Kevin De Bruyne, 34, não esconde a alegria com a saída de Antonio Conte do Napoli em 2024 e, dois anos depois, responde em campo no Mundial de Seleções. Em 27 de junho de 2026, o meia lidera a Bélgica na goleada por 5 a 1 sobre a Nova Zelândia, resultado que garante a liderança do grupo G.
Crítica aberta a Conte acirra clima no Napoli
A ruptura entre estrela e treinador começa bem antes da bola rolar no torneio mundial. Em entrevista no fim da temporada 2023/2024, De Bruyne admite que vê com bons olhos o adeus de Conte ao clube italiano. Questionado se está satisfeito com a mudança, o belga é direto: “Se estou feliz que Conte esteja saindo? Para mim, sim. No que me diz respeito, ele não precisava ficar”.
O desabafo expõe o incômodo com o sistema 5-4-1 desenhado por Conte, de 56 anos, que prioriza a defesa e engessa os movimentos do principal articulador da equipe. Acostumado a comandar ataques fluidos no Manchester City, De Bruyne se sente encaixotado num Napoli mais preocupado em se proteger do que em criar.
A tensão extrapola o vestiário e vira tema nacional na Itália. O presidente Aurelio De Laurentiis, já pressionado por um ambiente descrito como tóxico, acelera a busca por um substituto. Massimiliano Allegri surge como favorito para assumir o comando técnico e redesenhar o meio-campo em torno de jogadores criativos, entre eles o próprio De Bruyne.
Capello reage: “Olhar bem no espelho”
As declarações do belga não passam em branco entre treinadores italianos. Fabio Capello, um dos técnicos mais influentes do país, usa a Sky Sport Italia para defender Conte e cobrar autocritical do meia do Napoli. “As pessoas sempre culpam os outros; elas precisam se olhar bem no espelho”, dispara.
Na mesma entrevista, Capello questiona a expectativa do jogador ao trocar a Inglaterra pela Itália. “Será que ele realmente se juntou a um time esperando que mudassem todo o sistema de jogo só por causa dele? Acho que Conte tinha em mente o melhor para a equipe com suas escolhas táticas. Respeito muito De Bruyne, mas ele deveria ter examinado sua própria consciência antes de falar”, afirma.
A resposta endurece o debate e amplia a sensação de racha entre o elenco e a comissão técnica. A discussão pública também atinge a imagem do Napoli, que termina a temporada em segundo lugar no Campeonato Italiano, mas sob suspeita de desgaste interno profundo.
Conte deixa Napoli falando em “veneno” no clube
A versão de Antonio Conte sobre o fim do ciclo em Nápoles vai além da divergência tática com De Bruyne. Na coletiva após a última partida da temporada 2023/2024, o treinador admite fracasso em unir o ambiente e justifica a decisão de sair em comum acordo com a diretoria.
“No Napoli, falhei em uma coisa: não consegui trazer coesão e, se você não consegue fazer isso, fica difícil lutar contra outras equipes”, diz. Em seguida, ele descreve um vestiário contaminado: “Vi muito veneno e aqueles que o espalham são fracassados. O Napoli não precisa de fracassados, daqueles que precisam de aprovação. Precisa de pessoas sérias que queiram amar o time, assim como o torcedor que paga pelo ingresso; em vez disso, essas pessoas deveriam ficar longe, pois são prejudiciais”.
Conte admite que não vê como reverter o quadro. “Falhei nesse aspecto e compreendi que nunca seria capaz de unificar o ambiente. Para mim, isso era fundamental, então desisti”, conclui. A fala escancara a percepção de um clube dividido, em que o treinador se sente isolado diante de disputas de ego e desconfianças internas.
De Laurentiis, por sua vez, tenta virar a página. As conversas com Allegri apontam para uma transição de modelo: sai o 5-4-1 rígido, entra uma proposta menos reativa, com mais bola no pé dos meio-campistas. O setor em que De Bruyne atua vira laboratório central dessa mudança.
