O show do intervalo da final da Copa do Mundo de 2026 entregou o momento mais arrepiante e sensível de toda a competição. Em meio aos espetáculos frenéticos de gigantes do pop internacional, foi a voz inconfundível do eterno Rei do Futebol que paralisou as arquibancadas do MetLife Stadium, em Nova York, e arrancou lágrimas de bilhões de espectadores apaixonados por esporte neste domingo (19).
Durante a grandiosa cerimônia da FIFA, os telões de altíssima definição e os potentes alto-falantes do estádio reproduziram um trecho do histórico discurso de despedida de Pelé dos gramados. A mensagem, extremamente direta e de forte impacto global, ecoou absoluta pelo campo:
“Amor, amor, amor. Esta é a mensagem. Amor. Amor. Amor.”
Logo após o silêncio de extremo respeito que tomou conta de todo o público presente, dezenas de crianças entraram no gramado entoando os versos “love, love, love” em uma transição musical perfeita. A apresentação impecável coroou o tributo ao maior ídolo brasileiro e transformou a tensa decisão esportiva em um profundo apelo pela paz.
O coral infantil que roubou a cena
O grupo que teve a gigantesca responsabilidade de dar continuidade ao legado do craque brasileiro no gramado é o aclamado PS22 Chorus. Formado por cerca de 80 alunos do quarto e quinto ano de uma escola pública de Staten Island, região de Nova York, o coral infantil dividiu os holofotes mundiais e se apresentou ao lado da banda britânica Coldplay.
Com a curadoria rigorosa de Chris Martin, o show televisivo foi desenhado estrategicamente para celebrar o esporte e os valores positivos compartilhados por toda a humanidade. O próprio presidente da entidade máxima do futebol, Gianni Infantino, destacou que o espetáculo foi projetado do zero para “garantir um legado que transcenda o apito final”.
A escolha do PS22 para um evento dessa magnitude não foi um mero acaso. O professor Gregg Breinberg, criador do projeto, resumiu com precisão a verdadeira essência da iniciativa estudantil:
“Não se trata apenas de cantar. Não se trata apenas de aprender notas e letras. É realmente sobre se conectar com as pessoas.”
De tragédia nacional a fenômeno mundial
A trajetória deste aclamado coral começou de forma humilde e despretensiosa em 2000, mas ganhou uma força vital logo após os traumáticos ataques terroristas de 11 de setembro. O professor utilizou as aulas de música para ajudar as crianças americanas a lidarem com o luto e o trauma coletivo da cidade. A partir de 2006, vídeos amadores dos alunos cantando sucessos de rádio viralizaram na internet de forma avassaladora.
Hoje, o invejável currículo dessas crianças supera o de muitos artistas consagrados pela mídia. Confira os principais marcos construídos pelo projeto ao longo dos anos:
- Fenômeno Digital: Atingiram mais de 1 milhão de acessos no YouTube em um único dia em 2008;
- Casa Branca: Foram convidados para cantar na cerimônia de posse presidencial de Barack Obama, em 2013;
- Cinema e TV: Possuem participações de grande destaque no Oscar de 2011 e no aclamado documentário da estrela Katy Perry;
- Parcerias Pop: O grupo escolar possui imenso prestígio na indústria, acumulando dezenas de colaborações com nomes de peso da música.
- O fundo bilionário por trás do show
A participação inclusiva das crianças e a justa homenagem a Pelé carregam um propósito mercadológico e social muito maior. Toda a megaestrutura do show do intervalo da Copa foi mobilizada e desenhada para apoiar o Fundo de Educação Global Citizen da FIFA.
Esta ambiciosa iniciativa da organização tem o objetivo central de arrecadar a expressiva marca de US$ 100 milhões (cerca de R$ 540 milhões). Todo esse volumoso montante financeiro será destinado exclusivamente para expandir o acesso à educação de altíssima qualidade e garantir verdadeiras oportunidades esportivas para crianças em situação de vulnerabilidade em diversas regiões de todo o planeta.