Caminhoneiros param portos do país para pressionar MP do Frete

Motoristas de caminhão iniciam greve em portos para acelerar votação da MP do Frete no Senado até 16 de julho.
Redação NC News
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Caminhoneiros de todo o país iniciam, à 0h desta segunda-feira (13 de julho de 2026), uma paralisação nos portos brasileiros para pressionar a votação da Medida Provisória nº 1.343/2026. O movimento, anunciado pelo presidente da Abrava, Wallace Landim, o Chorão, mira diretamente o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), responsável por pautar o texto que altera o piso mínimo do frete rodoviário.

Pressão sobre o Senado em semana decisiva

A mobilização começa três dias antes do prazo final para que a MP seja votada pelos senadores. Se o texto não for aprovado até 16 de julho, perde a validade. A categoria vê na greve nos portos a principal arma para forçar o Senado a se mexer.

O impacto é imediato na logística nacional. Portos concentram o escoamento de grãos, fertilizantes, combustíveis e insumos industriais. Qualquer interrupção prolongada afeta exportações, importações e estoques de fábricas, com reflexos em preços e prazos de entrega.

A paralisação mira o coração da economia justamente em uma semana em que o governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tenta evitar desgastes com uma categoria estratégica, depois do trauma da greve de 2018. No Senado, Davi Alcolumbre equilibra a pressão dos caminhoneiros e a resistência de setores do agronegócio e da indústria, que rejeitam pontos centrais da MP.

Como nasce a nova greve dos caminhoneiros

O estopim vem de uma sensação de cobrança ignorada. “Há duas semanas, a gente vem lutando para que o Senado coloque na pauta para ser votado e até agora nada”, afirma Chorão, em vídeo divulgado na noite de domingo (12). Segundo ele, a decisão de parar foi submetida à categoria.

“Foi feita uma deliberação da categoria que, a partir da 0h agora do dia 13/7, os portos irão parar. A gente vai acompanhar em todos os cenários nacionais, como a gente fez em 2018”, diz o líder da Abrava. A referência à greve de 2018, que travou estradas e derrubou estoques em todo o país, não é casual: serve como lembrete do poder de fogo dos caminhoneiros.

O recado de Chorão mira diretamente Alcolumbre. “Essa manifestação, essa paralisação, não é o Chorão, não é o Pedro, não é o Zé Trovão que estão chamando. Quem está chamando essa paralisação se chama Davi Alcolumbre, presidente do Senado Federal do nosso Brasil”, afirma, atribuindo ao senador a responsabilidade política pelo impasse.

Além do bloqueio de operações em portos estratégicos, como o de Santos, a orientação é que caminhoneiros em todo o país não iniciem viagens a partir da meia-noite desta segunda. A ideia é ter a categoria livre para acompanhar a movimentação em Brasília até terça-feira (14), quando a votação está prevista em plenário.

“A gente tem uma sinalização que vai colocar para votar, a orientação é que você [caminhoneiro] não saia para viajar a partir da 0h, para que a gente possa acompanhar até 3ª feira se de fato vai entrar na pauta para votar, e não vamos aceitar perder essa MP. Davi Alcolumbre, você foi avisado, agora segura, meu irmão”, afirma Chorão.

O que está em jogo na MP do Frete

Editada em março pelo governo Lula, a MP 1.343/2026 regulamenta o piso mínimo do frete rodoviário e incorpora uma série de benefícios defendidos pelos caminhoneiros. O texto foi aprovado na Câmara dos Deputados em 17 de junho, sob relatoria do deputado Zé Trovão (PL-SC), caminhoneiro de origem e aliado da categoria.

Zé Trovão reforça a proposta original do Executivo e insere pontos sensíveis para o setor produtivo. Um deles é a anistia de multas aplicadas a motoristas, empresas e transportadoras que participaram de bloqueios de rodovias e manifestações após as eleições de 2022. Outro é o chamado bloqueio digital preventivo contra fretes abaixo da tabela da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).

Na prática, o sistema passa a integrar o CIOT, código que identifica cada operação de transporte, ao Manifesto Eletrônico de Documentos Fiscais. Se o valor do frete lançado ficar abaixo do piso regulamentado, o código simplesmente não é emitido. Sem CIOT, a viagem não começa dentro da legalidade.

A MP também amplia a exigência do CIOT para casos de subcontratação, o que amarra a responsabilidade do contratante original mesmo quando há intermediários. O setor terá 60 dias, a partir da entrada em vigor da nova lei, para se adaptar a essa dinâmica e atualizar sistemas.