Em campo, Bélgica mostra o que De Bruyne quer no Napoli
Enquanto o Napoli reorganiza o vestiário, De Bruyne encontra no Mundial o palco ideal para reforçar seu argumento: um time construído para atacar potencializa seu jogo e o da equipe. Em 27/06/2026, a Bélgica enfrenta a Nova Zelândia precisando vencer para assegurar o topo do grupo G. Vence com sobras.
Aos 28 minutos do primeiro tempo, o meia cobra escanteio fechado. A bola desvia no defensor Tim Payne e sobra para Leandro Trossard empurrar para o gol, abrindo o placar. No segundo tempo, logo aos cinco minutos, o atacante volta a aparecer. Recebe um passe incisivo de De Bruyne, vê o primeiro chute ser bloqueado e, na segunda tentativa, amplia para 2 a 0.
Aos 66 minutos, é a vez de De Bruyne finalizar. Ele recebe na entrada da área e acerta o canto, consolidando uma atuação de protagonista, com gol e assistências. A Nova Zelândia ainda desconta na reta final, com Elijah Just marcando o gol de honra, mas a reação para aí.
O técnico belga mexe no time e os reservas mantêm o ritmo. Romelu Lukaku e Alexis Saelemaekers completam a goleada de 5 a 1, resultado que coloca a Bélgica na primeira posição do grupo, à frente do Egito. O placar e o desempenho reforçam a capacidade ofensiva de uma geração que tenta se provar competitiva mesmo após o auge físico de suas principais figuras.
Impacto no mercado e futuro no Napoli
A grande atuação de De Bruyne no torneio chega em momento sensível para sua carreira em Nápoles. A combinação entre críticas públicas a Conte e desempenho de alto nível com a seleção fortalece seu peso nas conversas internas sobre o estilo de jogo do clube.
Para De Laurentiis, a equação é delicada. De um lado, um técnico como Allegri, conhecido pela disciplina tática, mas capaz de montar equipes mais flexíveis que as de Conte. De outro, um meio-campista veterano, mas ainda decisivo, com mercado aquecido e influência entre torcedores e patrocinadores.
No curto prazo, a saída de Conte tende a trazer instabilidade, sobretudo após o próprio treinador falar em “veneno” e “fracassados” no ambiente do Napoli. A reconstrução passa por pacificar o vestiário, redefinir protagonismos e proteger a imagem do clube, hoje manchada por disputas públicas entre ídolos e técnicos renomados.
O desempenho de De Bruyne no Mundial também alimenta especulações sobre o futuro. Com 34 anos, ele mostra que ainda decide jogos grandes, acumula minutos em alto nível e segue chamando a atenção de clubes europeus. Uma campanha longa da Bélgica pode tanto valorizar uma possível transferência quanto elevar a pressão para que o Napoli adapte seu projeto em torno dele.
A próxima temporada no sul da Itália começa, portanto, sob duas sombras. A primeira é o fantasma de um vestiário rachado, legado da era Conte. A segunda é a exigência esportiva e financeira de aproveitar ao máximo os últimos anos de elite de Kevin De Bruyne, agora ainda mais exposto pelo contraste entre o que viveu no Napoli e o que mostra com a camisa da Bélgica.
Por que De Bruyne criticou o esquema de Conte?
Ele se incomoda com o 5-4-1 muito defensivo, que, segundo avalia, limita sua liberdade para criar e participar do último passe no Napoli.
O que Capello quis dizer ao rebater De Bruyne?
Capello cobra que o meia assuma parte da responsabilidade pela temporada difícil e não espere que um clube mude todo o sistema só por causa dele.
O que muda no Napoli com a saída de Conte?
O clube busca Allegri e um modelo menos engessado, com mais espaço para jogadores ofensivos, mas terá de reconstruir a coesão de um vestiário dividido.
Como foi a atuação de De Bruyne contra a Nova Zelândia?
Ele cobra o escanteio do primeiro gol, dá o passe do segundo, marca o terceiro e conduz a Bélgica na goleada por 5 a 1 em 27/06/2026.