Polícia descobre elo entre lavagem de R$ 100 milhões no Rio e integrante da Al-Qaeda

Investigação avança para apurar uma possível conexão entre o esquema e uma rede internacional de financiamento ao terrorismo
Redação NC News
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A Polícia Civil desmonta nesta quarta-feira (16) um esquema de lavagem de dinheiro que abastece facções criminosas no Rio e em São Paulo e encontra uma transação com um egípcio apontado como membro da Al-Qaeda. O empresário libanês Reda Zayoun, líder do grupo, foi preso em Foz do Iguaçu, na região da Tríplice Fronteira.

A operação atinge o caixa de organizações como Comando Vermelho, Terceiro Comando Puro e Primeiro Comando da Capital, segundo a investigação. O que parecia mais um caso de crime organizado ganha outra dimensão quando os agentes rastreiam um pagamento enviado a um estrangeiro classificado pelos Estados Unidos como integrante de uma rede de financiamento do terrorismo.

As autoridades tratam a ligação como hipótese em análise, não como fato consumado. A eventual confirmação de um elo entre facções brasileiras e a Al-Qaeda pode redefinir a estratégia de segurança no país e reforçar a pressão por maior controle de fluxos financeiros e de fronteiras.

A rota da Tríplice Fronteira

Reda Zayoun atua no ramo de celulares e peças. De acordo com a polícia, ele se instala em Foz do Iguaçu para explorar a posição estratégica da Tríplice Fronteira entre Brasil, Paraguai e Argentina. A região, historicamente associada a contrabando e tráfico, serve de corredor para mercadorias que irrigam o esquema de lavagem.

O delegado Pedro Brasil, titular da Delegacia de Defesa dos Serviços Delegados (DDSD), afirma que o mapa das transações chama atenção justamente por passar por uma área sensível aos olhos de governos estrangeiros. “A Tríplice Fronteira é uma região considerada pelo governo americano como de atuação de grupos terroristas, principalmente para lavagem de dinheiro”, explica. Ele lembra que o local é conhecido como porta de entrada de armas, munições, drogas e produtos ilegais.

Nesse ambiente de fronteira porosa, o grupo de Zayoun movimenta valores por meio de lojas de equipamentos e acessórios de celular, entre outros negócios. As empresas recebem dinheiro vivo vindo das facções, declaram vendas infladas e devolvem os recursos já aparentemente limpos, diluídos em operações comerciais.

A transação que acende o alerta

Durante o rastreamento das contas de Zayoun e de seus irmãos, Kassem e Yasser, presos em São Paulo, os investigadores chegam a um nome conhecido em órgãos de inteligência internacionais. “Durante as investigações, a Polícia Civil detectou uma transação financeira entre o líder do esquema, o empresário libanês Reda Zayoun, preso em Foz do Iguaçu, e o egípcio Haytham Ahmad Shukri Ahmad Al-Maghrabi, de 40 anos, classificado formalmente pelos Estados Unidos como membro do grupo terrorista”, registram documentos do caso.

Al-Maghrabi é alvo do Departamento de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC), órgão do Tesouro americano responsável por sanções econômicas. Ele entra na lista em 22 de dezembro de 2021, como parte de uma rede baseada no Brasil acusada de financiar a Al-Qaeda. Bens e ativos ligados a ele ficam congelados. Segundo o governo dos EUA, a ação busca “negar o acesso do grupo ao sistema financeiro formal”.

De acordo com as informações reunidas à época pelos americanos, o egípcio chega ao Brasil em 2015 e passa a operar com compra de moeda estrangeira em parceria com outro designado como terrorista, Ahmed Mohammed Hamed Ali, listado desde 12 de outubro de 2001. Esse histórico pesa quando seu nome surge agora nas apurações brasileiras.

Mesmo assim, a Polícia Civil adota cautela. “As informações em relação a essa ligação com o terrorismo ainda são muito embrionárias”, afirma o delegado Pedro Brasil. Ele detalha que os investigadores identificam “uma transação financeira entre um sancionado da OFAC por financiar a organização terrorista Al-Qaeda e um dos investigados”. Outro indício aparece nas redes sociais: um dos irmãos de Reda publica uma bandeira do grupo Hezbollah. “São indícios que apontam que pode haver uma ligação com organizações terroristas, mas isso ainda não foi comprovado”, ressalta.

