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Preso por suspeita de ligação com o PCC, vereador do PT pede licença da Câmara de SP

Senival Moura solicitou afastamento de 31 dias para tratar de assuntos particulares; parlamentar é investigado por suposta lavagem de dinheiro envolvendo empresa de ônibus da capital paulista.
Redação NC News
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O vereador Senival Moura, eleito pelo PT em São Paulo, pediu licença de 31 dias da Câmara Municipal enquanto permanece preso preventivamente por suspeita de envolvimento em um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC). O pedido foi apresentado para tratar de assuntos particulares e comunicado oficialmente durante a sessão desta terça-feira (3).

O afastamento tem efeito retroativo a 29 de outubro, um dia depois de o parlamentar ter sido preso novamente durante a Operação Última Parada. Com a licença, o advogado Manoel Del Rio, primeiro suplente da federação formada por PT, PCdoB e PV, poderá assumir temporariamente uma cadeira no Legislativo paulistano.

Senival, que está no sexto mandato como vereador, é investigado por supostamente exercer influência sobre a administração financeira da Transunião, empresa responsável por linhas de ônibus na capital. Segundo o Ministério Público de São Paulo (MPSP), a companhia teria sido utilizada para movimentar e ocultar recursos ligados ao PCC. A defesa nega as acusações e contesta a prisão.

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O pedido de licença abre espaço para a entrada do advogado Manoel Del Rio, primeiro suplente da federação partidária formada por PT, PCdoB e PV.

Del Rio já exerceu mandato temporário na Câmara Municipal em 2018 e voltou a ocupar uma cadeira entre 2023 e 2024, também na condição de suplente.

A movimentação antecipa uma mudança que já estava prevista para fevereiro de 2027, quando Luna Zarattini deverá assumir uma vaga na Câmara dos Deputados, em Brasília.

Com a transferência de Luna para o Congresso Nacional, uma cadeira será aberta no Legislativo municipal. Caso Manoel Del Rio permaneça na Câmara até lá, a expectativa é que o professor Claudio Fonseca, do PCdoB, próximo suplente da federação, também passe a exercer o mandato.

A licença de Senival é temporária e não representa perda automática de mandato. Sua situação política dependerá dos desdobramentos judiciais e das regras aplicáveis ao exercício do cargo.

Vereador foi preso duas vezes em quatro meses

Senival Moura foi preso pela primeira vez em 25 de junho de 2026, durante uma operação conjunta do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), da Polícia Civil, e do Ministério Público de São Paulo.

Na ocasião, as autoridades investigavam um suposto esquema de lavagem de dinheiro por meio da Transunião, empresa que atua no transporte público municipal.

Após permanecer cerca de 40 dias detido, o parlamentar conseguiu deixar a prisão em 5 de agosto, por determinação do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP).

A decisão considerou irregular a manutenção da prisão temporária além do prazo legal. A soltura não significou absolvição nem encerramento das investigações.

Com o avanço do caso, a Polícia Civil e o Ministério Público apresentaram novos elementos à Justiça e solicitaram a prisão preventiva de sete investigados.

Em 28 de outubro, Senival voltou a ser preso. A ordem judicial foi expedida pela 1ª Vara Estadual de Organizações Criminosas e Lavagem de Bens, Direitos e Valores.

A prisão preventiva é uma medida cautelar e não equivale a uma condenação criminal.

Investigação aponta vereador como suposto dono oculto de empresa

De acordo com os investigadores, Senival Moura teria exercido um papel central nas decisões financeiras da Transunião, apesar de não ocupar formalmente um cargo de direção na companhia.

A suspeita é de que o vereador atuasse como um dos responsáveis pela administração de recursos e pelo controle de operações empresariais relacionadas ao transporte coletivo.

Relatórios produzidos pelo Deic apontaram a existência de uma estrutura paralela de comando, que teria permitido a movimentação de dinheiro de origem criminosa por meio de atividades empresariais aparentemente regulares.

