Vídeo mostra capitã da PM desacordada antes de chegar morta ao hospital

Imagens mostram sargento levando Michelle Leão desacordada ao hospital; Polícia Civil aponta múltiplas lesões e investiga a dinâmica do crime
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As investigações sobre a morte da capitã da Polícia Militar Michelle Leão ganharam novos elementos após a divulgação das imagens de câmeras de segurança que registram os momentos que antecederam a chegada da oficial ao Hospital Odilon Behrens, em Belo Horizonte. O principal suspeito é o namorado da vítima, o sargento Eduardo Abner, preso em flagrante e investigado por feminicídio. Veja o vídeo:

 

Câmeras registram últimos momentos antes da chegada ao hospital

As imagens mostram o momento em que Eduardo Abner deixa o elevador de um condomínio carregando Michelle Leão desacordada nos braços. Em seguida, ele tenta colocá-la dentro do carro. A movimentação dura cerca de quatro minutos. Ao sair da garagem, a porta do veículo se abre e o corpo da capitã quase cai para fora.

Depois disso, o sargento segue até o Hospital Odilon Behrens, onde Michelle já deu entrada sem sinais vitais.

À Polícia Militar, Eduardo Abner apresentou uma versão diferente para explicar o que teria acontecido.

Segundo o porta-voz da corporação, capitão Rafael Veríssimo, o militar afirmou que, na noite anterior, o casal participou de uma confraternização na residência onde consumiu bebidas alcoólicas e drogas ilícitas. Ainda conforme o relato do suspeito, Michelle teria caído de uma escada, recusado atendimento médico e, horas depois, foi encontrada inconsciente.

“O sargento relata que, no dia anterior, houve uma confraternização na residência do casal, formada por ele e a vítima. Após essa confraternização, durante a qual, segundo o relato, houve consumo de bebidas alcoólicas e drogas ilícitas, a vítima sofreu uma queda em uma escada dentro da residência. A partir desse momento, ela passou a apresentar diversas lesões corporais.

Embora as lesões fossem graves, a vítima teria informado ao sargento que não queria atendimento hospitalar naquele momento. Ainda de acordo com o relato dele, os dois adormeceram na residência e, após várias horas, quando acordou, o sargento percebeu que a vítima já não respondia a nenhum tipo de estímulo.

Diante da situação, ele levou a vítima até um hospital, onde a equipe médica acionou a Polícia Militar e informou que ela deu entrada na unidade sem sinais vitais e com múltiplas lesões corporais.”, disse o porta-voz.

Polícia aponta lesões incompatíveis com a versão apresentada

Durante o atendimento, a médica responsável constatou traumatismo na cabeça, hematomas, lesões nas pernas e outros ferimentos considerados incompatíveis com uma morte natural, o que motivou o acionamento imediato da polícia.

Para o delegado e porta-voz da Polícia Civil, Saulo Castro, o conjunto de provas também revela um histórico de conflitos entre o casal.

“Consta também no auto de prisão em flagrante que, segundo testemunhas, o casal mantinha uma relação conturbada, marcada por idas e vindas, términos e reconciliações. Há ainda o relato de episódios de violência psicológica e violência moral supostamente praticados pelo autor contra a vítima, compondo um contexto de violência doméstica e familiar.”, afirma o delegado.

Suspeito é investigado por feminicídio

Ainda no hospital, conforme o boletim de ocorrência, Eduardo Abner pediu para ir ao banheiro acompanhado por um policial. No local, ele é suspeito de ter descartado uma caixa metálica contendo comprimidos semelhantes ao ecstasy. O material foi apreendido e encaminhado para perícia.

Após os fatos, o sargento foi preso em flagrante. Lotado em um batalhão da Polícia Militar em Belo Horizonte, ele é investigado por feminicídio.

Múltiplas lesões reforçaram prisão em flagrante

De acordo com a Polícia Civil, um dos principais fundamentos para a prisão em flagrante foi a quantidade e a gravidade das lesões encontradas no corpo da capitã.

Segundo Saulo Castro, a versão apresentada pelo suspeito ainda será confrontada com os laudos periciais e demais provas reunidas durante a investigação.

“Eu posso dizer também que um dos elementos que fundamentaram a prisão em flagrante foi a pluralidade de lesões encontradas no corpo da vítima. Há uma lesão aparente e bastante contundente na face da vítima, o que foi constatado e evidencia a gravidade do ferimento.

Segundo a versão apresentada pelo conduzido, a vítima teria caído da escada. No entanto, como o capitão Veríssimo pontuou, houve consumo de bebidas alcoólicas e drogas ilícitas por parte dos envolvidos. Diante desse contexto, há, no mínimo, a questão da assunção do risco de produzir determinadas lesões, na medida em que se faz uso deliberado dessas substâncias. Isso, em uma análise preliminar, demonstra elementos que podem indicar a existência de dolo, ou seja, da intenção de praticar o crime.”, conta o porta-voz da PCMG.

Suspeito tinha passagens por violência doméstica e histórico de relacionamento conturbado

O principal suspeito da morte da capitã Michelle Leão é o sargento da Polícia Militar Eduardo Abner, namorado da vítima. Preso em flagrante e investigado por feminicídio, o militar é lotado em um batalhão da corporação em Belo Horizonte.

Segundo a Polícia Civil, Eduardo Abner possui duas passagens por violência doméstica, registradas em 2014 e 2016, antes de ingressar na Polícia Militar, em 2015.

Além do histórico policial, testemunhas ouvidas durante a investigação relataram que o casal mantinha um relacionamento conturbado, marcado por términos e reconciliações. Os depoimentos também apontam supostos episódios de violência psicológica e moral praticados contra Michelle, elementos que, segundo a Polícia Civil, reforçam a linha investigativa de violência doméstica e familiar.

Investigação continua

A Polícia Civil informou que aguarda a conclusão dos laudos periciais, dos exames toxicológicos e de outras diligências para esclarecer a dinâmica da morte da capitã Michelle Leão.

As imagens das câmeras de segurança, os depoimentos de testemunhas, a versão apresentada pelo suspeito e os resultados da perícia serão fundamentais para a conclusão do inquérito.

Defesa pede cautela e diz confiar nas investigações

Em nota, a defesa do sargento Eduardo Abner informou que acompanha as investigações desde que tomou conhecimento do caso e afirmou ser necessário aguardar a conclusão dos laudos periciais e da apuração antes de qualquer julgamento.

O advogado Gustavo Nepomuceno Lopes destacou que o caso ainda está em fase inicial de investigação e que todas as circunstâncias serão esclarecidas pelas autoridades competentes. A defesa também afirmou confiar no devido processo legal, na imparcialidade das investigações e informou que se manifestará no momento oportuno nos autos, preservando o direito de defesa e o sigilo necessário ao andamento do procedimento.

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