo sobre todos os cidadãos que viajaram para participar diretamente das operações militares.

Governo brasileiro alerta para riscos de alistamento no exterior

Desde 2025, o Ministério das Relações Exteriores mantém alertas sobre os riscos enfrentados por brasileiros que viajam para áreas de combate.

A orientação foi reforçada em setembro de 2026, com recomendação para que cidadãos brasileiros recusem ofertas de trabalho ou participação em exércitos estrangeiros.

O governo alerta que essas propostas podem envolver condições diferentes das inicialmente apresentadas e que contratos militares podem limitar a possibilidade de deixar as forças armadas de outro país.

Também existem dificuldades para prestar assistência consular em regiões de conflito, especialmente quando há restrições de deslocamento ou riscos à segurança dos funcionários diplomáticos.

A recomendação é que brasileiros evitem viajar para zonas de combate e não aceitem propostas de recrutamento militar sem compreender os riscos envolvidos.

Outros brasileiros morreram durante missões na Ucrânia

A morte de Hendrick ocorre pouco mais de um mês depois de outro caso envolvendo um brasileiro que havia viajado para lutar pela Ucrânia.

Em setembro, o NC News noticiou a morte de Paulo Ricardo Dutra, de 24 anos, natural de Camboriú, em Santa Catarina.

Segundo informações repassadas à família, Paulo morreu durante sua primeira missão em uma região de combate, após supostamente pisar em uma mina terrestre.

A mãe do jovem, Eunice do Amaral Santos, contou que não concordava com a decisão do filho de participar da guerra.

“Eu não aceitava esse sonho dele, dizia que era um tiro no pé. Mas agora não tem volta.”

Assim como ocorre com a família de Hendrick, os parentes de Paulo enfrentaram dificuldades para obter informações sobre a morte e organizar o retorno do corpo ao Brasil.

Os dois casos ocorreram em circunstâncias distintas, mas mostram os riscos enfrentados por estrangeiros que participam diretamente do conflito.

Próximos passos

A família de Hendrick aguarda informações das autoridades responsáveis sobre as circunstâncias da morte e a possibilidade de realizar o traslado do corpo para Tucuruí.

A Embaixada do Brasil em Kiev permanece disponível para prestar assistência consular dentro das atribuições do Ministério das Relações Exteriores.

Ainda não há confirmação sobre quando o corpo poderá retornar ao Brasil ou sobre a realização do velório e sepultamento.

Enquanto isso, os familiares buscam esclarecimentos sobre a última missão do jovem, que pretendia voltar para casa ainda neste mês de novembro.

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