Tuchel assume favoritismo da Inglaterra e lida com crise na zaga

Thomas Tuchel reconhece a força da Inglaterra no Mundial e enfrenta desafios defensivos antes do confronto com RD Congo.
Redação NC News
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Thomas Tuchel admite que a Inglaterra entra como favorita contra a República Democrática do Congo na segunda fase do Mundial de Seleções, nesta quarta-feira, em Atlanta. O técnico tenta equilibrar confiança e cautela enquanto lida com problemas na defesa e responde até a perguntas sobre James Bond na véspera do jogo decisivo.

Favoritismo sob pressão histórica

Na coletiva de 1º de julho de 2026, Tuchel não foge do rótulo que persegue a seleção inglesa desde a boa campanha na fase de grupos. “Sinto que é um privilégio estar nessas situações. Acho que podemos simplesmente aceitar: somos os favoritos”, afirma, em tom direto.

A frase ecoa em um país que espera há 60 anos por um título no Mundial de Seleções. O último troféu global da Inglaterra vem de outra era do futebol, e cada geração carrega o peso do fracasso das anteriores. Com Tuchel, ex-Paris Saint-Germain, Chelsea e Bayern de Munique, a cobrança aumenta. Ele dirige hoje o time que muitos ingleses enxergam como a melhor chance de acabar com o jejum.

O treinador admite que a pressão vem de dentro do próprio vestiário. “Estamos jogando contra as nossas próprias expectativas. Esperamos mais de nós mesmos do que apenas chegar a segunda fase da Copa. Essa é a realidade”, diz. Para ele, a cobrança da arquibancada apenas acompanha o que o elenco já se impõe. “Então, por que nossos torcedores não deveriam esperar o mesmo?”, provoca.

Respeito à RD Congo e alerta pelos favoritos eliminados

Tuchel tenta, ao mesmo tempo, evitar o relaxamento que costuma derrubar favoritos em torneios curtos. Ele cita o equilíbrio dos confrontos desta fase e lembra as quedas recentes de outras potências europeias. Alemanha e Holanda já se despedem após tropeços contra Paraguai e Marrocos, respectivamente.

“Os jogos da fase da segunda fase até agora dizem muito. São partidas equilibradas, decididas por detalhes. Pessoalmente, isso me deixa mais tranquilo do que nervoso, pois essa é simplesmente a natureza do jogo”, afirma. O recado é claro: favoritismo não garante nada em mata-mata.

Sobre a RD Congo, Tuchel recusa qualquer tom de superioridade. “Respeitamos nosso adversário. Conhecemos a qualidade deles”, diz. A equipe africana chega fortalecida depois de empatar por 0 a 0 com Portugal, perder por apenas 1 a 0 para a Colômbia e vencer o Uzbequistão por 3 a 1 na fase de grupos. O histórico recente reforça a tese do técnico: o jogo tende a ser travado e decidido em poucos lances-chave.

Defesa em xeque com lesões de Reece James e Quansah

Enquanto fala em detalhes que definem partidas, Tuchel encara um problema concreto justamente no setor mais sensível em torneios eliminatórios: a defesa. Os laterais-direitos Reece James e Jarell Quansah, peças importantes no elenco, seguem em treinos individuais e não participam do último trabalho com o grupo antes do duelo.

Quansah ainda se recupera de uma lesão no tornozelo, sofrida na vitória por 2 a 0 sobre o Panamá, na rodada final da fase de grupos. Reece James já havia ficado fora desse jogo, depois de sentir a coxa no empate sem gols com Gana. A federação confirma que ambos cumprem programas específicos de recuperação, sem previsão clara de volta.

A ausência dupla expõe uma fragilidade que acompanha Tuchel desde que assumiu a seleção inglesa. A lateral direita, já vista como carente, agora se torna ponto central de preocupação e alvo previsível de críticas caso a defesa volte a vacilar. A necessidade de improvisar ou lançar mão de jogadores menos testados aumenta o risco num confronto em que um único gol pode decidir o futuro no Mundial.