O texto endurece ainda as penalidades para quem repetir infrações. Se houver duas autuações em menos de 12 meses, as multas podem variar de R$ 100 mil a R$ 1 milhão. Além da punição financeira, há previsão de medidas administrativas adicionais, como restrições à atuação de empresas reincidentes.

Outro ponto relevante é o fluxo de pagamento do frete. O parecer determina que o valor total seja quitado em até 30 dias. Para caminhoneiros autônomos, ao menos 70% do frete deve ser pago antecipadamente, antes da viagem, com o restante em até três dias úteis após a entrega da carga.

Para motoristas contratados pela CLT, a MP institui um piso salarial de R$ 5 mil mensais para quem atua no transporte de longa distância. O pacote se completa com a criação de uma política nacional de modernização da frota de caminhões e a obrigação de o poder público fomentar pontos de parada seguros nas rodovias.

Economia dividida e risco de efeito dominó

As medidas agradam caminhoneiros, mas encontram forte resistência no outro lado da cadeia. Entidades do agronegócio e da indústria afirmam que o bloqueio digital, as multas elevadas e a rigidez dos prazos de pagamento aumentam custos logísticos e ampliam a insegurança jurídica.

Com margens apertadas em alguns segmentos exportadores, qualquer acréscimo no custo do frete pode reduzir competitividade internacional. A queixa de empresas é que, ao travar digitalmente fretes abaixo de um nível definido pela ANTT, o governo retira espaço de negociação comercial em um mercado já pressionado por variações cambiais e de preço de combustíveis.

Nos portos, operadores antecipam atrasos no embarque de commodities, fertilizantes, produtos industrializados e insumos. Uma paralisação prolongada tende a encarecer diárias de navios, gerar filas de caminhões parados nas imediações e provocar reprogramações logísticas em cadeia.

No curto prazo, o principal efeito é político. Uma greve de caminhoneiros visível em portos e rodovias coloca o Senado sob holofotes e testa a capacidade de articulação do governo Lula com Davi Alcolumbre. Uma aprovação sem alterações significativas representa vitória da categoria. Uma eventual derrota, com caducidade da MP em 16 de julho, pode reacender ameaças de uma greve mais ampla, incluindo bloqueios em rodovias, como em 2018.

Disputa de força e próximos capítulos

O relógio corre contra o Senado. A votação está prevista para terça-feira (14), mas a categoria deixa claro que a paralisação nos portos permanece enquanto houver risco de o texto não ir a plenário. O movimento monitora a agenda de Alcolumbre e promete ajustar o grau de pressão conforme os sinais vindos de Brasília.

Se a MP for aprovada até 16 de julho, começa uma nova fase, com o desafio de implementar o bloqueio digital, atualizar sistemas de transporte e acomodar custos em contratos de frete. Caminhoneiros ganham um instrumento mais robusto para assegurar o piso mínimo e reforçam a memória de que continuam capazes de paralisar o país.

Se o texto travar ou cair, o recado também está dado. A relação entre Legislativo e categorias estratégicas entra em novo patamar de tensão, e o debate sobre a regulação do transporte rodoviário tende a voltar à estaca zero, em um cenário de estradas cheias, portos congestionados e pressão redobrada sobre o governo em pleno calendário econômico apertado.

O que foi decidido sobre a paralisação dos caminhoneiros em Santos?

Caminhoneiros de Santos aderem à paralisação nacional e decidem parar as atividades a partir de 0h de 13 de julho, com foco nas operações do porto da cidade.

Quando começa a paralisação dos caminhoneiros convocada para esta segunda?

A paralisação começa à 0h desta segunda-feira, 13 de julho de 2026, com orientação para que caminhoneiros não iniciem viagens e cruzem os braços nos portos.

Qual é a reivindicação principal dos caminhoneiros na greve pela MP do Frete?

A principal reivindicação é que o Senado vote e aprove, até 16 de julho, a MP 1.343/2026, que muda o piso mínimo do frete e concede benefícios à categoria.

Quem é o líder que anunciou a paralisação dos caminhoneiros nesta segunda?

O anúncio é feito por Wallace Landim, o Chorão, presidente da Abrava (Associação Brasileira de Condutores de Veículos Automotores).

Quais portos serão afetados pela paralisação nacional dos caminhoneiros?

O movimento mira portos de todo o Brasil, com destaque para Santos e outros terminais estratégicos de exportação e importação, onde a categoria atua no escoamento de cargas.

A paralisação dos caminhoneiros já começou nesta segunda-feira?

Sim. Segundo o chamado de Chorão, a paralisação tem início à 0h desta segunda (13), com bloqueio das atividades portuárias e suspensão de novas viagens.


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