Governo inicia reação ao tarifaço dos EUA para proteger empresas e empregos

Encontros com representantes da indústria e do setor produtivo começam nesta terça-feira (21) e vão orientar a resposta do governo aos impactos da sobretaxa de 25% sobre produtos brasileiros.
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O governo federal iniciou nesta terça-feira (21) uma rodada de reuniões com representantes dos setores mais afetados pela tarifa adicional de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. Os encontros têm como objetivo levantar as principais demandas do setor produtivo e definir medidas para reduzir os impactos da sobretaxa sobre empresas, empregos e exportações.

A coordenação das reuniões ficará a cargo do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). O vice-presidente Geraldo Alckmin e o ministro da Fazenda, Dario Durigan, devem participar dos encontros.

Governo ouve setores para definir medidas de apoio

A expectativa da equipe econômica é calibrar as medidas de apoio após ouvir representantes dos segmentos mais afetados, entre eles os setores de calçados, têxtil e plástico, que mantêm forte relação comercial com o mercado norte-americano.

Entre as alternativas em estudo estão o reforço de linhas de crédito e a ampliação de instrumentos já existentes para proteger empresas e preservar empregos.

Umas das medidas previstas é o fortalecimento do Plano Brasil Soberano, criado no ano passado em resposta às primeiras barreiras comerciais impostas pelos Estados Unidos.

Na última semana, Dario Durigan afirmou que o governo já tem instrumentos preparados para reduzir os impactos da sobretaxa sobre empresas e empregos. Segundo o ministro, o Plano Brasil Soberano será ampliado para atender os setores afetados.

Apesar dos efeitos esperados sobre alguns segmentos da economia, o ministro avaliou que a medida não deve comprometer o desempenho da economia brasileira como um todo.

Impacto nas exportações

Segundo estimativas do governo, cerca de 18% das exportações brasileiras destinadas aos Estados Unidos poderão ser atingidas pela nova tarifa, o equivalente a aproximadamente ts$ 7,4 bilhões com base no fluxo comercial registrado em 2024.

Os Estados Unidos são o segundo maior parceiro comercial do Brasil. O governo afirma que, dos dez produtos americanos mais vendidos no mercado brasileiro, oito entram no país sem tarifa.

Tarifa entra em vigor

A nova tarifa de 25% foi confirmada pelo governo americano na semana passada após a conclusão de uma investigação conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974.

Embora uma série de produtos tenha sido excluída da sobretaxa, o governo brasileiro classificou a decisão como injustificada do ponto de vista econômico e motivada por razões políticas.

Em nota, o Palácio do Planalto chamou a medida de “marco lastimável” na relação entre os dois países e afirmou que poderá recorrer à Lei da Reciprocidade Econômica caso as negociações não avancem.

A sobretaxa começa a ser aplicada nesta quarta-feira (22)

Negociação continua

Mesmo após o anúncio da tarifa, o governo brasileiro afirma que seguirá buscando uma solução negociada com os Estados Unidos.

Segundo integrantes do governo, o presidente Lula orientou que o Brasil mantivesse o diálogo aberto durante todo o processo e evitasse que divergências ideológicas contaminassem as negociações.

De acordo com negociadores brasileiros, as conversas avançaram no início das tratativas, mas os representantes da Casa Branca passaram a adotar uma postura considerada inflexível nos últimos meses, incluindo exigências relacionadas ao Pix e à legislação sobre minerais críticos.

Cerca de dez dias antes da decisão americana, o Brasil apresentou propostas para responder aos seis pontos levantados pelo USTR na investigação comercial, mas, segundo o governo, não houve retorno por parte dos Estados Unidos.

 

 

 

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