O senador Eduardo Gomes (PL-TO) negocia deixar o Partido Liberal para se filiar ao PSD, comandado por Gilberto Kassab, em um movimento que reforça o poder do Centrão no Congresso e já acirra o desgaste do parlamentar com a base bolsonarista que ajudou a elegê-lo.
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Claudio Dantas vê ‘traição’ e cobra perda de mandato
A articulação foi revelada nesta segunda-feira (2) pelo apresentador Claudio Dantas, durante o programa Alive, no YouTube. Ele afirmou que a mudança de sigla já está em curso. “Eduardo Gomes, do PL, já está negociando a sua saída para o PSD do Kassab”, declarou.
Dantas classificou a possível troca partidária como uma traição aos eleitores de direita, especialmente da base ligada ao bolsonarismo. “O sujeito é eleito com voto da direita e, na primeira oportunidade, troca o partido, vai para os braços do Centrão”, criticou.
Para o apresentador, parlamentares que mudam de legenda após eleitos deveriam perder o mandato, em nome da fidelidade partidária. “Esses caras tinham que perder o mandato, eu acho. O sujeito que faz isso tinha que perder o mandato”, disse.
Estratégia do PSD e reconfiguração no Congresso
Segundo Dantas, a negociação de Gomes faz parte de uma estratégia de Kassab para ampliar o peso do PSD nas disputas pelo comando do Congresso Nacional. A sigla atua hoje como um dos principais polos do Centrão e tenta atrair quadros com experiência em articulação política para aumentar sua influência sobre a pauta legislativa.
Se a migração se confirmar, o PSD ganha um senador com trânsito entre diversas correntes do Parlamento, enquanto o PL, principal abrigo da direita bolsonarista, tende a perder espaço nas negociações internas. A movimentação pode afetar o equilíbrio de forças em futuras eleições para as mesas diretoras da Câmara e do Senado.
Críticas à ambiguidade de PSD e Republicanos
No programa, Dantas também atacou o comportamento de partidos que mantêm cargos no governo Lula e, ao mesmo tempo, se apresentam como oposição no Congresso. Ele citou nominalmente o PSD, de Kassab, e o Republicanos, presidido por Marcos Pereira, como exemplos dessa ambiguidade.
“Ninguém me convence que um partido possa estar ao mesmo tempo no governo e na oposição. Simples assim, não dá”, afirmou o apresentador, ao defender maior coerência entre o discurso público das legendas e a ocupação de espaços no Executivo.
Entenda o contexto
A possível saída de Eduardo Gomes do PL acontece em meio a uma nova rodada de rearranjos partidários em Brasília, com legendas do Centrão tentando se fortalecer para influenciar as decisões do Congresso e a relação com o Planalto. Nesse cenário, cada cadeira no Senado ganha peso extra nas negociações.
Gomes foi eleito com apoio expressivo de setores da direita e associado à base bolsonarista. A mudança para o PSD, caso se concretize, tende a ser explorada por adversários como sinal de distanciamento desse eleitorado e pode obrigar o senador a explicar publicamente suas razões para a troca.
A revelação também reacende o debate sobre fidelidade partidária e representatividade: enquanto críticos defendem que o mandato pertence ao partido e ao projeto apresentado na eleição, parlamentares que mudam de sigla costumam alegar necessidade de maior espaço político e alinhamento programático. Uma eventual confirmação da filiação de Eduardo Gomes ao PSD deve ampliar a pressão por regras mais rígidas sobre troca de partido durante o exercício do mandato.