Mercado financeiro entra em alerta após atrasos da ICA Soluções Financeiras

Desde abril, segundo relatos obtidos pela reportagem junto a consultores e investidores que pediram para não ser identificados, pagamentos de dividendos e pedidos de resgate estariam sendo interrompidos, aumentando a preocupação sobre a situação da companhia.
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Investidores de diferentes estados do país afirmam enfrentar dificuldades para resgatar recursos aplicados na ICA Soluções Financeiras S.A., empresa que atua no segmento de antecipação de benefícios destinados a servidores públicos municipais.

Desde abril, segundo relatos obtidos pela reportagem junto a consultores e investidores que pediram para não ser identificados, pagamentos de dividendos e pedidos de resgate estariam sendo interrompidos, aumentando a preocupação sobre a situação da companhia.

De acordo com registros públicos, a ICA Soluções Financeiras S.A. tem como presidente Shayra Madalena Lyra de Pinho. Também integram a diretoria Reginaldo de Almeida Couto Junior e Mayanna Darck de Lyra.

Recursos

Segundo as fontes, o modelo de negócios da empresa consistia em oferecer cartões de benefícios para servidores públicos municipais, permitindo a antecipação de parte dos salários para utilização em estabelecimentos credenciados.

A remuneração da operação ocorreria por meio das taxas cobradas dos comerciantes sobre as transações realizadas e sobre a antecipação dos recebíveis. O crescimento da empresa teria sido sustentado, ainda segundo os entrevistados, por recursos captados junto a investidores privados.

Ainda conforme consultores e investidores ouvidos pela reportagem, a empresa informou que os atrasos começaram após uma auditoria do Banco Central (BC) relacionada às exigências regulatórias do sistema financeiro.

Movimentação

As fontes afirmam que os recursos da operação estavam concentrados no Banco Acesso, instituição utilizada pela empresa e ligada ao ecossistema do Banco Votorantim (BV), e que a movimentação dos valores teria sido restringida até a migração da operação para um Fundo de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC). A reportagem não teve acesso a documentos oficiais que confirmem essa versão.

Outro ponto que tem provocado preocupação entre os investidores é a exigência para assinatura de um termo de confissão de dívida como condição para a migração ao novo fundo de investimento.

Conforme relato dos entrevistados, o procedimento estaria sendo conduzido por advogados indicados pela própria empresa, mediante cobrança de honorários equivalentes a um salário mínimo por investidor. Para parte dos clientes, a medida levanta dúvidas sobre eventual conflito de interesses.

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As fontes também relatam que, ao longo dos últimos anos, a ICA promoveu eventos voltados ao mercado financeiro com a participação de nomes conhecidos do empreendedorismo e do desenvolvimento pessoal. Segundo os entrevistados, essa estratégia ajudou a fortalecer a credibilidade da empresa e transmitiu maior segurança aos investidores e consultores independentes.

Apesar do cenário de incertezas, os entrevistados afirmam que a empresa não entrou com pedido de recuperação judicial nem anunciou falência. Conforme a versão apresentada pela ICA aos investidores, a migração para o novo fundo permitiria a regularização da operação e a devolução integral dos valores aplicados.

Enquanto aguardam uma solução, investidores relatam viver um clima de apreensão diante das sucessivas mudanças nos prazos para regularização dos pagamentos. Muitos afirmam continuar sem acesso aos recursos investidos e cobram esclarecimentos sobre a situação financeira da empresa, o cronograma da migração para o novo modelo e as garantias de restituição dos valores.

Nota de esclarecimento

A ICA Soluções Financeiras informa que está passando por um processo de reorganização operacional, societária e estrutural com o objetivo de fortalecer sua governança, adequar sua estrutura de negócios e aumentar a segurança, a transparência e a eficiência de suas operações. Segundo a empresa, algumas operações estão sujeitas a cronogramas específicos de liquidação e regularização, exigindo ajustes operacionais e jurídicos compatíveis com a complexidade do processo.

A companhia afirma que tem colaborado com todas as análises e verificações às quais foi submetida e nega a existência de um bloqueio generalizado de recursos de investidores. De acordo com a ICA, eventuais limitações operacionais decorrem exclusivamente das medidas necessárias para a reestruturação em andamento. A empresa também destaca que está implementando mecanismos e estruturas de mercado voltados à proteção dos investidores, à segregação patrimonial e ao aumento da transparência.

A ICA esclarece ainda que os instrumentos de confissão de dívida apresentados a investidores têm caráter apenas formal, para consolidar obrigações já existentes e oferecer maior segurança jurídica.

A empresa afirma que segue trabalhando para concluir seu plano de reorganização e regularizar suas obrigações, mas ressalta que, devido à complexidade do processo, ainda não é possível definir uma data única para a conclusão de todos os pagamentos. Por fim, reafirma seu compromisso com a legalidade, a transparência e a comunicação com investidores e parceiros.

Banco Votorantim

O Banco Votorantim informou que não irá se manifestar ou comentar o caso em questão.

 

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