A Fifa oficializa nesta segunda-feira, 20, a nova versão do ranking masculino de seleções, e a Espanha assume a liderança horas depois de erguer o título do Mundial de Seleções. A Argentina cai para a segunda posição, o Brasil aparece em quinto lugar e a Noruega registra a maior ascensão, com um salto de 12 postos.
Espanha campeã e nova líder global
A conquista do Mundial de Seleções, ontem, em final contra a Argentina, rende à Espanha mais do que a segunda estrela na camisa. A nova classificação divulgada hoje “confirma uma troca: a campeã ultrapassou justamente a adversária derrotada na final e chegou a 1.995,88 pontos”.
A vitória por 1 a 0 em Nova York, com gol de Ferran Torres na prorrogação, pesa de forma decisiva no cálculo da tabela. “Só a vitória sobre a Argentina, decidido com gol de Ferran Torres na prorrogação, acrescentou 30,27 pontos ao total da Espanha”, registra o comunicado da entidade.
A Argentina, derrotada na decisão mas com campanha sólida, segue colada nos espanhóis. A seleção vice-campeã soma 1.970,37 pontos e mantém distância confortável sobre a terceira colocada França, que aparece com 1.948,97 pontos. A Inglaterra fecha o grupo dos quatro primeiros, com 1.922,83 pontos.
Na prática, a liderança coroa o ciclo de reconstrução espanhol, iniciado com a aposta em uma geração mais jovem e em um estilo de jogo de posse agressiva. A posição no topo tende a reforçar o poder de barganha em amistosos, contratos de patrocínio e direitos de transmissão, além de consolidar a imagem da equipe como referência técnica do futebol atual.
Brasil sobe no papel, mas revê fracasso em campo
O Brasil vive situação paradoxal. A seleção sai do Mundial de Seleções com eliminação nas oitavas de final, mas vê seu nome subir no ranking. A equipe assume hoje o quinto lugar, com 1.804,92 pontos, “apenas 0,93 à frente do Marrocos”.
O avanço de uma posição, mesmo após queda prematura, expõe a lógica do sistema de pontuação da Fifa. Resultados recentes, força dos adversários e peso das competições se misturam. O retrospecto anterior ao torneio e o fato de enfrentar seleções bem ranqueadas compensam o tropeço diante da Noruega.
Para a Confederação Brasileira, o número ajuda a preservar a imagem de potência. Em negociações comerciais e em agendas de amistosos, um top 5 ainda fala alto. No campo esportivo, porém, a eliminação nas oitavas tende a acelerar cobranças por mudanças de comando, renovação de elenco e revisão do planejamento até o próximo ciclo de grandes competições.
Entre as seleções tradicionais, a Alemanha perde relevância após nova decepção, eliminada nos pênaltis pelo Paraguai, que sobe sete posições e chega ao 34º lugar. O Uruguai, outro gigante em crise, “caiu quatro lugares e aparece agora apenas na vigésima colocação”.
Noruega vira protagonista fora do topo
Os movimentos mais drásticos do ranking acontecem fora do grupo de elite. “Apesar do novo top 10, a maior transformação do ranking ocorreu fora do grupo das principais seleções”, reconhece a própria Fifa.
Carrasca do Brasil nas oitavas, a Noruega é o caso mais emblemático. A equipe nórdica “ganhou doze posições, passando do 31º para o 19º lugar”. A entidade destaca um jogo em especial: “A vitória por 2 a 1 sobre a seleção brasileira foi o resultado mais importante da campanha, acrescentando 33,61 pontos”.
O salto coloca o país em nova prateleira esportiva e econômica. Uma seleção entre as 20 primeiras atrai convites para amistosos melhor remunerados, amplia a visibilidade de jogadores em clubes estrangeiros e fortalece o argumento por mais investimentos em estrutura de base. Para uma federação de porte médio, essa combinação pode redefinir um ciclo inteiro.
Gana também aproveita o Mundial de Seleções para mudar de patamar, com avanço de oito posições. O Paraguai, embalado pela classificação sobre a Alemanha, soma sete degraus. Esses movimentos reforçam a ideia de que uma boa campanha em torneio curto ainda é capaz de reescrever mapas de poder no futebol.
Quedas expõem custo do fracasso
No lado oposto, a conta do Mundial de Seleções chega salgada para seleções que deixam o torneio sem vitórias. A Tunísia sofre o tombo mais intenso. “Eliminada após três derrotas na fase de grupos, perdeu quase cinquenta pontos e despencou do 45º para o 57º lugar.”
Panamá, Uzbequistão e Jordânia aparecem na mesma onda negativa e “também caíram dez posições” cada uma. O recuo tende a afetar diretamente o interesse de patrocinadores locais, a capacidade de negociar jogos contra adversários de ponta e, em alguns casos, até o orçamento anual das federações.
Essas seleções chegam ao fim do Mundial não apenas em crise técnica, mas também em posição mais frágil nos bastidores. Em países onde o futebol depende de recursos públicos ou de poucos patrocinadores, a perda de visibilidade internacional pode significar cortes em viagens, amistosos e programas de base.
Como funciona o sistema SUM e o que vem pela frente
O ranking da Fifa utiliza desde 2018 o sistema SUM, sigla em inglês para um modelo que se aproxima do rating Elo, conhecido no xadrez. “Em vez de calcular uma média dos resultados durante determinado período, a fórmula adiciona ou retira pontos após cada partida, considerando a força dos adversários, o resultado obtido e a importância da competição.”
Na prática, isso significa que uma vitória em jogo amistoso vale bem menos do que um triunfo em partida de Mundial de Seleções ou competição continental. Também significa que ganhar de uma seleção forte rende mais pontos do que bater um rival de segunda linha. Por isso, uma decisão como Espanha x Argentina provoca tantas mudanças em uma única atualização.
O novo quadro abre a próxima temporada de seleções com cenário redesenhado. Espanha e Argentina iniciam o ciclo como referências imediatas. França e Inglaterra mantêm status de candidatas naturais a qualquer título, enquanto o Brasil tenta fazer o quinto lugar justificar reformas internas rápidas.
Noruega, Gana e Paraguai chegam ao radar de investidores, observadores de clubes e organizadores de torneios internacionais. Tunísia, Panamá, Uzbequistão, Jordânia e Uruguai, por outro lado, encaram a pressão de responder em campo já em suas próximas janelas de jogos.
Os amistosos de datas Fifa e as competições continentais, a partir deste semestre, passam a ser a principal chance de corrigir rota. O sistema SUM continua a premiar quem enfrenta rivais fortes e sustenta bons resultados. Até a próxima grande competição global, cada convocação e cada partida carregam peso extra para manter, recuperar ou avançar posições em um ranking que hoje espelha, com precisão inédita, o equilíbrio de forças do futebol masculino.