Fale com a gente NC News TV Ao Vivo

Marta Kostyuk transforma boa fase em campanha histórica

Marta Kostyuk alcança feitos inéditos em sua carreira com sequência impressionante em 2026.
Redação NC News
ouça este conteúdo
00:00 / 00:00
1x

Marta Kostyuk vive em 2026 a temporada que muda carreiras. Aos 24 anos, a ucraniana chega pela primeira vez às quartas de final em Wimbledon, após conquistar o WTA 1000 de Madri em 2 de maio e alcançar uma inédita semifinal de Grand Slam em Roland Garros, em 2 de julho. A sequência chega a 17 vitórias no ano e a coloca à porta do top 10 do ranking mundial.

Ascensão em Wimbledon e corrida ao top 10

Na grama inglesa, Kostyuk supera a norte-americana Ashlyn Krueger por 6/4 e 6/4, em julho, e se garante entre as oito melhores do torneio pela primeira vez. A vitória, em sets diretos, consolida um domínio específico: é a 10ª seguida da ucraniana contra tenistas dos Estados Unidos em 2026. “Esta foi a décima vitória seguida de Kostyuk contra tenistas dos Estados Unidos”, registra o site especializado TenisBrasil.

O resultado em Wimbledon confirma o salto no ranking. Atual 13ª do mundo, ela já sobe provisoriamente duas posições com a campanha na grama. Se vencer mais uma vez, ultrapassa a canadense Victoria Mboko, hoje 10ª, e entra de vez na disputa por um lugar no seleto grupo das dez melhores do planeta. A pressão vem logo atrás, com nomes de peso como Linda Noskova e Naomi Osaka ainda vivas na chave.

O desempenho constante em três pisos diferentes — quadra dura, saibro e grama — sustenta a escalada. Em 2026, Kostyuk ainda não perde para jogadoras fora do top 100 e transforma confiança em resultado. Em Wimbledon, espera na próxima rodada a vencedora entre a italiana Jasmine Paolini e a filipina Alexandra Eala, que surpreende ao eliminar a então campeã Iga Świątek.

Madri: o primeiro grande título e o gesto político

A guinada da temporada começa em Madri. Em 2 de maio, aos 23 anos, Kostyuk conquista o maior título da carreira ao vencer a russa Mira Andreeva por 2 sets a 0, parciais de 6/3 e 7/5, na final do WTA 1000 disputado na capital espanhola. O triunfo vale oito posições no ranking, levando-a à 15ª colocação. “Marta Kostyuk superou a russa Mira Andreeva por 2 sets a 0 na final do torneio espanhol e festejou dando um mortal em quadra”, descreve o ge.

A comemoração vira imagem-símbolo: depois do match point, a ucraniana arma o corpo e executa um mortal para trás, sob aplausos. O contraste aparece segundos depois. Em vez do tradicional aperto de mãos na rede, ela se afasta e celebra à distância. “Após anotar o ponto que garantiu a vitória, Kostyuk não cumprimentou a adversária, como acontece no rito do tênis, devido à guerra que a Rússia trava contra o seu país”, relata o mesmo portal. Na outra metade da quadra, Andreeva, 19, chora sentada, em silêncio.

O gesto sintetiza a postura que a acompanha desde o início da invasão russa à Ucrânia, em 2022. Kostyuk recusa cumprimentar rivais russas e bielorrussas, em aliança com outras ucranianas do circuito, como Elina Svitolina. A atitude rompe um dos rituais mais marcantes do tênis e transforma cada encontro entre atletas dos países em ato político, dentro de uma modalidade historicamente afeita à etiqueta e à neutralidade.

Roland Garros: semifinal inédita e invencibilidade

No saibro de Paris, o roteiro ganha novo capítulo. Em 2 de julho, Kostyuk vence a compatriota Elena Svitolina, número 7 do mundo, por 2 a 1, parciais de 6/3, 2/6 e 6/2, e alcança sua primeira semifinal de Grand Slam em Roland Garros. O duelo dura 1h49min e serve de confirmação: “Kostyuk chega à sua primeira semifinal de Grand Slam e mantém invencibilidade de 17 jogos”, resume o portal GZH.

A campanha em Paris tem peso extra. No caminho, Kostyuk derruba a polonesa Iga Świątek, que a eliminara em 2021, então nas oitavas, e caminhava para o que seria o quinto título no saibro francês. A vitória sobre Svitolina, referência do tênis ucraniano, consolida um protagonismo interno na modalidade do país, que vive sob bombardeios e deslocamentos desde 2022.

A série de 17 triunfos inclui um jogo pela Billie Jean King Cup e outras 16 partidas no circuito, entre elas os títulos no WTA 250 de Rouen, na França, e no próprio WTA 1000 de Madri. Em Roland Garros, o destino volta a cruzar Kostyuk e Mira Andreeva na semifinal, repetindo a final espanhola e reacendendo as tensões ligadas à guerra. “A semifinal promete ser tensa, já que Marta Kostyuk, assim como Elina Svitolina e outras tenistas ucranianas mantém posição ativa nas questões ligadas à invasão da Rússia”, projeta GZH.

Impacto no tênis e no debate político

A explosão de resultados de Kostyuk reconfigura o lugar da Ucrânia no tênis feminino. O país passa a ter uma jovem jogadora perto do top 10, dona de um título WTA 1000 e de uma semifinal de Grand Slam, algo que tende a atrair patrocinadores, programas de base e mais atenção midiática para uma geração formada em meio à guerra.

As consequências se espalham pelo circuito. Agências de marketing, emissoras e organizadores de torneios veem valor em um enredo potente, que mistura vitória esportiva, juventude e contexto geopolítico. A narrativa conversa com discussões mais amplas, sobre o papel do esporte em conflitos internacionais. Ao mesmo tempo, a recusa em cumprimentar rivais russas e bielorrussas expõe fraturas: dirigentes e patrocinadores se veem pressionados a definir até onde manifestações políticas são aceitas em quadra.

Em torneios de grande visibilidade, como Roland Garros e Wimbledon, cada encontro entre ucranianas e jogadoras de países aliados a Moscou ganha contornos de teste para o próprio circuito. Árbitros e organizadores ajustam protocolos, reforçam segurança e calibram discursos para evitar que o clima de polarização extrapole as linhas da quadra.

Para as atletas, o impacto é íntimo. Andreeva, derrotada em Madri, deixa a quadra chorando, em contraste com o mortal de Kostyuk e o silêncio gelado na rede. A cena escancara como guerra e carreira se misturam para jovens que cresceram vendo bombas, sanções e manchetes de fronteira.

O que vem pela frente

O próximo passo de Kostyuk é transformar a boa fase em permanência na elite. Entrar no top 10 ainda em 2026 é objetivo plausível, sustentado pelos 17 triunfos seguidos e pela adaptação aos grandes palcos. A chave será administrar o peso simbólico de cada partida contra adversárias russas e bielorrussas, sem perder o foco técnico que a levou ao patamar atual.

Para o tênis feminino, o caso abre precedente. Se a guerra se prolongar e outras atletas seguirem o caminho de Kostyuk, o circuito deve ser forçado a discutir limites, regras e garantias em um cenário em que neutralidade parece cada vez menos possível. A temporada de 2026 coloca a ucraniana no centro dessa conversa, como uma das principais vozes de uma geração que não separa mais esporte e mundo real.

 

Carregar Comentários