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Fachin arquiva 8 investigações e abre caminho para encerrar inquérito das fake news

Presidente do STF determina arquivamentos em apuração conduzida por Alexandre de Moraes durante mais de sete anos; decisões envolvem Eduardo Bolsonaro, Silas Malafaia e outros investigados.
Redação NC News
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O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, determinou o arquivamento de oito investigações relacionadas ao inquérito das fake news, aberto em 2019 e conduzido por Alexandre de Moraes durante mais de sete anos. As decisões, divulgadas no fim de outubro, representam um avanço no processo de encerramento da investigação, mas não significam que o inquérito principal tenha sido concluído.

Entre os beneficiados pelas decisões estão o pastor Silas Malafaia, o ex-ministro Gilson Machado, o presidente do PCO, Rui Costa Pimenta, e o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro. O jornalista Guilherme Fiuza também teve procedimentos encerrados. Os fundamentos variam entre falta de provas, prescrição de crimes e conclusão da finalidade investigativa de determinados processos.

Fachin assumiu a condução do inquérito em setembro de 2026, após a investigação deixar a responsabilidade de Moraes. A mudança aconteceu em meio a divergências internas no Supremo e a questionamentos sobre a duração e a abrangência das apurações. Agora, o presidente da Corte deverá avaliar os procedimentos que permanecem pendentes antes de decidir sobre o encerramento definitivo do caso.

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Quem teve investigações arquivadas por Fachin?

As decisões foram anunciadas pelo STF em duas etapas, nos dias 27 e 29 de outubro, e envolveram procedimentos distintos relacionados ao Inquérito 4.781.

No caso do pastor Silas Malafaia, Fachin acolheu um pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR) para encerrar uma investigação sobre suposta coação no curso do processo. Segundo o Ministério Público, os elementos reunidos não foram suficientes para comprovar a participação do pastor nos fatos investigados.

Com o arquivamento, foram revogadas medidas cautelares anteriormente impostas a Malafaia, além de determinada a restituição de eventuais bens apreendidos.

O jornalista Guilherme Fiuza teve reconhecida a extinção da punibilidade em relação ao crime de incitação ao crime, devido à prescrição. Fachin também arquivou uma investigação sobre suposta tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, após a PGR apontar ausência de elementos mínimos para sustentar uma acusação.

Em relação a Eduardo Bolsonaro, o ministro determinou o encerramento do Inquérito 4.995 porque a investigação já havia cumprido sua finalidade. Segundo o STF, os fatos deram origem a uma ação penal na qual houve condenação definitiva do ex-deputado.

Nesse caso, o arquivamento do procedimento investigativo não significa absolvição nem anulação da condenação. A decisão apenas reconhece que a investigação não precisava continuar depois de cumprida sua finalidade.

Outros cinco procedimentos também foram encerrados

Em 29 de outubro, o STF anunciou o arquivamento de mais cinco investigações ligadas ao inquérito das fake news.

Uma delas envolvia Rui Costa Pimenta, presidente do Partido da Causa Operária. O procedimento investigava publicações feitas nas redes sociais da legenda em junho de 2022. Fachin reconheceu a prescrição do crime de incitação ao crime, encerrando a possibilidade de punição pelos fatos analisados naquele processo.

Outra apuração envolvia o ex-ministro Gilson Machado, investigado por suspeita de tentar obter um passaporte português para o tenente-coronel Mauro Cid. A PGR concluiu que não havia elementos mínimos de autoria e materialidade que justificassem a continuidade do procedimento.

Também foram encerradas investigações relacionadas ao deputado estadual catarinense Alex Brasil e a Flávia Cordeiro Magalhães, brasileira residente nos Estados Unidos.

No caso de Flávia, o Ministério Público apontou fragilidade das provas e ausência de elementos que demonstrassem ligação com organizações responsáveis pelo financiamento de desinformação. A decisão também revogou sua prisão preventiva e restrições migratórias.

O quinto arquivamento envolveu publicações feitas em um grupo do Telegram. A investigação apurava mensagens com apologia a crimes de racismo contra judeus e ameaças contra ministros do STF.

Segundo a Corte, as diligências não conseguiram identificar os responsáveis pelas publicações, o que inviabilizou o prosseguimento da apuração com os elementos disponíveis.

