Uma lista apreendida pela Polícia Federal na casa do contraventor Adilson Oliveira Coutinho Filho, conhecido como Adilsinho, revelou uma relação com 61 políticos do Rio de Janeiro e registros de movimentações financeiras que ultrapassam R$ 20 milhões. O material é considerado uma das principais peças da investigação sobre um suposto esquema de lavagem de dinheiro envolvendo o jogo do bicho e agentes públicos.
Segundo a investigação, as planilhas apresentam nomes de candidatos e agentes políticos acompanhados de valores individualizados, o que levou os investigadores a aprofundarem o cruzamento de informações com dados bancários, fiscais e prestações de contas eleitorais. A Polícia Federal destaca que o material ainda passa por análise e não representa, por si só, comprovação de irregularidades.
O que foi encontrado pela Polícia Federal?
As planilhas foram apreendidas durante operações contra Adilsinho e chamaram a atenção por registrarem uma contabilidade detalhada de supostos pagamentos e movimentações financeiras.
De acordo com os investigadores, uma das planilhas reúne uma lista nominal de políticos acompanhada de valores atualizados que somam aproximadamente R$ 21,9 milhões. Outros documentos encontrados ampliam o volume financeiro analisado para mais de R$ 29 milhões, conforme os relatórios da investigação.

Como a investigação interpreta as planilhas?
Para a Polícia Federal, os documentos podem indicar uma estrutura organizada de circulação de recursos destinada ao financiamento político, formal ou informal, por meio de empresas ligadas ao grupo investigado.
Os investigadores afirmam que as planilhas serão confrontadas com movimentações financeiras, declarações fiscais e prestações de contas apresentadas à Justiça Eleitoral para verificar se houve compatibilidade entre os registros e as informações oficiais.
O que dizem as investigações
A apuração faz parte da Operação Unha e Carne, que investiga um suposto esquema de lavagem de dinheiro relacionado ao jogo do bicho e à atuação de organizações criminosas no Rio de Janeiro.
Segundo a PF, as anotações encontradas com Adilsinho também serviram de base para novas fases da operação, que tiveram como alvo políticos, empresários e outras pessoas suspeitas de integrar a rede investigada.
Há acusação formal contra todos os nomes?
Não.
A presença de um nome nas planilhas não significa, por si só, que a pessoa tenha cometido crime. A Polícia Federal ainda analisa o conteúdo dos documentos para identificar a origem dos registros e verificar se houve efetivamente pagamentos ilícitos ou outras irregularidades.
As investigações continuam em andamento, e cada situação é analisada individualmente. Eventuais responsabilizações dependerão do avanço das apurações e das provas reunidas ao longo do processo.
Entenda o contexto
A investigação teve início após a apreensão de documentos durante operações contra Adilsinho, apontado pela Polícia Federal como um dos principais nomes da contravenção no Rio de Janeiro. As planilhas encontradas passaram a ser tratadas como peças centrais para entender a possível ligação entre recursos movimentados pelo grupo investigado e agentes públicos.
Agora, a PF trabalha no cruzamento das informações com dados financeiros, eleitorais e fiscais para verificar a existência de eventuais crimes. O conteúdo das planilhas, sozinho, não comprova irregularidades, e a investigação segue em andamento para esclarecer o papel de cada pessoa eventualmente citada.