Davide Ancelotti deixa seleção e inicia era no Lille

Davide Ancelotti encerra passagem pela seleção e inicia nova fase como treinador do Lille na Europa.
Redação NC News
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Davide Ancelotti deixa a comissão técnica da Seleção Brasileira poucos dias após a eliminação para a Noruega, em 5 de julho de 2026, e assume o comando do Lille. Aos 36 anos, o italiano inicia seu primeiro trabalho como técnico principal na Europa.

Da frustração com o Brasil ao desafio na França

A derrota por 2 a 1 nas oitavas de final do Mundial de Seleções encerra uma sequência de três anos de Davide ao lado do pai, Carlo Ancelotti, no comando do Brasil. O adeus acontece sob o peso de uma eliminação precoce e de decisões técnicas contestadas, como a escolha de Bruno Guimarães para cobrar o pênalti desperdiçado contra a Noruega.

No gramado, ainda em solo norte-americano, Davide substitui Carlo na entrevista pós-jogo e assume a linha de frente no momento mais delicado da campanha. Questionado sobre o pênalti, ele explica que nada é decidido no improviso. “É uma escolha predefinida em todos os jogos. Decidimos na preleção, uma decisão da comissão técnica. Depois, se erram, acontecem, como hoje aconteceu”, afirma, visivelmente abatido.

O auxiliar evita apontar culpados e tenta blindar o grupo. “É um jogo de nível mundial e você pode pagar por pequenos erros, perde um jogo e está fora e aconteceu conosco, assumimos a responsabilidade e estamos muito abatidos”, admite, já ciente de que o ciclo com a seleção está no fim.

Coletiva sem Carlo e consolo a Vini Júnior

A ausência de Carlo Ancelotti na entrevista de campo chama atenção. Enquanto o treinador segue direto aos vestiários, Davide encara as câmeras e as perguntas, numa imagem que ajuda a cristalizar a ideia de transição de gerações na família Ancelotti. O auxiliar também ganha visibilidade em gestos menos formais, como o momento em que se ajoelha no gramado para levantar Vini Júnior, inconsolável após o apito final.

Durante o Mundial, a figura de Davide já vinha sendo monitorada de perto pelo torcedor brasileiro. Expressões de irritação e surpresa no banco de reservas, especialmente em partida contra a Escócia, viralizam nas redes. A leitura de bastidor que circula entre jogadores e dirigentes é de que o auxiliar assume papel cada vez mais ativo na preparação, nas análises de vídeo e na definição de estratégias, mesmo sob a sombra do sobrenome do pai.

A eliminação nas oitavas reprojeta esse protagonismo. Para a CBF, a saída de um auxiliar de 36 anos, com passagem por Real Madrid, Bayern de Munique, Napoli e Everton, obriga a repensar a formação da próxima comissão técnica. Para Davide, o momento de ruptura parece calculado: o futuro já está encaminhado a centenas de quilômetros dali, no norte da França.

Contrato com Lille já estava fechado antes do Mundial

O acordo com o Lille é costurado ainda em junho de 2026, antes do início da campanha brasileira nos Estados Unidos. A apresentação, porém, fica condicionada ao fim da participação do Brasil no Mundial. O anúncio oficial sai em junho, mas a imagem de Davide como treinador do clube só ganha corpo em 7 de julho, quando ele se apresenta no centro de treinamento Domaine de Luchin.

No comunicado, o Lille aposta na força do nome e no simbolismo da promoção de um auxiliar de elite ao comando. “Davide Ancelotti est là, et déjà au travail 💪 𝑩𝒊𝒆𝒏𝒗𝒆𝒏𝒖𝒆 𝒄𝒐𝒂𝒄𝒉 🫡”, publica o clube nas redes, com vídeo do primeiro contato entre o técnico e o elenco.

No encontro, Davide conversa em francês com jogadores e membros da comissão técnica, incluindo o capitão Benjamin André. Caminha pelos campos e pelos prédios de Domaine de Luchin, onde passará a maior parte dos próximos meses. O presidente Olivier Létang faz as honras e quebra o gelo com uma pergunta bem-humorada sobre a viagem entre Estados Unidos e França. O tom é de confiança num projeto de médio prazo com um treinador jovem e ambicioso.

