O Ministério Público Federal (MPF) instaurou um procedimento administrativo para investigar a origem, a circulação e as falhas de fiscalização relacionadas ao uso de cianeto em atividades de garimpo ilegal em Roraima.
A medida foi formalizada por meio de portaria assinada pelo procurador da República Miguel de Almeida Lima e tem como foco principal o emprego da substância química na extração clandestina de ouro, especialmente em áreas da Amazônia e em Terras Indígenas.
Considerado um dos compostos mais tóxicos utilizados pela mineração, o cianeto é empregado no processo de lixiviação para separar o ouro de outros minerais. Segundo o MPF, há registros frequentes de apreensões e relatos indicando o uso em larga escala da substância em garimpos ilegais no estado.
O órgão destaca que a introdução clandestina e o manuseio inadequado do produto representam riscos graves à saúde de trabalhadores, comunidades indígenas e ribeirinhas, além de ameaças à qualidade da água e ao equilíbrio dos ecossistemas amazônicos.
A investigação busca mapear toda a cadeia de suprimentos do cianeto, identificando possíveis desvios de finalidade, falhas regulatórias e rotas de contrabando que abastecem a atividade ilegal.
Como primeiras medidas, o MPF requisitou informações à Superintendência Regional da Polícia Federal em Roraima (PF-RR) e ao Exército Brasileiro (EB) sobre o tipo de cianeto mais frequentemente apreendido, os riscos associados à substância e os mecanismos de controle atualmente existentes para sua comercialização, transporte e armazenamento.
O Ministério Público também quer saber se há sistemas integrados capazes de rastrear a venda do produto e cruzar dados fiscais com autorizações de uso, semelhante ao modelo adotado para o controle de produtos florestais.
A iniciativa reforça a preocupação das autoridades com o avanço do garimpo ilegal na Amazônia e seus impactos sobre o meio ambiente e os povos indígenas, tema que tem mobilizado órgãos de fiscalização e segurança em todo o país.