Doncic assinou uma das atuações mais impressionantes da carreira na vitória do Los Angeles Lakers por 131 a 125 sobre o Toronto Raptors, em Los Angeles, e deixou a quadra com uma marca estatística inédita na história da NBA: 45 pontos, 15 rebotes, 5 assistências, 5 cestas de três pontos e 5 roubos de bola. A noite histórica, porém, veio acompanhada de susto no fim, após o time desperdiçar boa parte de uma vantagem de 26 pontos.
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Atuação histórica e novo dono do time
Já consolidado como novo rosto da franquia após a saída de LeBron James, Doncic controlou a partida desde o início. Foram 16 pontos só no primeiro quarto, com quatro bolas de três, e o Lakers abriu 36 a 23. No intervalo, o esloveno já somava 24 pontos e oito rebotes, conduzindo o placar a 66 a 54.
No terceiro período, o domínio aumentou. O Lakers marcou 38 pontos no quarto, chegou a 102 a 76 a pouco mais de um minuto do fim e abriu 26 de frente. Doncic passou dos 37 pontos antes mesmo do último quarto, emplacando o quarto jogo consecutivo com pelo menos 40 pontos e liderando a corrida de cestinha da liga neste começo de temporada. O duelo contra o Raptors marcou ainda a 74ª partida da carreira do astro com 40 pontos ou mais.
Ao fim, a linha estatística impressiona: 45 pontos, 15 rebotes, 5 assistências, 5 bolas de três e 5 roubos de bola, combinação nunca antes registrada na liga. O pacote reforça o papel de Doncic como peça central de um Lakers que tenta se reinventar e voltar ao topo no Oeste.
Defesa em alta e autocrítica
Além do brilho ofensivo, Doncic voltou a chamar atenção pelo empenho defensivo, especialmente nas linhas de passe, o que ajudou a explicar os cinco roubos de bola. Depois do jogo, ele destacou a própria evolução atrás.
“Obviamente, não sou o melhor defensor da NBA, mas acho que dei um grande passo à frente este ano. É claro que as pessoas vão dizer o que quiserem sobre mim… mas eu sei, e meu time sabe, que estou melhor este ano”, afirmou o astro do Lakers.
O discurso combina com a leitura interna de que o time depende muito do talento individual de Doncic, mas precisa que o líder também puxe o nível defensivo para que a equipe se mantenha entre as primeiras da Conferência Oeste.
Como o Lakers quase complicou um jogo ganho
Se o ataque funcionou quase a noite inteira — com 53,8% de aproveitamento nos arremessos de quadra e 48,6% nas bolas de três —, a administração da vantagem voltou a ser problema. O Lakers, que vinha de derrota para o Golden State após abrir 25 pontos, repetiu o roteiro de relaxar com o placar folgado.
No último quarto, o Raptors venceu por 43 a 27 e reduziu a diferença para menos de dez pontos. Quando parecia que a situação estava controlada, com nova sequência de pontos de Doncic e Austin Reaves recolocando a vantagem em 16 no minuto final, os reservas em quadra não conseguiram segurar a pressão.
Em 40 segundos, o banco do time canadense fez 11 pontos, cortou o placar para 125 a 120 e forçou o técnico do Lakers a devolver Doncic, Reaves e Walker Kessler à quadra nas posses decisivas. Só então a vitória foi assegurada em 131 a 125. O alerta fica para o fechamento de jogos: foram 22 desperdícios de bola do Lakers, contra 15 do Raptors.
A força do garrafão e o papel de Kessler
Enquanto o duelo esteve realmente em aberto, o Lakers dominou o garrafão. Walker Kessler foi o segundo destaque da equipe, com 16 pontos e 15 rebotes em 31 minutos, sem errar nenhum arremesso de quadra. A equipe ainda somou sete tocos contra apenas um do Raptors, evidenciando a proteção de aro.
Austin Reaves contribuiu com 19 pontos, ainda que com aproveitamento irregular, e Collin Sexton saiu do banco para 14 pontos em 19 minutos, mantendo o ritmo da segunda unidade. Mesmo com a vantagem construída em boa parte graças ao alto aproveitamento ofensivo, a quantidade de erros e a queda de intensidade no fim mantiveram o adversário vivo até o último minuto.
Raptors reage sem Kawhi, mas para em Doncic
Do outro lado, o Raptors entrou em quadra mais uma vez sem Kawhi Leonard, desfalque pelo quarto jogo seguido por lesão no joelho, e sentiu falta do seu principal nome nos dois lados da quadra. Ainda assim, a equipe mostrou capacidade de reação, principalmente no último quarto.
Scottie Barnes assumiu a liderança ofensiva e terminou com 29 pontos. RJ Barrett foi outro destaque, com 22 pontos e 10 rebotes, ajudando a comandar a parcial de 43 a 27 no período final. O time canadense circulou mais a bola, terminou com 35 assistências contra 26 do Lakers e pegou 47 rebotes, dois a mais que os donos da casa.
A reação, porém, esbarrou no limite do elenco sem Kawhi e na dificuldade de conter Doncic nas posses finais, quando o astro voltou à quadra para matar o jogo. A derrota em Los Angeles abre uma sequência de quatro partidas fora de casa com mais um revés, a terceira em quatro jogos.
Estreia discreta de Cameron Carr e olho no futuro
A partida também marcou a estreia de Cameron Carr na NBA. Escolha de primeira rodada do Lakers no último draft, o novato vinha de lesão no músculo oblíquo e havia perdido os seis primeiros jogos da temporada. Ele entrou justamente no momento em que o time tentou poupar os titulares e ainda busca ritmo e confiança para ganhar mais espaço na rotação.
A presença de Carr em quadra, ainda que discreta, sinaliza o movimento de renovação do elenco em torno de Doncic. A comissão técnica vê no jovem uma peça para o médio prazo, mas as falhas coletivas do último quarto deixam claro que o time ainda precisa encontrar equilíbrio entre desenvolvimento dos novatos e segurança para fechar partidas.
Impacto na temporada e próximos desafios
Com o resultado, o Lakers chega a 5 vitórias e 2 derrotas e ocupa a quarta posição na Conferência Oeste. A sequência de atuações históricas de Doncic aumenta a confiança do elenco e da comissão técnica na capacidade do astro de carregar o time em noites complicadas, mas também expõe a dependência do esloveno para que o plano de jogo funcione.
O calendário aperta imediatamente: o time volta à quadra já na madrugada desta segunda para encarar o Miami Heat, novamente em casa, em uma sequência de dois jogos em noites consecutivas. Depois de precisar dos titulares até o fim contra o Raptors, a questão física e a rotação do banco ganham peso extra.
No vestiário, a avaliação é de que o Lakers mostra evolução ofensiva e defensiva — em especial com o salto de intensidade de Doncic atrás —, mas ainda carrega uma vulnerabilidade clara no fechamento dos jogos, ponto que rivais atentos devem explorar. Ajustes táticos, foco em diminuir os erros de passe e maior controle emocional nos minutos finais estão na pauta imediata.
Para o Raptors, a prioridade é monitorar a recuperação de Kawhi Leonard e encontrar maneiras de competir enquanto o astro não volta. A boa reação no último período indica margem de crescimento, mas o time ainda precisa provar que consegue transformar esforço em vitórias sem seu principal jogador.