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Pecuarista suspeito de matar jovem de 24 anos em SP segue foragido; entenda o caso

Priscila Lacerda Custódio foi baleada ao devolver caminhonete em Rifaina; investigado já havia sido condenado por violência contra ex-companheira.
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A Polícia Civil de São Paulo investiga como feminicídio a morte da empresária Priscila Lacerda Custódio, de 24 anos, baleada na terça-feira (27), em Rifaina, no interior paulista. O principal suspeito é o pecuarista João Roberto Bolelli, de 62 anos, com quem a jovem mantinha um relacionamento casual. Ele teve a prisão preventiva decretada pela Justiça na quarta-feira (28) e continuava foragido até a última atualização divulgada nesta segunda-feira (2).

Priscila morava em Perdizes, no Alto Paranaíba, em Minas Gerais, e percorreu aproximadamente 100 quilômetros até Rifaina para devolver uma caminhonete pertencente ao pecuarista. Ela estava acompanhada do irmão e de uma amiga porque, segundo testemunhas, havia recebido ameaças e temia encontrar o homem sozinha. Durante uma discussão na entrada de uma propriedade rural, às margens da Rodovia Cândido Portinari (SP-334), a jovem foi baleada. Ela chegou a ser socorrida, mas morreu após ser levada a uma unidade de saúde.

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O que aconteceu com Priscila Lacerda Custódio?

O crime aconteceu na noite de 27 de outubro, na altura do quilômetro 463 da Rodovia Cândido Portinari, em Rifaina, município da região de Franca.

Segundo os depoimentos prestados à polícia, Priscila havia decidido encerrar o envolvimento com João Roberto Bolelli e foi até a propriedade rural para devolver uma caminhonete que estava em sua posse.

O irmão da vítima, Geovane Santana, dirigiu o veículo durante a viagem. Uma amiga, Pollyanna Botelho, acompanhou os dois em outro carro para garantir o retorno a Minas Gerais.

Ao chegarem ao local combinado, encontraram o pecuarista, que estava acompanhado de outras pessoas.

Durante a conversa, houve um desentendimento envolvendo a devolução de aparelhos celulares. Segundo testemunhas, Bolelli exigiu que Priscila entregasse um telefone que havia recebido dele.

A jovem teria condicionado a devolução à entrega de seu próprio aparelho, mas o suspeito não aceitou.

Ainda conforme os relatos apresentados à Polícia Civil, o pecuarista sacou uma arma e disparou contra Priscila.

Depois do tiro, ele também teria apontado o revólver para o irmão da vítima antes de fugir utilizando a caminhonete que havia sido devolvida.

Priscila foi socorrida, mas não resistiu aos ferimentos.

Quem era Priscila Lacerda Custódio?

Priscila tinha 24 anos e era natural de Perdizes, em Minas Gerais, onde morava e trabalhava como empresária na área de marketing digital.

Segundo familiares, ela começou a trabalhar aos 16 anos, inicialmente como bartender, e posteriormente abriu o próprio negócio.

A jovem também atuava na cobertura de eventos e estudava marketing digital e fotografia.

O irmão, Geovane Santana, contou que Priscila era independente financeiramente e ajudava no sustento da família.

Ela namorava Samuel Ramos, de 26 anos, desde junho. Os dois estavam morando juntos havia aproximadamente um mês e planejavam comprar uma casa em Uberlândia, no Triângulo Mineiro.

Familiares e amigos afirmam que Priscila tinha planos profissionais e pessoais para os próximos meses.

O corpo da jovem foi sepultado na quarta-feira (28), em Perdizes.

Qual era a relação entre a vítima e o suspeito?

Segundo os depoimentos apresentados à polícia, Priscila e João Roberto Bolelli mantinham um relacionamento casual desde julho.

Familiares e amigos relatam que a jovem havia tentado encerrar o envolvimento, mas o pecuarista não aceitava o afastamento.

O atual namorado da vítima, Samuel Ramos, afirmou que o suspeito fazia ameaças e teria contratado um detetive particular para acompanhar os deslocamentos de Priscila.

Uma amiga também relatou que o pecuarista demonstrava comportamento controlador e pressionava a jovem para continuar mantendo contato.

Segundo o depoimento, Priscila havia sofrido agressões físicas quatro dias antes do assassinato, na sexta-feira (23), e apresentava marcas pelo corpo.

A testemunha afirmou ainda que Bolelli teria ameaçado atirar na cabeça da empresária caso ela não retornasse a Rifaina.

Esses relatos fazem parte das investigações e serão analisados em conjunto com os demais elementos reunidos pela Polícia Civil.

