PF cumpre mandados contra Rodrigo Bacellar, Adilsinho e pastor Márcio Poncio em operação contra o CV

Nova fase da Operação Unha e Carne apura suposto vazamento de informações ao Comando Vermelho, possível lavagem de dinheiro e conexões com a chamada Máfia do Cigarro
Redação NC News
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A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta quinta-feira (2), no Rio de Janeiro, mais uma fase da Operação Unha e Carne para aprofundar uma investigação sobre o suposto vazamento de informações sigilosas para integrantes do Comando Vermelho (CV) e um possível esquema de lavagem de dinheiro ligado à chamada Máfia do Cigarro.

Entre os alvos da operação estão o ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Rodrigo Bacellar, o contraventor conhecido como Adilsinho e o pastor Márcio Poncio. Segundo a Polícia Federal, foram cumpridos mandados de prisão e de busca e apreensão autorizados pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

O que aconteceu?

A nova fase da Operação Unha e Carne mobilizou agentes da Polícia Federal em diversos endereços no Rio de Janeiro e no município de São João de Meriti, na Baixada Fluminense.

Ao todo, foram cumpridos 14 mandados de busca e apreensão, além de ordens judiciais relacionadas aos investigados.

Segundo a investigação, esta etapa busca aprofundar a análise de documentos e movimentações financeiras que podem indicar um esquema de lavagem de dinheiro envolvendo integrantes da nova cúpula do jogo do bicho e possíveis conexões com agentes dos poderes Executivo e Legislativo.

Por decisão judicial, também foi determinado o bloqueio e o sequestro de bens e valores de até R$ 22 milhões, medida que tem como objetivo preservar recursos que poderão ser analisados durante o andamento das investigações.

Quem são os investigados?

Entre os principais alvos da operação estão: Rodrigo Bacellar, ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro; Adilsinho, apontado pelas investigações como contraventor ligado ao jogo do bicho; Pastor Márcio Poncio.

Rodrigo Bacellar: Ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj)

Rodrigo Bacellar aparece entre os alvos da nova fase da investigação conduzida pela Polícia Federal. As diligências fazem parte da apuração sobre um suposto esquema de lavagem de dinheiro e possíveis repasses financeiros a agentes públicos.

Filho de Sérgio Cabral também é alvo

Marco Antônio Cabral, advogado, ex-deputado federal e filho do ex-governador Sérgio Cabral

Marco Antônio também foi secretário estadual de Esporte durante o governo Luiz Fernando Pezão e ocupou cargo na Presidência da Alerj, onde atuou na interlocução com prefeitos e vereadores durante a gestão de Rodrigo Bacellar.

Neste ano, ele é pré-candidato a deputado estadual pelo Solidariedade.

Esta não é a primeira vez que um integrante da família Cabral aparece em investigações relacionadas ao contraventor Adilsinho. Em 2023, José Eduardo Neves Cabral, outro filho do ex-governador, foi alvo da Operação Smoke Free, conduzida pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal, em investigação sobre um suposto esquema de comércio ilegal de cigarros e lavagem de dinheiro. Na ocasião, ele negou irregularidades.

Pastor Márcio Poncio foi preso

Durante a operação, a Polícia Federal prendeu o pastor e empresário Márcio Poncio em um hotel na Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio.

Conhecido por atuar no ramo do tabaco, Márcio Poncio é pai da deputada estadual Sarah Poncio e do cantor Saulo Poncio. Nas redes sociais, costuma destacar sua atuação religiosa e empresarial, motivo pelo qual ficou conhecido como “pastor do cigarro”.

Quem é Adilsinho?

Apontado como uma das principais lideranças da atual cúpula do jogo do bicho no Rio de Janeiro, Adilson Oliveira Coutinho Filho, conhecido como Adilsinho, já estava preso desde fevereiro deste ano.

Segundo as investigações, ele é apontado pelas autoridades como responsável pelo controle da fabricação e da distribuição de cigarros ilegais na Região Metropolitana do Rio, além da expansão dessas atividades para outros estados.

Sua prisão ocorreu durante uma operação da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (Ficco-RJ), formada por equipes da Polícia Federal e da Polícia Civil, após trabalho de inteligência realizado em Cabo Frio, na Região dos Lagos.

Até o momento, a investigação segue em andamento e eventuais responsabilidades criminais dependerão da conclusão do inquérito e de eventual manifestação da Justiça. Os investigados têm direito à ampla defesa e ao contraditório.

Como a investigação começou?

Segundo a Polícia Federal, esta nova fase teve origem após a apreensão de documentos durante uma operação realizada no início deste ano.

Entre os materiais recolhidos estariam listas com registros de supostos pagamentos indevidos, anotações financeiras, possíveis doações eleitorais e uma contabilidade que, conforme os investigadores, pode estar relacionada à lavagem de dinheiro da chamada Máfia do Cigarro.

Esses documentos passaram a ser analisados pelos investigadores e teriam revelado indícios de possíveis repasses financeiros para agentes políticos do estado do Rio de Janeiro.

A autenticidade, o contexto e o destino desses registros continuam sendo apurados.

O que a Polícia Federal investiga?

A Polícia Federal busca esclarecer se houve:

  • vazamento de informações sigilosas para integrantes do Comando Vermelho;
  • utilização de empresas ou pessoas para lavagem de dinheiro;
  • pagamentos irregulares registrados em documentos apreendidos;
  • possível influência de organizações criminosas sobre agentes públicos;
  • movimentações financeiras incompatíveis com as atividades declaradas pelos investigados.

As buscas desta quinta-feira têm como objetivo reunir novos documentos, equipamentos eletrônicos e outras provas que possam ajudar a identificar eventuais beneficiários, intermediários e operadores do suposto esquema.

Qual é o papel do STF no caso?

Como a investigação envolve pessoas com prerrogativa de foro ou fatos sob competência do Supremo Tribunal Federal, as medidas cautelares foram autorizadas pelo ministro Alexandre de Moraes.

Entre elas estão os mandados de busca e apreensão, as ordens de prisão expedidas nesta fase da operação e o bloqueio patrimonial de até R$ 22 milhões.

O que acontece agora?

Após o cumprimento dos mandados, o material apreendido será submetido à perícia e analisado pelos investigadores.

A Polícia Federal pretende rastrear o fluxo financeiro investigado, identificar a origem dos recursos, verificar possíveis conexões entre os envolvidos e esclarecer se houve participação de outras pessoas ou organizações.

Caso surjam novos elementos, outras medidas cautelares poderão ser solicitadas ao Supremo Tribunal Federal.

Até a conclusão das investigações e eventual julgamento, os investigados não podem ser considerados culpados.

Entenda o contexto

A Operação Unha e Carne investiga um suposto esquema de compartilhamento de informações sigilosas com integrantes do Comando Vermelho e possíveis conexões financeiras envolvendo a chamada Máfia do Cigarro.

Segundo a Polícia Federal, a investigação ganhou novos desdobramentos após a análise de documentos apreendidos em fases anteriores, que indicariam movimentações financeiras suspeitas e possíveis registros de pagamentos.

As buscas desta quinta-feira representam mais uma etapa da apuração. O objetivo é reunir novas provas para confirmar ou descartar os indícios já identificados, esclarecer o papel de cada investigado e identificar eventuais beneficiários do suposto esquema. A responsabilização criminal dependerá da conclusão do inquérito, da apresentação de denúncia pelo Ministério Público, quando cabível, e das decisões da Justiça.

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