Os investigadores também identificaram movimentações financeiras envolvendo pessoas próximas ao parlamentar e suspeitas de utilização de terceiros para ocultar a titularidade de bens.

Durante a operação realizada em junho, a Justiça determinou medidas de bloqueio e sequestro patrimonial que alcançaram aproximadamente R$ 194 milhões em contas vinculadas aos investigados.

As determinações também atingiram 117 veículos, 21 imóveis e três embarcações.

Segundo a acusação, parte desse patrimônio estaria relacionada ao suposto esquema de lavagem de dinheiro.

Essas conclusões são apresentadas pelas autoridades responsáveis pela investigação e ainda dependem de análise definitiva da Justiça.

Empresa de ônibus está no centro das suspeitas

A Transunião é uma das empresas que operam linhas do transporte coletivo na cidade de São Paulo.

A investigação sobre possíveis vínculos da companhia com o PCC ganhou força a partir da apuração do assassinato de Adauto Soares Jorge, ex-dirigente da empresa, ocorrido em 2020.

Durante a análise de documentos e registros financeiros, os investigadores identificaram indícios que levaram à abertura de novas frentes de apuração sobre a estrutura empresarial.

Segundo o Ministério Público, a empresa teria sido utilizada para movimentar recursos associados à organização criminosa, com a participação de operadores financeiros e pessoas que exerciam influência sobre a administração.

Em outubro, o MPSP apresentou denúncia contra Senival Moura e outras 20 pessoas por suspeita de envolvimento em lavagem de dinheiro relacionada ao PCC.

A denúncia formaliza as acusações apresentadas pelo Ministério Público, mas não representa uma condenação. Os envolvidos têm direito à ampla defesa e ao contraditório durante o processo.

Senival pediu afastamento do PT após primeira prisão

Além da licença solicitada à Câmara Municipal, Senival Moura já havia comunicado seu afastamento do Partido dos Trabalhadores em junho, depois da primeira prisão.

Na ocasião, o diretório municipal do PT informou que o pedido havia sido apresentado para que o vereador pudesse se dedicar à própria defesa e evitar que os acontecimentos fossem associados à legenda.

O partido também declarou que não compactua com práticas ilícitas e defendeu a investigação rigorosa dos fatos, com respeito às garantias legais dos envolvidos.

O afastamento partidário é diferente da licença parlamentar. A primeira medida envolve sua relação com a legenda, enquanto a segunda interfere temporariamente no exercício do mandato na Câmara Municipal.

Defesa nega ligação com o PCC e questiona prisão

A defesa de Senival Moura rejeita as acusações de envolvimento com organização criminosa e afirma que não existem fundamentos suficientes para justificar a prisão preventiva.

O advogado Marcio Sayeg declarou que a medida judicial não pode ser utilizada como uma punição antecipada, antes da conclusão do processo.

“A prisão preventiva não pode representar antecipação de pena, tampouco decorrer automaticamente da gravidade das acusações.”

Os advogados também afirmam que o parlamentar é inocente e que pretendem utilizar os instrumentos legais disponíveis para contestar a decisão judicial.

“Senival Moura permanece firme em sua declaração de inocência e confiante de que a verdade será esclarecida no curso do processo.”

A defesa sustenta que as movimentações financeiras investigadas possuem origem lícita e nega a existência de vínculos entre o vereador e o PCC.

Próximos passos

Com o pedido de licença comunicado oficialmente, a Câmara Municipal deverá adotar os procedimentos necessários para a substituição temporária de Senival Moura.

No âmbito judicial, a defesa poderá apresentar novos recursos para tentar reverter a prisão preventiva, enquanto o processo relacionado às suspeitas de lavagem de dinheiro continuará em tramitação.

O Ministério Público também deverá acompanhar a análise das provas e a responsabilização individual dos investigados.

A licença de 31 dias não interfere automaticamente na ação penal. Até que haja uma decisão judicial definitiva, Senival Moura permanece sob a presunção de inocência.

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