Golpe no caixa das facções

O coração da operação está no impacto sobre o crime organizado nas duas maiores metrópoles do país. O esquema de Zayoun presta serviço a diferentes facções rivais, que compartilham a mesma necessidade: transformar dinheiro de drogas, extorsão e roubos em recursos com aparência legal, que possam circular sem acionar alarmes dos bancos.

Ao derrubar a rede de lavagem, a polícia mira a base financeira desses grupos. A avaliação entre investigadores é que a interrupção de um fluxo relevante de dinheiro dificulta a compra de armas, o pagamento de integrantes e a expansão territorial. Em curto prazo, isso tende a gerar disputas internas e movimentos de reorganização, com risco de aumento pontual da violência.

O sistema financeiro também entra na linha de fogo. As transações identificadas reforçam a necessidade de monitoramento mais fino de operações com origem na Tríplice Fronteira e em setores suscetíveis a movimentação de grande volume de dinheiro vivo, como o comércio de eletrônicos. Bancos e corretoras passam a ser pressionados a aprimorar filtros contra lavagem, sob risco de sanções regulatórias.

Criminalidade local e tabuleiro global

A investigação expõe um tipo de crime que já não cabe em fronteiras nacionais. A mesma engrenagem que lava recursos de facções brasileiras se conecta, em tese, a redes internacionais de financiamento de terrorismo. Esse entrelaçamento obriga a Polícia Civil e o Ministério Público a trabalhar em diálogo com órgãos estrangeiros e agências de inteligência.

Se as suspeitas de vínculo com a Al-Qaeda forem confirmadas, o caso pode redefinir o lugar do Brasil na cooperação global contra o terrorismo. A tendência é de aumento da troca de informações com parceiros como Estados Unidos e países vizinhos e de maior vigilância sobre empresas e pessoas atuando na região da Tríplice Fronteira.

No plano interno, a operação deve alimentar o debate sobre a estrutura de combate à lavagem de dinheiro. Especialistas já cobram integração mais estreita entre polícias, Receita Federal, Banco Central e o Conselho de Controle de Atividades Financeiras, para que alertas sobre pessoas sancionadas por órgãos estrangeiros sejam cruzados com dados de movimentação bancária no país.

O processo contra Reda Zayoun e seus irmãos corre com foco na lavagem de dinheiro e na associação com facções criminosas. Eventuais acusações ligadas a terrorismo dependem da coleta de novas provas. Enquanto isso, as facções correm para preencher o vazio deixado pela prisão do empresário libanês, em busca de outro operador capaz de movimentar milhões sem chamar atenção.

Os próximos meses devem mostrar se o desmantelamento do esquema representa apenas um abalo momentâneo ou o início de uma mudança estrutural na forma como o crime organizado financia suas operações no Brasil. A resposta depende tanto da capacidade de o Estado fechar brechas no sistema financeiro quanto da velocidade com que redes transnacionais de lavagem se reinventam para continuar operando.

Quem é o membro da Al-Qaeda suspeito de ligação com lavagem de dinheiro no Rio?

É o egípcio Haytham Ahmad Shukri Ahmad Al-Maghrabi, de 40 anos, classificado formalmente pelos Estados Unidos como integrante de uma rede de financiamento da Al-Qaeda.

Qual é o envolvimento do suspeito da Al-Qaeda no esquema de lavagem de dinheiro?

A Polícia Civil identifica ao menos uma transação financeira entre Al-Maghrabi e o empresário libanês Reda Zayoun, líder do esquema de lavagem ligado a facções do Rio e de São Paulo.

Como a polícia identificou o suspeito da Al-Qaeda no caso de lavagem de dinheiro?

Ao rastrear contas de Reda Zayoun e de seus familiares, os investigadores encontraram uma operação envolvendo Al-Maghrabi, já sancionado pelo Departamento do Tesouro dos EUA.

O que a polícia descobriu sobre o esquema de lavagem de dinheiro ligado ao suspeito da Al-Qaeda?

O esquema usa lojas de celulares e peças, entre outros negócios, para lavar dinheiro de facções como CV, TCP e PCC, com uso da Tríplice Fronteira como rota de contrabando.

Quais as consequências legais para o suspeito da Al-Qaeda no esquema de lavagem de dinheiro?

Al-Maghrabi não é alvo direto da operação no Brasil até agora. Eventuais acusações criminais no país dependem do avanço das investigações e de novas provas.

Como a suspeita contra o membro da Al-Qaeda afeta a segurança no Rio?

A suspeita liga o caixa de facções locais a redes internacionais, o que pode levar a ações mais duras contra lavagem de dinheiro e maior cooperação com órgãos estrangeiros de segurança.

 

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