Para um treinador acostumado a montar estruturas defensivas sólidas, como fez em seus trabalhos no PSG, no Chelsea campeão europeu e no Bayern, a situação representa um teste de adaptação. As escolhas na escalação e na forma de proteger o lado direito do campo podem pesar tanto quanto o talento ofensivo do elenco.

Bellingham entre o campo e Hollywood

No meio de tanta tensão, um tema improvável invade a sala de imprensa e muda o clima: James Bond. Um jornalista italiano pergunta a Tuchel se ele viu a “audição” de Jude Bellingham para o papel do agente 007, depois de o meia brincar, em um programa de TV, que gostaria de atuar no cinema.

Surpreso, o técnico reage de maneira tão espontânea quanto a pergunta. “Do que você está falando? Estou vivendo em uma bolha. Você não pode me perguntar essas coisas”, responde, arrancando risos. O repórter explica a história e sugere um título da franquia para definir o jogo contra a RD Congo. Oferece “Um Novo Dia para Morrer”, filme lançado em 2002.

Tuchel pensa por alguns segundos e embarca na brincadeira. “Excelente, excelente. Eu não fui inteligente nem espontâneo o suficiente para pensar nisso. Então, sim: ‘Um Novo Dia para Morrer’”, admite, já rindo da própria demora. A cena, rapidamente replicada em redes sociais, mostra um treinador que tenta aliviar o ambiente sem perder a seriedade em relação ao campo.

Bellingham, protagonista involuntário do momento, vive fase que justificaria qualquer metáfora cinematográfica. O meia soma 2 gols e 1 assistência neste Mundial e se firma como referência técnica e emocional da equipe. Em um elenco com astros espalhados por grandes clubes europeus, é ele quem simboliza a nova geração inglesa que Tuchel tenta levar ao topo.

Quem ganha, quem perde e o que vem depois

O favoritismo assumido por Tuchel mexe com todos os atores dessa quarta-feira. A Inglaterra se coloca sob holofotes ainda mais intensos, o que aumenta o peso de cada decisão do técnico e de cada erro em campo. A RD Congo ganha argumento extra para se motivar: derrubar a seleção que se declara pronta para ser campeã e encerrar um jejum de seis décadas.

No curto prazo, o maior impacto recai sobre o sistema defensivo inglês. Sem Reece James e Quansah em condições ideais, a linha de trás precisa funcionar com remendos em uma partida que não permite margem para recuperação. A preparação física também entra em foco, diante do risco de sobrecarga dos substitutos.

Se avançar às quartas, a Inglaterra encontrará um cenário ainda mais exigente. Cada fase trará ataques mais fortes para testar uma defesa em reconstrução e aumentará a ansiedade de uma torcida que já viu campanhas promissoras desmoronarem em jogos únicos. A capacidade de Tuchel de ajustar o time, proteger sua lateral vulnerável e manter Bellingham e companhia em alto nível técnico pode definir se este Mundial marcará o fim do jejum ou mais um capítulo de frustração na história do futebol inglês.

Thomas Tuchel foi jogador antes de virar técnico?

Sim. Tuchel atua como zagueiro em clubes modestos na Alemanha, mas encerra a carreira muito cedo por problemas no joelho, antes de se dedicar à carreira de treinador.

Qual é o time atual de Thomas Tuchel?

Em 2026, Tuchel comanda a seleção da Inglaterra no Mundial de Seleções, após passagens por Mainz, Borussia Dortmund, PSG, Chelsea e Bayern de Munique.

Reece James pode jogar improvisado no meio, como Alexander-Arnold?

Neste Mundial, Reece James está fora do jogo contra a RD Congo por lesão. A discussão tática se concentra mais em como suprir sua ausência do que em novas funções.

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