O ex-presidente do Paraguai, Santiago Peña, foi preso na noite desta sexta-feira (6), em Assunção, poucas horas depois de ser destituído do cargo por meio de um processo de impeachment. A detenção ocorreu por determinação judicial e está relacionada às investigações sobre o colapso do Ueno Bank, instituição financeira que deixou milhões de clientes com o dinheiro bloqueado.
Segundo informações divulgadas pelo Metrópoles e pela Associated Press, Peña foi detido pela Polícia Nacional em sua residência, na capital paraguaia. O Ministério Público investiga suspeitas de abuso de confiança e possíveis irregularidades envolvendo recursos públicos depositados na instituição financeira. O ex-presidente nega ter cometido crimes.
A prisão aconteceu após o Senado aprovar, por unanimidade, a destituição de Peña. O então presidente havia apresentado sua renúncia na quinta-feira (5), mas o Congresso decidiu prosseguir com o julgamento político. Com a conclusão do impeachment, o vice-presidente Pedro Alliana assumiu a Presidência do Paraguai.
Paraguai retoma impeachment de Santiago Peña nesta sexta; presidente pede mais 72 horas para defesa
Por que Santiago Peña foi preso?
A investigação está relacionada à crise do Ueno Bank, banco digital que foi alvo de intervenção do Banco Central paraguaio após a identificação de graves problemas financeiros.
Peña foi acionista de uma empresa ligada ao grupo controlador da instituição até março de 2025. A relação empresarial passou a ser questionada porque o banco concentrava aproximadamente US$ 850 milhões em depósitos de órgãos públicos, incluindo recursos ligados à Previdência Social.
Parlamentares da oposição acusam o ex-presidente de possíveis conflitos de interesses, favorecimento empresarial e falhas na fiscalização da instituição financeira.
O Ministério Público também apura suspeitas de irregularidades na administração dos recursos públicos. A existência dessas investigações, entretanto, não significa que Peña tenha sido condenado criminalmente.
Senado aprovou impeachment por unanimidade
A destituição ocorreu nesta sexta-feira, após uma série de sessões extraordinárias convocadas para discutir a responsabilidade política de Santiago Peña na crise bancária.
O Senado aprovou o impeachment com 44 votos favoráveis, nenhum contrário e nenhuma abstenção. Um parlamentar estava ausente.
A decisão foi tomada apesar de Peña ter anunciado sua renúncia no dia anterior. Como o pedido não havia sido formalmente aceito, o Congresso deu continuidade ao julgamento.
Durante o processo, a defesa solicitou mais 72 horas para preparar sua manifestação, mas o pedido foi rejeitado pelos senadores.
O impeachment encerrou o mandato iniciado em agosto de 2023 e abriu caminho para a sucessão presidencial.
Crise do Ueno Bank bloqueou dinheiro de milhões de clientes
O escândalo começou após a intervenção determinada pelo Banco Central do Paraguai, na terça-feira (3).
As autoridades identificaram problemas de solvência e suspeitas relacionadas à concessão de empréstimos e à administração de recursos financeiros.
O Ueno Bank atendia aproximadamente 3 milhões de clientes. Com a suspensão das operações, correntistas enfrentaram dificuldades para realizar saques, pagamentos e transferências.
A paralisação provocou manifestações em Assunção, com clientes exigindo a devolução de suas economias e a responsabilização dos envolvidos.
O Ministério Público apresentou acusações contra 27 pessoas ligadas à instituição e a empresas relacionadas. Executivos também foram alvo de mandados de prisão.
O sistema de garantia de depósitos começou a organizar a devolução de recursos aos clientes, mas nem todos haviam recuperado o dinheiro até esta sexta-feira.
Pedro Alliana assume a Presidência do Paraguai
Após a destituição de Santiago Peña, o vice-presidente Pedro Alliana tomou posse como novo presidente do Paraguai.
Integrante do Partido Colorado, Alliana deverá concluir o mandato presidencial previsto até agosto de 2028.
O novo governo assume em meio à pressão política e econômica provocada pela crise bancária. Entre os principais desafios estão a recuperação dos depósitos, o acompanhamento das investigações e a reorganização da confiança no sistema financeiro.
Próximos passos
Com a prisão de Santiago Peña, a investigação criminal deverá avançar para esclarecer sua possível responsabilidade nas irregularidades relacionadas ao Ueno Bank.
O ex-presidente terá direito à defesa e poderá contestar a ordem judicial. A prisão não representa condenação definitiva.
Paralelamente, o Ministério Público e as autoridades financeiras continuarão investigando as operações do banco e a movimentação de recursos públicos.
A crise permanece como um dos principais desafios do novo governo paraguaio, especialmente para os milhões de correntistas que aguardam a recuperação de suas economias.