Queda de Sukhoi Su-57 perto de Moscou agrava crise russa

Acidente com caça avançado impacta programa russo e intensifica tensões na guerra da Ucrânia.
Redação NC News
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Um caça furtivo Sukhoi Su-57, o mais avançado da aviação russa, cai durante um voo de treinamento nos arredores de Moscou nesta quinta-feira (23). O piloto se ejeta e sobrevive, mas a perda da aeronave abre uma crise delicada para o programa de caça de quinta geração da Rússia, já pressionado pela guerra na Ucrânia e por disputas tecnológicas com Estados Unidos e aliados.

Acidente em área sensível, versões em choque

O Ministério da Defesa da Rússia confirma a queda na região de Odintsovo e Zvenigorod, cerca de 25 km a oeste da capital, área onde fica a residência oficial de Vladimir Putin em Novo-Ogariovo. Informa apenas que o caça participava de um voo de treinamento e que “o piloto conseguiu se ejetar com sucesso”. Não há registro de vítimas em solo.

Os militares evitam dar detalhes sobre o que derruba o avião, o primeiro Su-57 de série perdido desde que o modelo entra em serviço. Fontes russas ouvidas pela imprensa especializada, porém, apontam para um cenário grave dentro da cabine. “O avião era mesmo um Su-57 que sofreu falha nos seus dois motores, algo bastante raro e sério”, dizem fontes militares russas à Folha. O perfil Fighterbomber, no Telegram, ligado a círculos da Força Aeroespacial Russa, repete a avaliação.

A versão técnica entra em choque com a narrativa que emerge quase imediatamente do outro lado da linha de frente. Veículos ucranianos e canais não oficiais sugerem que o caça poderia ter sido abatido por engano por sistemas de defesa russos em alerta máximo contra ataques de drones. Segundo uma dessas leituras, “o sistema de defesa aérea da capital, que está em alerta máximo, teria interpretado a aeronave como inimiga e a abatido”, afirma mídia especializada russa não oficial.

Fontes russas citadas pela imprensa negam a hipótese de fogo amigo e classificam a história como especulação alimentada pelo clima de guerra informacional. Por ora, nenhuma imagem de destroços com marcas claras de míssil antiaéreo circula em canais oficiais, e Moscou fala apenas em investigação em curso.

Golpe no principal programa de caça de Moscou

Mesmo sem confirmar a causa, o acidente atinge um símbolo da ambição militar russa. “O Su-57 representa o mais avançado projeto de caça desenvolvido pela Rússia desde o fim da Guerra Fria”, resume o site DefesaNet. O jato é o carro-chefe de uma geração de aeronaves que busca rivalizar com modelos como o F-22 Raptor e o F-35 Lightning II, dos Estados Unidos, em furtividade, sensores integrados e capacidade de operar em rede.

Os números mostram por que a queda de um único avião pesa tanto. Até o fim de 2025, apenas 22 dos 76 Su-57 encomendados estão efetivamente em operação na Força Aeroespacial Russa, segundo dados de institutos internacionais citados por analistas. Cada célula perdida significa reduzir a margem para treinamento, testes de armamentos e missões reais, justamente quando Moscou tenta ampliar o uso do caça em ataques de longo alcance contra a Ucrânia.

A comparação com o rival americano ajuda a dimensionar a fragilidade da frota russa. A aviação dos EUA conta hoje com 723 unidades do F-35 e 185 do F-22. Desde a estreia desses programas, os americanos já registram 14 perdas totais de F-35 e 6 de F-22, em incidentes de diferentes naturezas. O volume de aeronaves disponíveis dilui o impacto de cada acidente, algo que a Rússia não consegue replicar com um punhado de Su-57 operacionais.

O episódio também respinga na vitrine de exportação. A Argélia compra 14 unidades do Su-57, com ao menos 2 já entregues, tornando-se o primeiro operador africano de um caça de quinta geração. A Rússia exibe ainda um protótipo de versão de dois assentos, de olho em um ressurgimento do interesse da Índia no projeto. Qualquer dúvida pública sobre confiabilidade técnica ou vulnerabilidade a falhas de coordenação com a defesa aérea pode pesar em futuras negociações.

Guerra na Ucrânia e disputa por superioridade aérea

A queda ocorre em um momento em que o espaço aéreo em torno de Moscou vive tensão inédita. A cidade convive com ataques recorrentes de drones ucranianos, que forçam o país a manter baterias antiaéreas em alerta quase permanente. Em regiões sensíveis, como o entorno de Novo-Ogariovo, a malha de radares e lançadores é particularmente densa.

