O Grêmio confirma a contratação do meia croata Filip Krovinović, de 30 anos, que chega para assinar contrato até o fim de 2028 e assumir a criação do time de Luís Castro.
Reforço esperado para o meio-campo
O anúncio encerra uma busca que se arrasta desde o início da temporada por um meia ofensivo destro, capaz de organizar o jogo e qualificar o último passe. O clube gaúcho aceita a proposta do Hajduk Split e aguarda apenas a etapa final do processo: a chegada do jogador a Porto Alegre, prevista para quinta-feira, para exames médicos e assinatura do vínculo.
O negócio se torna prioritário à medida que o Grêmio enfrenta dificuldades para transformar posse de bola em chances claras no Brasileirão. A direção entende que faltava ao elenco um armador experiente, com repertório em ligas fortes, para dividir responsabilidades criativas e aliviar a pressão sobre jovens da base.
Indicação direta de Luís Castro
Filip Krovinović não chega como desconhecido ao vestiário gremista. O meia é indicação direta de Luís Castro, com quem trabalha no Rio Ave, em Portugal, na temporada 2016/2017. A convivência anterior pesa na decisão do clube e na escolha do próprio atleta.
No comunicado oficial, o Grêmio destaca essa relação: “Filip Krovinović é um velho conhecido de Luís Castro. Ambos trabalharam juntos no Rio Ave (POR) na temporada 2016/17”. A diretoria aposta que essa memória técnica acelera a adaptação ao modelo de jogo, reduz o tempo de entendimento tático e diminui o risco de frustração.
O Tricolor também reforça o caráter estratégico do acordo: “O Grêmio comunica o acerto com o meio-campista croata Filip Krovinović, de 30 anos. O atleta desembarca em Porto Alegre para a realização de exames médicos e posterior assinatura de contrato com o Tricolor até o final de 2028”.
Da Croácia ao Brasil, via Benfica e Inglaterra
Formado nas bases de Lokomotiva e Dinamo Zagreb, Krovinović inicia a carreira profissional no NK Zagreb antes de deixar o país rumo ao Rio Ave. Em Portugal, ganha espaço, vira protagonista e desperta a atenção do Benfica.
Pelo clube lisboeta, soma 28 partidas pelo time principal. Não se firma como titular, mas a vitrine é suficiente para abrir as portas da Inglaterra. Em seguida, é emprestado ao West Bromwich Albion, onde vive um dos momentos mais marcantes da carreira.
O próprio clube gaúcho lembra que “em 2019, o meio-campista foi emprestado ao West Bromwich Albion, da Inglaterra, sendo peça importante na campanha que garantiu o acesso da equipe à Premier League ao término da temporada 2019/2020”. Depois, atua também pelo Nottingham Forest, ainda vinculado ao Benfica.
De volta à Croácia, assume papel de destaque no Hajduk Split, um dos gigantes locais. Logo na primeira temporada, se torna referência técnica. Segundo o material divulgado, “logo em sua primeira temporada, destacou-se como um dos principais jogadores da equipe, contribuindo com gols, assistências e desempenho consistente para a conquista da Copa da Croácia e para a campanha que levou o Hajduk Split ao vice-campeonato nacional”.
Na última temporada, entra em campo 36 vezes pelo Hajduk Split, com 2 gols e 1 assistência. Os números são discretos para um meia ofensivo, mas a avaliação interna do Grêmio considera também participação na construção, leitura de jogo e experiência em contextos de pressão.
Papel no elenco e impacto imediato
Krovinović chega para disputar vaga na função de armador central, atuando atrás dos atacantes, onde o time vinha alternando nomes sem encontrar solução definitiva. A ideia é ter um meia capaz de receber entre linhas, girar sob marcação e acionar pontas e centroavante com precisão.
O histórico em ligas competitivas pesa na aposta. Além das passagens por Benfica, West Bromwich e Nottingham Forest, o croata acumula convocações para as seleções de base do país, nas categorias sub-19 e sub-21. Esse repertório adiciona experiência internacional a um elenco que busca se firmar no meio da tabela do Brasileirão e mirar competições continentais.
O contrato longo, até o fim de 2028, revela uma aposta de médio prazo. A direção não trata Krovinović como solução emergencial, mas como peça de estrutura. A ideia é que ele lidere a faixa central do campo por mais de uma temporada, oferecendo continuidade num setor em que o clube se acostuma a trocas frequentes.
O movimento mexe na hierarquia interna. Meias que hoje brigam por espaço na armação tendem a perder minutos e podem ser deslocados para funções alternativas ou até colocados no mercado. A consequência imediata é um aumento de competitividade nos treinos, com influência direta na formação do time titular a cada rodada.
Brasileirão, mercado e expectativa da torcida
A chegada do croata ocorre em meio à disputa do Brasileirão, com o Grêmio pressionado por resultados e desempenho. A equipe melhora sob comando de Luís Castro, mas ainda oscila e sente falta de alguém que organize o time em jogos grandes, especialmente fora de casa.
Internamente, a contratação tende a redefinir prioridades de mercado. Com Krovinović, a direção se sente menos obrigada a buscar outro meia ofensivo e pode redirecionar recursos para setores considerados mais carentes, como defesa ou ataque de velocidade.
No Hajduk Split, a saída é vista como fim de ciclo de um jogador importante, mas que já cumpriu etapas e abre espaço para renovação do elenco. Para o Grêmio, é a chance de aproveitar um atleta em plena maturidade, com 30 anos, ainda em bom nível físico e com bagagem suficiente para liderar um setor.
Na arquibancada, a reação inicial mistura curiosidade e otimismo. O torcedor que acompanha o futebol europeu reconhece o nome pelo histórico em Benfica e na Inglaterra. Parte da torcida, porém, encara a chegada com cautela, à espera de comprovação em campo e adaptação ao ritmo intenso e à maratona de viagens do calendário brasileiro.
O próximo passo é objetivo: Krovinović desembarca em Porto Alegre na quinta-feira, passa por exames e, se aprovado, assina o contrato. A comissão técnica trabalha com a possibilidade de inscrevê-lo rapidamente, para que esteja à disposição ainda durante o turno do Brasileirão. O impacto real do reforço, porém, só se mede quando a bola rolar e o croata mostrar se consegue traduzir a experiência de Benfica e Inglaterra em liderança e clareza de jogo na Arena.