A morte de Renato Machado, aos 83 anos, na última quinta-feira (16), deixou um vazio difícil de explicar para quem trabalhou ao lado dele e para milhões de brasileiros que acompanharam sua trajetória ao longo de quase cinco décadas na TV. Desde o anúncio da morte, jornalistas, apresentadores e amigos têm compartilhado lembranças que mostram não apenas o profissional admirado, mas também o homem generoso que marcou gerações dentro e fora das redações.
Ao longo do dia, a programação da TV Globo abriu espaço para homenagens emocionadas. Em vez do noticiário habitual, o público viu colegas relembrando histórias, bastidores e ensinamentos deixados por um jornalista que ajudou a construir parte da história da televisão brasileira.
Um mestre para quem trabalhou ao seu lado
Entre os depoimentos mais emocionantes está o de Renata Vasconcellos, que dividiu a bancada do Bom Dia Brasil com Renato durante quase dez anos.
Durante participação ao vivo no Mais Você, ela precisou interromper a fala por alguns instantes para conter a emoção antes de definir o colega como um dos maiores responsáveis pela sua formação profissional.
“O Renato foi um farol na minha vida. Ele me ensinou muito. Uma pessoa extremamente generosa, de um senso de humor inteligente e peculiar, sarcástico e agradável. Renato encantava também pela capacidade de raciocínio. Você não precisava nem concordar com ele, mas ficava admirada e se rendia aos argumentos inteligentes que ele construía, sempre com muita elegância.”
Mais do que um parceiro de bancada, Renata descreveu Renato como alguém que fazia diferença nos bastidores, ajudando colegas, discutindo textos, sugerindo caminhos e sempre disposto a compartilhar conhecimento.
Ela também lembrou que, longe das câmeras, ele era apaixonado por música, literatura, vinhos e viagens, interesses que, segundo ela, ajudavam a construir o olhar sensível e sofisticado que levava para o jornalismo.
Ana Maria Braga lembrou da serenidade que marcou gerações
A homenagem também emocionou Ana Maria Braga, que abriu o Mais Você dizendo que aquele era um “bom dia mais triste”.
Nas redes sociais, a apresentadora escreveu que Renato deixa um legado que vai muito além das reportagens que apresentou.
“Hoje, o nosso bom dia para o Brasil fica mais triste. Renato Machado nos deixa, mas seu legado para o jornalismo, as histórias que contou e a forma serena e elegante com que levou a informação aos brasileiros permanecerão para sempre na nossa memória.”
A mensagem resume a relação que muitos brasileiros construíram com o jornalista ao longo dos anos. Renato esteve presente em momentos históricos do país, sempre com uma postura discreta, voz tranquila e uma forma de comunicar que transmitia confiança.
William Bonner destaca a importância de Renato para o jornalismo
No Jornal Nacional, William Bonner também prestou homenagem ao colega e destacou o respeito que Renato conquistou dentro da emissora.
“Para todos nós do jornalismo da Globo, o Renato sempre foi um símbolo de serenidade e de elegância. Era uma voz a ser ouvida sempre, em relação a qualquer assunto de natureza editorial, porque era alguém com enorme experiência e com grande discernimento.”
Bonner afirmou ainda que a inteligência, a elegância e a forma como Renato encarava o jornalismo permanecerão como parte da história da Globo e da GloboNews.
Um mentor para várias gerações
Nas redes sociais, a correspondente internacional Cecilia Malan lembrou que Renato foi seu primeiro chefe e um dos maiores professores que teve na profissão.
“Renato foi meu primeiro chefe. Um mentor há 21 anos. Jornalista exigente, tinha um texto conciso, preciso e delicioso.”
Ela contou que ainda consegue imaginar a voz do jornalista narrando alguns dos acontecimentos mais importantes do Brasil e do mundo e agradeceu pelos ensinamentos profissionais e pessoais.
Quem também falou sobre essa convivência foi Leilane Neubarth, que trabalhou com Renato durante anos no Bom Dia Brasil.
Ela revelou que os dois haviam combinado um encontro depois que ele melhorasse de saúde, mas esse reencontro nunca aconteceu.
“Eu brincava que ele era um sangue azul e eu um polvo. Renato era um lorde, um príncipe. Aprendi muito com ele.”
Lembranças que vão além do jornalismo
A apresentadora Renata Capucci também compartilhou uma homenagem nas redes sociais, recordando as muitas vezes em que dividiu bancada com Renato.
Ela lembrou das conversas sobre vinhos, música e dos encontros em Londres, encerrando a mensagem com um apelido carinhoso.
“Te guardo pra sempre no coração. Vai com Deus, Xefia!”
Já Ana Paula Araújo, atual apresentadora do Bom Dia Brasil, destacou que Renato foi um dos primeiros profissionais a reconhecer seu talento na emissora. Ela recordou as conversas sobre música, as visitas à casa do jornalista e as aulas improvisadas sobre ópera, lembranças que mostram um lado pouco conhecido do grande público.
Um legado que permanece
As homenagens revelam que Renato Machado deixa uma marca muito maior do que as reportagens e os telejornais que apresentou.
Para colegas, ele era um profissional rigoroso, mas sempre disposto a ensinar. Para quem acompanhava seu trabalho pela televisão, ficou a imagem de um jornalista elegante, sereno e comprometido com a informação.
Nos últimos dias, reportagens históricas, entrevistas e momentos marcantes de sua carreira voltaram a circular nas redes sociais, mostrando como sua trajetória continua despertando admiração.
Mais do que lembrar um dos principais nomes do jornalismo brasileiro, as homenagens ajudam a preservar a história de um profissional que fez da credibilidade, da calma e do respeito à informação sua maior assinatura.