Esse ambiente aumenta o risco de erros de identificação e de sobreposição de protocolos entre defesa aérea e aviação de combate. Mesmo se a investigação oficial confirmar a tese de falha técnica nos dois motores, a simples circulação da hipótese de fogo amigo expõe o grau de estresse do sistema russo de proteção do espaço aéreo em plena guerra.

No campo de batalha, o incidente com o Su-57 chega logo após outro revés simbólico para Moscou. Ao depor no Congresso americano, o chefe do Estado-Maior Conjunto dos EUA, general Dan Caine, afirma que “um F-16 de fabricação americana a serviço da Ucrânia derrubou pela primeira vez um caça russo da família Flanker”. Segundo ele, o alvo é um Su-35S, o caça mais poderoso da geração anterior ao Su-57, do qual a Rússia opera 127 unidades.

O duelo, travado a longa distância, escancara a corrida de mísseis ar-ar de última geração. Equipado com o míssil R-37M, o Su-35S russo consegue atacar a cerca de 200 km. O F-16 ucraniano, armado com o AIM-120C-8, tem alcance em torno de 160 km. Na prática, quem enxerga e dispara primeiro continua levando vantagem, mas a derrubada mostra que a superioridade russa não é garantida.

Nesse contexto, o Su-57 cumpre hoje na guerra um papel mais cauteloso. A aeronave é usada principalmente para lançar mísseis de cruzeiro e armamentos guiados a longa distância, a partir de espaço aéreo controlado pela Rússia, tentando reduzir o risco de enfrentar diretamente sistemas como o Patriot. A perda de uma unidade em voo de treinamento, em casa, reforça a percepção de que o programa ainda busca maturidade plena.

Vulnerabilidades expostas e próximos passos

A investigação sobre a queda tende a se concentrar em duas frentes: confiabilidade dos motores e protocolos de coordenação com a defesa aérea. Uma falha simultânea em dois propulsores de um caça moderno está no limite do aceitável em termos de risco e costuma desencadear revisões de projeto, inspeções extraordinárias na frota e, em casos extremos, suspensão temporária de voos.

Se a hipótese de fogo amigo for considerada seriamente pelos investigadores, mesmo sem confirmação pública, a pressão recairá sobre o desenho do sistema de comando e controle em torno de Moscou. A necessidade de distinguir, em segundos, entre drones improvisados, mísseis de cruzeiro e caças de alto valor estratégico é um desafio técnico e humano. Um erro dessa natureza com o principal caça da frota seria politicamente explosivo.

O impacto imediato provavelmente será a revisão de rotas de treinamento, reforço de checagens de manutenção e, nos bastidores, uma disputa entre fabricantes, militares da aviação e operadores de defesa antiaérea sobre onde recai a responsabilidade. Para a indústria russa de defesa, que já lida com sanções e dificuldades de acesso a componentes, ajustes profundos no programa Su-57 podem significar novos atrasos em entregas previstas.

Externamente, o episódio alimenta comparações com os rivais americanos e reforça a narrativa ocidental de que o pacote tecnológico russo de quinta geração ainda não alcança o mesmo grau de maturidade. A Rússia tenta contra-atacar explorando a experiência de combate real de seus caças, algo que F-22 e parte da frota de F-35 só conhecem em cenários muito mais controlados.

Os próximos dias devem trazer imagens mais claras dos destroços, vazamentos de relatórios preliminares e uma disputa de versões entre Moscou, Kiev e analistas independentes. Até lá, a única certeza é que a queda deste Su-57 pesa mais do que um acidente isolado: ela questiona a promessa russa de um caça capaz de recolocar o país na linha de frente da superioridade aérea.

Quantos Su-57 a Rússia tem atualmente?

Segundo dados citados por analistas militares, 22 dos 76 Su-57 encomendados pela Rússia estão efetivamente em operação até o fim de 2025.

O que causou a queda do caça Su-57 perto de Moscou?

As causas oficiais ainda não são divulgadas. Fontes russas falam em falha simultânea dos dois motores; já versões não oficiais levantam suspeita de fogo amigo.

Como a queda do Su-57 afeta a confiabilidade da aeronave?

O incidente reforça dúvidas sobre a maturidade do projeto, pressiona a investigação de falhas técnicas e pode levar a inspeções extras e ajustes no programa Su-57.

Quais são as diferenças entre o Su-57 e o F-22 em combate?

Ambos são caças de quinta geração, furtivos e altamente manobráveis. Especialistas apontam furtividade superior no F-22, enquanto o Su-57 aposta mais em manobra e sensores.

O Su-57 estava em missão de treinamento quando caiu?

Sim. O Ministério da Defesa da Rússia afirma que o avião realizava um voo de treinamento nos arredores de Moscou quando ocorreu o acidente.


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