Do Botafogo ao Lille: teste no Brasil antes da Europa

A passagem pelo Botafogo, entre julho e dezembro de 2025, funciona como laboratório de Davide no papel de técnico principal. Contratado para substituir Renato Paiva, ele comanda 33 jogos, soma 15 vitórias, 10 empates e 8 derrotas, com aproveitamento de 55,6%. Os números não são espetaculares, mas sustentam a imagem de um treinador capaz de organizar a equipe e sobreviver à pressão de um grande centro como o Rio de Janeiro.

No Brasil, o trabalho divide opiniões e alimenta perguntas frequentes sobre sua trajetória. Quem olha só para a estatística vê um técnico de aproveitamento intermediário. Quem convive com o dia a dia destaca a dedicação obsessiva ao treino e à análise tática, moldadas nos anos ao lado de Carlo. O contrato se encerra em dezembro, sem demissão ruidosa, e Davide retorna à Seleção para a reta final de preparação ao Mundial de 2026.

A experiência no futebol brasileiro pesa na escolha do Lille. O clube francês vê ali um ponto de contato com um dos mercados mais ricos em talentos do mundo e uma oportunidade de se aproximar de jogadores formados no Brasil. Ao mesmo tempo, um técnico com bagagem em Real Madrid e Bayern traz repertório tático e manejo de vestiário compatíveis com competições europeias.

Impacto para o Brasil, oportunidade para Davide

No Brasil, a saída de Davide intensifica o debate sobre a reestruturação da comissão técnica após a queda diante da Noruega. A seleção perde um profissional que conhece o vestiário, domina o idioma e acumula vivência em grandes clubes. A pressão por mudanças, porém, torna difícil a manutenção de peças ligadas à campanha fracassada.

Para Davide, o quadro é oposto. A eliminação o afasta de um ambiente carregado, mas abre a chance de construir uma identidade própria, longe da definição automática como “filho de Carlo Ancelotti”. No Lille, ele assume o protagonismo absoluto: escala, escolhe modelo de jogo, responde por resultados e decisões de mercado.

Os próximos meses vão medir até onde a mistura de currículo de auxiliar em gigantes europeus, teste no Botafogo e experiência na Seleção é suficiente para sustentar um projeto em clube de ponta da França. Se a aposta der certo, o italiano pode transformar o Lille em trampolim para voos maiores. Se os resultados não vierem, a narrativa do herdeiro promissor se torna mais pesada.

A Seleção Brasileira observa à distância, enquanto tenta se reconstruir para o próximo Mundial. O Lille se antecipa e assume o risco de apostar num técnico de 36 anos, certo de que, nesta virada de ciclo, o sobrenome Ancelotti vale tanto quanto o trabalho que Davide mostrar, jogo a jogo, em Domaine de Luchin.

O que aconteceu com Davide Ancelotti após a eliminação do Brasil na Copa?

Ele encerrou sua passagem como auxiliar técnico da Seleção Brasileira e, dois dias depois da derrota para a Noruega, foi oficialmente apresentado como treinador do Lille.

Por que Davide Ancelotti deixou a Seleção Brasileira para assumir o Lille?

A saída marca um avanço de carreira. Ele troca o posto de auxiliar por sua primeira experiência como técnico principal na Europa, em um clube de destaque da França.

Quem é Davide Ancelotti e qual sua relação com Carlo Ancelotti?

Davide Ancelotti é um técnico italiano de 36 anos, filho de Carlo Ancelotti. Trabalhou como auxiliar do pai em clubes como Real Madrid, Bayern e na Seleção Brasileira.

Quais times Davide Ancelotti já dirigiu antes de assumir o Lille?

Antes do Lille, Davide comandou o Botafogo entre julho e dezembro de 2025, com 33 jogos, 15 vitórias, 10 empates, 8 derrotas e 55,6% de aproveitamento.

Davide Ancelotti foi demitido do Botafogo? O que aconteceu?

Não houve demissão ruidosa. Ele cumpriu o período à frente do Botafogo até dezembro de 2025 e deixou o clube ao fim da passagem, retornando à Seleção.


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