EUA, Venezuela e Japão: por que tantos lugares registraram terremotos?

Japão, Venezuela e Estados Unidos registraram fortes tremores em poucas horas, mas cientistas afirmam que os eventos têm causas independentes e fazem parte da dinâmica natural da Terra.
Redação NC News
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A sequência de grandes terremotos registrada em diferentes partes do planeta nesta quarta-feira chamou a atenção do mundo. Em poucas horas, o Japão foi atingido por um tremor de magnitude 6,9, a Venezuela registrou dois fortes abalos de 7,5 e 7,2, enquanto um terremoto de magnitude 5,6 sacudiu a Califórnia, nos Estados Unidos.

A coincidência levantou dúvidas nas redes sociais e reacendeu uma pergunta frequente: esses terremotos estão ligados entre si? Segundo especialistas, a resposta é não.

Os terremotos têm relação?

De acordo com a sismóloga Lucy Jones, referência mundial em terremotos, os abalos ocorreram em placas tectônicas e sistemas de falhas completamente diferentes.

Isso significa que um terremoto ocorrido no Japão, por exemplo, não provocou os tremores registrados na Venezuela ou nos Estados Unidos.

Segundo a especialista, grandes terremotos separados por milhares de quilômetros normalmente não alteram o risco de outro grande abalo em uma região distante. A coincidência está apenas na data em que aconteceram.

Então por que tantos ocorreram no mesmo dia?

Os cientistas explicam que a Terra está em constante movimento.

As placas tectônicas se deslocam lentamente durante milhões de anos, acumulando enormes quantidades de energia. Quando essa tensão ultrapassa o limite suportado pelas rochas, ocorre a ruptura que provoca os terremotos.

Como diferentes regiões do planeta acumulam tensão ao mesmo tempo, não é incomum que grandes abalos aconteçam em datas próximas, mesmo sem qualquer ligação entre eles.

Especialistas ressaltam que não existe evidência científica de um “efeito dominó” global entre terremotos tão distantes.

Por que o Japão sofre tantos terremotos?

Entre todos os países atingidos, o Japão está justamente em uma das áreas mais instáveis do planeta.

O arquipélago fica sobre o encontro de quatro placas tectônicas: Pacífica, Filipina, Eurasiática e Norte-Americana.

Esse encontro faz parte do chamado Anel de Fogo do Pacífico, faixa que concentra cerca de 90% da atividade sísmica mundial e aproximadamente 20% dos terremotos de magnitude superior a 6 registrados no planeta.

É justamente nessa região que ocorre o fenômeno conhecido como subducção, quando uma placa mergulha sob outra, liberando enorme quantidade de energia.

O que é a subducção?

A subducção acontece quando duas placas tectônicas se encontram e uma delas desliza para baixo da outra.

Esse movimento pode durar décadas ou séculos até que a pressão acumulada seja liberada de forma brusca, originando terremotos.

Quando ocorre no fundo do oceano, o deslocamento do solo também pode mover grandes volumes de água e provocar tsunamis.

Foi exatamente esse processo que deu origem ao terremoto de magnitude 9,0 de 2011, responsável pela tragédia de Fukushima.

É possível prever um terremoto?

Apesar dos avanços tecnológicos, a resposta ainda é não.

Segundo especialistas, equipamentos modernos conseguem detectar rapidamente um terremoto depois que ele começa e emitir alertas segundos antes da chegada das ondas sísmicas em determinadas regiões.

No entanto, a ciência ainda não consegue prever exatamente quando, onde ou com qual intensidade um grande terremoto acontecerá.

Por isso, países como Japão, Chile e Estados Unidos investem em sistemas de monitoramento, normas rígidas de construção e treinamentos constantes da população.

Por que o Brasil quase não registra grandes terremotos?
Ao contrário do Japão, o Brasil está localizado no interior da Placa Sul-Americana, longe das bordas onde acontecem os maiores choques entre placas tectônicas.

Por esse motivo, o país registra apenas pequenos tremores ocasionais, geralmente provocados por falhas geológicas internas e sem potencial destrutivo semelhante ao observado em regiões como Japão, Chile e Indonésia.

Entenda o contexto

A sequência de terremotos registrada nesta quarta-feira e o forte terremoto desta terça (28) chamou atenção pelo número de países afetados em poucas horas e poucos dias. Apesar disso, especialistas afirmam que não há relação entre os eventos. Cada abalo ocorreu em um contexto geológico próprio, resultado da movimentação natural das placas tectônicas.

O episódio também reforça por que países como o Japão convivem frequentemente com terremotos: sua localização sobre o Anel de Fogo do Pacífico faz com que a atividade sísmica seja permanente. Embora seja impossível prever quando um grande tremor ocorrerá, sistemas de monitoramento e preparação da população ajudam a reduzir os impactos dessas tragédias.

 

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