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Casos de mpox mais que dobram no Rio; doença pode matar e passar pelo beijo?

Estado registra 269 infecções em 2026, enquanto Ministério da Saúde reforça vacinação; entenda os sintomas, os riscos e as formas de prevenção.
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Os casos de mpox mais que dobraram no estado do Rio de Janeiro em 2026, aumentando a preocupação das autoridades de saúde. Até 3 de novembro, foram confirmadas 269 infecções, contra 119 registradas durante todo o ano de 2025. Apesar do crescimento, não houve mortes pela doença no estado nos períodos analisados, segundo a Secretaria Estadual de Saúde.

Na capital fluminense, o número de diagnósticos também aumentou. Foram 196 confirmações em 2026, contra 94 no ano passado. A Secretaria de Saúde acompanha o avanço das infecções e reforça a importância da identificação precoce dos sintomas para evitar novas transmissões.

Diante desse cenário, o Ministério da Saúde enviou mais 2 mil doses da vacina ao Rio de Janeiro e autorizou a aquisição de até 20 mil doses adicionais para reforçar os estoques do Sistema Único de Saúde (SUS). Em todo o Brasil, foram registrados 665 casos neste ano, uma redução de 94% em comparação com 2022, quando o país enfrentou um surto com mais de 10 mil infecções.

Casos de mpox no Rio já superam total de 2025 e colocam Saúde em alerta

magem microscópica do vírus em vermelho ou laranja. Visual científico, de forte identificação com a doença e adequado para uma reportagem explicativa.

Mpox pode matar? Entenda os riscos da doença

A mpox é uma doença infecciosa provocada pelo vírus MPXV, pertencente ao gênero Orthopoxvirus. Na maioria dos pacientes, a infecção apresenta sintomas leves ou moderados, com recuperação em aproximadamente duas a quatro semanas.

Entretanto, a mpox pode provocar complicações graves e até levar à morte, especialmente em pessoas com o sistema imunológico comprometido. Pacientes com imunossupressão avançada, incluindo determinadas pessoas que vivem com HIV, estão entre os grupos que exigem maior atenção médica.

Gestantes, crianças e pessoas com condições que comprometam a imunidade também podem apresentar maior risco de complicações.

Embora os casos graves sejam menos frequentes, a identificação precoce dos sintomas é importante para evitar agravamentos e reduzir a transmissão do vírus.

Mpox pode ser transmitida pelo beijo?

Sim. A mpox pode ser transmitida pelo beijo, principalmente quando existe contato com lesões na boca, nos lábios ou em outras regiões do rosto.

A saliva também pode participar da transmissão, especialmente quando há feridas infectadas na cavidade oral. Isso não significa, porém, que todo beijo resulte em contágio.

A principal forma de transmissão da doença ocorre pelo contato físico direto com lesões, secreções e mucosas de uma pessoa infectada.

Relações sexuais também favorecem a transmissão devido ao contato intenso entre a pele e as mucosas. Entretanto, a mpox não é transmitida exclusivamente durante relações sexuais e pode atingir qualquer pessoa exposta ao vírus.

O compartilhamento de toalhas, roupas, lençóis e outros objetos contaminados também representa risco. Em situações de contato próximo e prolongado, secreções respiratórias podem contribuir para a infecção.

Quais são os primeiros sintomas da mpox?

Os sinais da mpox podem aparecer entre três e 16 dias após a exposição ao vírus, embora esse intervalo possa chegar a 21 dias.

Entre os sintomas mais comuns estão febre, dor de cabeça, dores musculares, cansaço, calafrios e aumento dos gânglios linfáticos, conhecidos popularmente como ínguas.

Uma das principais características da doença é o surgimento de lesões na pele e nas mucosas. Elas podem aparecer como manchas, pequenas bolhas ou feridas, atingindo regiões como rosto, mãos, pés, boca, genitais e ânus.

Nem todos os pacientes apresentam febre ou grande quantidade de lesões. Em algumas situações, as alterações na pele são o primeiro ou o único sinal perceptível da infecção.

Por isso, a recomendação é procurar avaliação médica diante de feridas ou erupções suspeitas, mesmo quando não existem outros sintomas.

Por quanto tempo a pessoa transmite a doença?

Uma pessoa infectada pode transmitir o vírus desde o início dos sintomas até a cicatrização completa de todas as lesões.

Durante esse período, é importante evitar contato físico próximo, não compartilhar objetos pessoais e seguir as recomendações de isolamento dos profissionais de saúde.