Quem é João Roberto Bolelli?

João Roberto Bolelli tem 62 anos e atua como pecuarista na região de Rifaina, no interior de São Paulo.

Ele possui atividades ligadas à criação de gado e já teve destaque no setor leiteiro por ser proprietário de uma vaca da raça holandesa que alcançou uma produção próxima de 150 litros de leite em um único dia, em 2023.

Além das atividades rurais, Bolelli está envolvido em uma disputa judicial por uma herança familiar que se estende há aproximadamente 15 anos.

Segundo apuração da EPTV, o processo envolve uma propriedade em Rifaina, onde ocorreu o encontro que terminou com a morte de Priscila.

A existência dessa disputa patrimonial não representa, por si só, uma ligação com a motivação investigada para o feminicídio.

Suspeito já havia sido condenado por violência doméstica

O histórico judicial de João Roberto Bolelli inclui condenações anteriores relacionadas à violência contra mulheres.

Em junho de 2018, ele foi preso preventivamente após descumprir uma medida protetiva concedida a uma ex-companheira.

O pecuarista permaneceu detido por seis dias e foi liberado mediante pagamento de fiança.

Em dezembro de 2021, a Justiça de Franca o condenou a três meses e 15 dias de detenção, em regime aberto, pelo descumprimento da medida protetiva.

A decisão foi confirmada pelo Tribunal de Justiça de São Paulo em 2022.

Bolelli também possui condenação anterior pela contravenção penal de vias de fato, relacionada a agressões ocorridas em 2017.

Esses antecedentes foram considerados pela Justiça ao analisar o pedido de prisão preventiva apresentado depois da morte de Priscila.

Por que a Justiça decretou a prisão preventiva?

A prisão preventiva de João Roberto Bolelli foi decretada na quarta-feira (28), pela Justiça de Pedregulho, após solicitação da Polícia Civil.

Na decisão, o juiz Luiz Gustavo Giuntini de Rezende considerou o histórico de violência atribuído ao investigado e a necessidade de preservar o andamento das investigações.

O magistrado também levou em conta a fuga do suspeito depois do crime e o risco de interferência na produção de provas e nos depoimentos das testemunhas.

A prisão preventiva é uma medida cautelar e não representa condenação pelo assassinato.

O pecuarista passou a ser procurado pelas autoridades, mas não havia sido localizado até a atualização divulgada nesta segunda-feira (2).

A defesa de Bolelli informou ao g1 que estava analisando o caso e que ainda não havia conseguido contato com o investigado.

O que a polícia investiga?

O inquérito é conduzido pela Polícia Civil sob responsabilidade do delegado Fábio Branquinho.

A investigação considera a hipótese de feminicídio, crime caracterizado pelo assassinato de uma mulher por razões relacionadas à sua condição feminina, incluindo situações de violência doméstica e familiar.

Segundo os elementos reunidos até agora, a motivação estaria relacionada ao ciúme e ao inconformismo do suspeito com o fim do relacionamento.

Os investigadores já ouviram testemunhas que presenciaram o crime e realizaram perícia no local.

O celular de Priscila foi apreendido e será submetido à análise, com o objetivo de identificar possíveis mensagens, ameaças e outras informações relevantes.

A polícia também busca esclarecer a participação das pessoas que acompanhavam o pecuarista no momento do encontro.

Até o momento, não há confirmação de envolvimento dessas pessoas no disparo.

Como denunciar violência contra a mulher?

Mulheres que enfrentam ameaças, agressões ou outras situações de violência podem procurar atendimento especializado e registrar ocorrência policial.

A Central de Atendimento à Mulher, pelo telefone 180, funciona gratuitamente, 24 horas por dia, e oferece orientações sobre direitos e serviços disponíveis.

Em situações de perigo imediato, a Polícia Militar pode ser acionada pelo número 190.

A Lei Maria da Penha também prevê medidas protetivas de urgência, que podem incluir a proibição de aproximação e contato do agressor com a vítima.

O atendimento pode ser solicitado em delegacias, unidades especializadas e órgãos da rede de proteção.

Próximos passos

A Polícia Civil continua as diligências para localizar João Roberto Bolelli e cumprir o mandado de prisão preventiva expedido pela Justiça.

Os investigadores também deverão analisar os resultados da perícia e os dados extraídos do celular de Priscila para esclarecer a dinâmica do crime e reunir os elementos necessários à conclusão do inquérito.

Até a última atualização desta segunda-feira (2), o pecuarista permanecia foragido.

A responsabilização criminal pelo assassinato dependerá do andamento da investigação, da análise do Ministério Público e das decisões judiciais posteriores.

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