Um forte terremoto de magnitude 5,9 atingiu a Ilha Sul da Nova Zelândia na noite de domingo (23), às 21h14 no horário local (06h14 no horário de Brasília). O abalo sísmico provocou apreensão em uma das áreas mais turísticas do país, levando as autoridades a emitirem um alerta de tsunami que acabou sendo cancelado duas horas depois.
O epicentro do tremor foi registrado a cerca de 40 quilômetros ao norte da cidade de Te Anau, a principal porta de entrada para a famosa região de Fiordland, no extremo sudoeste da Ilha Sul. Conhecida por seus imponentes fiordes, o local recebe turistas durante todo o ano para trilhas e cruzeiros marítimos.
Alerta rápido e rebaixamento do risco
Inicialmente, o sistema de monitoramento registrou o tremor com magnitude 6,3 — patamar capaz de causar danos estruturais relevantes. Em questão de minutos, a agência nacional de gestão de emergências (NEMA) emitiu um alerta de tsunami, orientando os moradores das áreas costeiras a buscarem terrenos elevados.
Com a consolidação de novos dados, os especialistas ajustaram a intensidade para 5,9. O alerta foi então rebaixado para um simples aviso e, após duas horas sem nenhuma alteração anômala no nível do mar, a ameaça foi considerada superada e o aviso cancelado. O episódio levou à suspensão temporária de passeios de barco e atividades pesqueiras na região.
“Longo e barulhento como um trem”
O sistema oficial de monitoramento do governo, o GeoNet, recebeu relatos de mais de 18 mil pessoas que sentiram o abalo — um volume expressivo considerando tratar-se da remota Ilha Sul.
Apesar do susto, relatórios preliminares indicaram a ausência de feridos e de danos materiais significativos. Em Te Anau, o impacto foi mais de percepção do que estrutural. A gerente de plantão do Fiordland Hotel, Maylene Puyat, relatou à agência Reuters que o prédio tremeu por cerca de um minuto.
Ao jornal local Otago Daily Times, um morador descreveu o tremor como “longo e barulhento”, soando como um trem passando. “As paredes estavam claramente se movendo”, detalhou.
O Círculo de Fogo e a rotina de tremores
A Nova Zelândia convive historicamente com o risco sísmico. O arquipélago está situado sobre a fronteira de duas grandes placas tectônicas — a do Pacífico e a da Austrália —, em uma zona de intensa atividade conhecida como “Círculo de Fogo do Pacífico”.
Tremores de magnitude entre 5 e 6 não são raros, o que impõe ao país padrões rígidos de construção civil e uma cultura de simulações periódicas em escolas e empresas. Para os especialistas locais, a rápida emissão e posterior cancelamento do alerta neste domingo demonstrou o funcionamento eficiente dos protocolos do país, reforçando a premissa de que é preferível pecar pelo excesso de cautela do que por omissão.