Em parte desses procedimentos, Fachin ressalvou a possibilidade de reabertura caso surjam novas provas, conforme previsto na legislação processual penal.

Inquérito das fake news foi aberto em 2019

O Inquérito 4.781 foi instaurado em março de 2019 por determinação do então presidente do STF, Dias Toffoli.

Inicialmente, o objetivo era investigar ameaças, ataques virtuais e a disseminação de informações falsas contra ministros da Corte e seus familiares.

Alexandre de Moraes foi designado relator e permaneceu responsável pela investigação por mais de sete anos.

Durante esse período, o procedimento passou a abranger diferentes casos e investigados, incluindo políticos, empresários, comunicadores e integrantes da família Bolsonaro.

A expansão das apurações provocou debates jurídicos e políticos sobre os limites da atuação investigativa do Supremo.

Defensores do inquérito argumentam que o procedimento foi necessário para proteger as instituições democráticas e enfrentar ameaças contra integrantes do Judiciário.

Críticos questionam a duração prolongada, o sigilo de parte das investigações e a concentração de atribuições investigativas no próprio tribunal.

Em 2020, o plenário do STF reconheceu a constitucionalidade do inquérito, estabelecendo parâmetros para sua condução.

Fachin assumiu investigação após mais de sete anos com Moraes

A mudança de relatoria ocorreu em setembro de 2026, quando Fachin passou a conduzir o inquérito e procedimentos relacionados, anteriormente sob responsabilidade de Alexandre de Moraes.

A transferência aconteceu durante um período de divergências entre integrantes da Corte, especialmente envolvendo Moraes e André Mendonça.

Ao assumir a condução do caso, Fachin destacou a necessidade de garantir segurança jurídica e dar encaminhamento adequado aos procedimentos ainda pendentes.

Inicialmente, o ministro manteve medidas cautelares determinadas anteriormente e rejeitou pedidos de investigados para encerrar determinadas apurações.

No entanto, em outubro, passou a sinalizar que o inquérito principal poderia ser definitivamente arquivado depois da análise dos procedimentos vinculados.

Em manifestação divulgada em 9 de outubro, o presidente do STF informou que ainda havia 104 procedimentos relacionados à investigação que precisavam ser examinados.

Esse conjunto inclui petições, apurações preliminares e documentos encaminhados à Polícia Federal e à Procuradoria-Geral da República.

O levantamento de 104 procedimentos corresponde à situação informada naquela data e não representa necessariamente o número atualizado de casos pendentes após os arquivamentos posteriores.

Especialistas criticam duração prolongada da investigação

A possibilidade de encerramento do inquérito é acompanhada por especialistas em direito constitucional e criminal.

O professor da Universidade de São Paulo (USP) Rubens Beçak avalia que a investigação ultrapassou os limites de tempo considerados adequados e que o Supremo precisa dar uma solução jurídica aos procedimentos ainda existentes.

Para ele, a duração indeterminada de uma apuração pode comprometer garantias individuais e gerar questionamentos sobre o papel institucional do tribunal.

O advogado criminalista Anderson Almeida também considera necessário estabelecer uma perspectiva concreta de conclusão para os casos.

Os especialistas ressaltam que o encerramento de uma investigação deve considerar as provas disponíveis e a existência de fundamentos legais para eventual responsabilização criminal.

Na prática, isso significa que procedimentos sem elementos suficientes podem ser arquivados, enquanto casos com provas e fundamentos jurídicos poderão seguir os caminhos previstos na legislação.

O arquivamento também não impede, em todas as situações, que investigações sejam retomadas caso apareçam novas provas relevantes.

Próximos passos

Fachin deverá continuar examinando os procedimentos pendentes e as manifestações da Procuradoria-Geral da República antes de decidir sobre o encerramento definitivo do inquérito das fake news.

Alguns casos poderão ser arquivados, enquanto outros poderão exigir novas providências ou encaminhamento aos órgãos competentes.

O presidente do Supremo ainda não anunciou uma data para a conclusão integral da investigação.

Com os oito arquivamentos já determinados, o tribunal avança na análise de um dos inquéritos mais controversos de sua história recente.

O encerramento definitivo, entretanto, dependerá de uma decisão formal após a conclusão das etapas ainda necessárias. Até lá, o Inquérito 4.781 permanece em andamento.

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