A Copenhagen Consultoria, empresa para a qual o escritório de advocacia do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) emitiu duas notas fiscais no valor total de R$ 1 milhão (posteriormente canceladas), não funciona no endereço cadastrado na Receita Federal. O endereço oficial aponta para um centro comercial em São Caetano do Sul, na Grande São Paulo.
Segundo apuração do jornal O Estado de S. Paulo, a sala 47 do edifício é ocupada exclusivamente pela Contábil Corrêa, empresa do mesmo proprietário, o empresário Rogério Lourenço Novo. No painel da recepção do prédio e na porta do conjunto comercial não constava qualquer menção à Copenhagen, e funcionários do local confirmaram que a sala abriga apenas a firma de contabilidade.
R$ 1,5 milhão em notas fiscais e o caso Banco Master
As duas empresas aparecem diretamente vinculadas a emissões de notas fiscais efetuadas pelo escritório do parlamentar:
- Copenhagen Consultoria: Em abril de 2025, o escritório do senador emitiu duas notas de R$ 500 mil cada (totalizando R$ 1 milhão), que foram canceladas em seguida.
Contábil Corrêa: No mesmo período, foi emitida uma nota de R$ 500 mil sem registro de cancelamento. - A Copenhagen é alvo de investigação pela Polícia Federal por suspeitas de ocultação e movimentação ilícita de patrimônio no âmbito do caso Banco Master. Registros apontam que a consultoria recebeu cerca de R$ 58 milhões da instituição financeira entre 2024 e 2025, parte expressiva desse montante poucos dias após o início de suas atividades.
Embora ambas as firmas declarem à Receita Federal que operam na mesma sala subdividida (salas A e B), a verificação in loco constatou a ausência de qualquer divisória ou identificação separada.
A defesa do senador
Em nota, o senador Flávio Bolsonaro afirmou que prestou serviços de assessoria jurídica de forma privada e legal para a Contábil Corrêa.
Sobre a Copenhagen Consultoria, o parlamentar explicou que a contratação não chegou a se concretizar e, por essa razão, as duas notas fiscais foram anuladas. Flávio declarou ainda que não recebeu repasses da consultoria e que desconhecia qualquer tipo de ligação entre as empresas e o Banco Master. O senador não detalhou a natureza dos serviços jurídicos prestados à Contábil Corrêa.