Zinédine Zidane está muito perto de se tornar o novo técnico da seleção francesa. A expectativa é que o ex-camisa 10 assuma o comando da equipe logo após o fim do Mundial de Seleções, substituindo Didier Deschamps, que já havia anunciado sua saída ao término da competição.
Fim de uma era na seleção francesa
A troca de comando acontece depois da eliminação da França para a Espanha na semifinal do Mundial, resultado que marca os últimos capítulos de um dos ciclos mais vitoriosos da história da equipe nacional.
Deschamps chegou ao cargo em 2012 e recolocou a França entre as grandes potências do futebol mundial. Sob seu comando, conquistou a Copa do Mundo da Rússia, em 2018, venceu a Liga das Nações, em 2021, e ainda levou os franceses a duas outras finais importantes: o vice-campeonato no Mundial do Catar e na Eurocopa disputada em casa.
Com a despedida já planejada, o caminho ficou aberto para aquele que há anos era apontado como seu sucessor natural. Campeão do mundo como jogador em 1998 e um dos maiores ídolos da história do futebol francês, Zidane agora está prestes a assumir o cargo que parecia reservado para ele. Caso o acordo seja oficializado, Zidane voltará a trabalhar quase cinco anos depois de sua última passagem pelo Real Madrid.
No clube espanhol, construiu uma das trajetórias mais vitoriosas entre os técnicos da era recente. Foram 11 títulos, incluindo um feito histórico: três conquistas consecutivas da Liga dos Campeões. Em 301 partidas, somou 190 vitórias e média superior a dois pontos por jogo.
Além dos resultados, Zidane ganhou reconhecimento pela capacidade de administrar elencos repletos de estrelas e manter um ambiente equilibrado nos bastidores. Essa experiência pode ser decisiva para uma seleção que inicia um processo de renovação sem abrir mão do protagonismo internacional.
O que pode mudar dentro de campo
A tendência é que Zidane mantenha a identidade tática que marcou sua passagem pelo Real Madrid, apostando no esquema 4-3-3.
O sistema privilegia pontas velozes, meio-campistas com boa movimentação e um time mais agressivo na ocupação dos espaços. Isso pode abrir oportunidades para alguns jogadores e aumentar a disputa por vagas em posições estratégicas.
As mudanças não devem ficar restritas ao gramado. A expectativa é que Zidane também monte sua própria comissão técnica, substituindo profissionais que acompanharam Deschamps durante boa parte dos últimos 14 anos.
Salário trava anúncio oficial
O principal obstáculo para a contratação não é esportivo. Recentemente, o Parlamento francês aprovou uma lei que limita a 450 mil euros brutos por ano o salário de dirigentes e funcionários das federações esportivas.
O problema é que esse valor está muito abaixo da remuneração normalmente recebida por técnicos do nível de Zidane e até do salário pago atualmente a Deschamps. Por isso, a Federação Francesa de Futebol precisa obter uma autorização especial do Ministério dos Esportes para concluir o acordo.
A ministra Marina Ferrari já sinalizou que vê a contratação com bons olhos, o que aumenta a expectativa de uma solução nos próximos dias.
Debate vai além do futebol
A negociação acabou abrindo uma discussão que ultrapassa as quatro linhas. De um lado, o governo tenta impor um teto para controlar gastos das entidades esportivas. Do outro, a federação argumenta que competir pelo mercado dos melhores treinadores exige salários compatíveis com os praticados no futebol internacional.
A decisão pode criar um precedente para futuras exceções, não apenas no futebol, mas também em outras modalidades esportivas.
O desafio de Zidane
Se o acordo for confirmado, Zidane assumirá uma seleção acostumada a disputar títulos, mas que vive o fim de uma geração extremamente vencedora.
Além de reconstruir a equipe, o treinador terá pouco tempo para implementar suas ideias antes dos próximos compromissos internacionais, incluindo amistosos e a preparação para a Eurocopa.
A expectativa é enorme. Afinal, além do currículo como jogador e treinador, Zidane chega cercado pelo simbolismo de representar uma das maiores figuras da história do futebol francês.
O que falta para o anúncio?
A Federação Francesa de Futebol aguarda apenas a autorização do Ministério dos Esportes para superar o teto salarial previsto na nova legislação. Com essa liberação, a tendência é que Zidane seja anunciado oficialmente logo após o encerramento do Mundial de Seleções.
Zidane já é o novo técnico da França?
Ainda não. O acordo está encaminhado, mas depende da autorização do governo francês para que a federação possa oferecer um salário acima do limite estabelecido pela nova lei.
Qual é o teto salarial?
A legislação aprovada pelo Parlamento francês estabelece um limite de 450 mil euros brutos por ano para dirigentes e funcionários das federações esportivas.
O que muda com Zidane no comando?
A principal expectativa é a adoção do esquema 4-3-3, além de mudanças na comissão técnica e no processo de renovação da seleção francesa, que inicia um novo ciclo após mais de uma década sob o comando de Didier Deschamps.