O risco de transmissão permanece enquanto houver lesões infecciosas. O encerramento do isolamento ocorre quando todas as crostas desaparecem e uma nova camada de pele se forma.

Existe vacina contra a mpox no SUS?

Sim. O SUS disponibiliza a vacinação contra a mpox para grupos específicos, conforme critérios estabelecidos pelo Ministério da Saúde e a disponibilidade de imunizantes.

A estratégia nacional prioriza pessoas vivendo com HIV/aids que apresentam imunossupressão grave, especialmente aquelas com contagem de linfócitos CD4 inferior a 100 células por milímetro cúbico de sangue.

O esquema de vacinação prevê duas doses, com intervalo de 28 dias. A orientação é que o público prioritário procure os centros de referência onde já realiza acompanhamento para receber informações sobre o cadastramento e o agendamento.

Pessoas vivendo com HIV/aids e contagem de CD4 inferior a 200 células, usuários de profilaxia pré-exposição ao HIV (PrEP) e profissionais de laboratório que manipulam amostras do vírus também podem receber doses remanescentes, conforme as orientações sanitárias.

O aumento das infecções no Rio de Janeiro já havia provocado preocupação com a disponibilidade de imunizantes. Em outubro, o NC News noticiou que a capital enfrentava falta de vacinas enquanto os diagnósticos avançavam.

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Quem teve contato com uma pessoa infectada pode se vacinar?

A vacinação também pode ser indicada após contato de risco com uma pessoa infectada, mediante avaliação dos serviços de saúde.

Nesses casos, o Ministério da Saúde recomenda que a aplicação seja realizada preferencialmente nos primeiros quatro dias após a exposição.

A imunização ainda pode ocorrer em até 14 dias depois do contato. Entretanto, nesse intervalo, a efetividade para evitar a infecção é menor, embora a vacina possa contribuir para reduzir o risco de evolução para formas graves.

Por isso, quem teve contato próximo com um caso suspeito ou confirmado deve procurar uma unidade de saúde para receber orientações sobre o acompanhamento dos sintomas e a possibilidade de vacinação.

Como prevenir a mpox?

O Ministério da Saúde recomenda evitar contato direto com pessoas que apresentem lesões suspeitas, principalmente quando houver feridas na pele ou nas mucosas.

Também é importante não compartilhar toalhas, roupas, lençóis e outros objetos pessoais que possam estar contaminados.

A higienização frequente das mãos com água e sabão ou álcool em gel é outra medida recomendada. Roupas de cama, toalhas e superfícies utilizadas por pessoas infectadas devem receber limpeza adequada.

Pessoas com sintomas suspeitos devem evitar relações sexuais e contato físico próximo até receberem avaliação médica.

O uso de preservativos pode reduzir determinados riscos durante as relações sexuais, mas não impede completamente a transmissão da mpox, já que o vírus pode estar presente em lesões localizadas em áreas não cobertas pelo preservativo.

Como é feito o diagnóstico e o tratamento?

O diagnóstico da mpox pode ser confirmado por exames laboratoriais, geralmente realizados a partir da coleta de material das lesões.

A avaliação médica também considera os sintomas apresentados e a possibilidade de contato recente com pessoas infectadas.

Não existe medicamento específico aprovado no Brasil para o tratamento rotineiro da mpox. O atendimento é direcionado ao controle dos sintomas, à prevenção de complicações e ao acompanhamento clínico.

Na maioria dos casos, a recuperação acontece espontaneamente, entre duas e quatro semanas. Pacientes com manifestações graves ou comprometimento do sistema imunológico podem necessitar de cuidados especializados.

O acompanhamento da doença também ocorre em outras regiões do país. Em março de 2026, o NC News informou que Rondônia havia registrado 11 casos confirmados de mpox, todos identificados em Porto Velho.

Próximos passos

As autoridades sanitárias continuam monitorando a evolução dos casos no Rio de Janeiro. O Ministério da Saúde acompanha a distribuição dos imunizantes e poderá realizar novos envios conforme a necessidade identificada pelos serviços estaduais.

A autorização para adquirir até 20 mil doses adicionais faz parte da estratégia de recomposição dos estoques nacionais. A medida não significa que todas as vacinas já estejam disponíveis para aplicação.

Enquanto isso, a orientação é que a população fique atenta aos sintomas, procure atendimento médico diante de lesões suspeitas e evite contato próximo com outras pessoas até receber avaliação profissional.

A identificação precoce dos casos, o acompanhamento dos contatos e a vacinação dos grupos elegíveis são medidas importantes para reduzir a transmissão e prevenir complicações.

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