Super El Niño: o que pode acontecer no Brasil e por que governo já separou R$ 1,3 bilhão

Fenômeno deve aumentar o risco de chuvas intensas, enchentes, secas e queimadas em diferentes regiões; plano federal reúne medidas para tentar antecipar os impactos
Redação NC News
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O governo federal decidiu se antecipar aos possíveis efeitos do Super El Niño e anunciou nesta quarta-feira (29) um pacote de R$ 1,335 bilhão para ações de prevenção e resposta a eventos climáticos extremos.

O fenômeno, marcado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico, começou na segunda quinzena de julho e, segundo as projeções apresentadas pelo governo, deve continuar até o início de 2027. A preocupação é que os efeitos não sejam iguais em todo o país: enquanto algumas regiões podem enfrentar chuva acima do normal, outras podem sofrer com seca prolongada.

O anúncio foi feito durante uma reunião ministerial em Brasília que contou com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o vice-presidente Geraldo Alckmin, 24 ministros e representantes de órgãos ligados ao monitoramento climático.

Por que o governo está preocupado com o Super El Niño?

O El Niño é um fenômeno natural provocado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico. Esse aumento da temperatura altera a circulação da atmosfera e pode modificar o regime de chuvas e temperaturas em diferentes partes do planeta.

O problema é que, em um cenário de aquecimento global, os impactos de eventos climáticos extremos podem ser potencializados.

Por isso, o governo decidiu montar um plano antes que os efeitos mais fortes apareçam.

A estratégia considera informações do Cemaden, Inmet, ANA, Serviço Geológico do Brasil, Defesa Civil Nacional e Inpe, órgãos que monitoram chuva, rios, secas, incêndios e áreas de risco.

O que pode acontecer em cada região do Brasil?

Um dos pontos mais importantes do alerta é que o Super El Niño não deve produzir o mesmo efeito em todo o território brasileiro.

Sul pode ter mais chuva
No Sul do país, a projeção é de um inverno com menos frio e mais chuva.

Esse cenário aumenta a preocupação com:

alagamentos, enchentes, deslizamentos, transtornos nas cidades, danos à agricultura e à infraestrutura.

A região já sofreu episódios severos de eventos climáticos nos últimos anos, o que torna a preparação ainda mais importante.

Norte e Nordeste podem enfrentar seca

Enquanto o Sul pode ter chuva acima do esperado, a situação tende a ser diferente no Norte e no Nordeste.

As projeções apontam para uma redução das chuvas e possibilidade de seca prolongada.

A consequência pode ser o aumento do risco de:

estiagem, queimadas, redução da disponibilidade de água, problemas para agricultores;
impactos sobre comunidades tradicionais.
É justamente essa diferença entre as regiões que dificulta uma resposta única para todo o país.

Onde os R$ 1,3 bilhão serão usados?

O dinheiro anunciado pelo governo será distribuído entre diferentes frentes.

Uma parcela de R$ 998 milhões será direcionada para ações relacionadas a abastecimento de alimentos, segurança alimentar, saúde e monitoramento hidrológico.

Também estão previstos recursos para:

monitoramento dos níveis dos rios, distribuição de alimentos, apoio a agricultores familiares;
atendimento a povos e comunidades tradicionais, fiscalização ambiental, prevenção e combate a incêndios florestais.

O plano prevê ainda R$ 25 milhões para monitoramento do nível dos rios e R$ 65 milhões para a distribuição de 350 mil cestas de alimentos destinadas a povos e comunidades tradicionais, pesquisadores artesanais e agricultores familiares.

Outros R$ 13 milhões serão destinados ao Programa de Aquisição de Alimentos para beneficiar 21,6 mil agricultores da Região Norte.

Por que o governo decidiu agir antes?

A principal diferença deste plano é justamente a tentativa de antecipar a resposta.

Em vez de esperar uma enchente, uma seca ou uma onda de incêndios para depois liberar recursos, o governo pretende identificar previamente as áreas mais vulneráveis e preparar ações junto a estados e municípios.

A ideia é utilizar as previsões climáticas para definir onde concentrar equipes, recursos e estruturas de resposta.

O presidente Lula destacou durante a reunião que considera importante o fato de o governo estar se preparando antes dos possíveis efeitos mais graves.

“Se ele vai acontecer de forma grave, estamos preparados”, afirmou o presidente durante o encontro.

O que muda para quem vive em áreas de risco?

Na prática, o impacto do plano pode aparecer de diferentes maneiras.

Em regiões com possibilidade de enchentes, o monitoramento dos rios pode ajudar a antecipar alertas e orientar ações da Defesa Civil.

Onde a preocupação é com seca, a prioridade passa pelo abastecimento, segurança alimentar e apoio às comunidades que dependem diretamente da agricultura e dos recursos naturais.

Já em áreas com risco de queimadas, o foco será reforçar fiscalização, monitoramento e combate aos incêndios.

A eficácia das medidas, porém, dependerá também da atuação conjunta com governos estaduais e municipais.

O que é o Super El Niño?

O El Niño acontece quando as águas do Oceano Pacífico, na região próxima à linha do Equador, ficam anormalmente mais quentes.

Esse aquecimento modifica a circulação atmosférica e interfere no comportamento do clima em diferentes regiões do planeta.

O fenômeno é natural e acontece de tempos em tempos.

O que preocupa neste episódio é a possibilidade de seus efeitos se somarem a um planeta que já está mais quente por causa das mudanças climáticas.

Isso pode contribuir para aumentar a intensidade de determinados eventos extremos.

Até quando deve durar?

De acordo com as projeções apresentadas pelo governo, o fenômeno começou na segunda quinzena de julho de 2026 e deve permanecer até o início de 2027.

Isso significa que as autoridades terão de acompanhar as condições climáticas durante os próximos meses e ajustar as ações de acordo com a evolução dos riscos.

O cenário também pode mudar ao longo do período, já que fenômenos climáticos não produzem necessariamente os mesmos efeitos durante toda a sua duração.

O que acontece agora?

O governo deverá acompanhar a evolução do fenômeno por meio dos órgãos de monitoramento e trabalhar com estados e municípios para identificar as regiões mais expostas.

A prioridade é evitar que o país seja surpreendido por eventos extremos e tenha de começar a organizar a resposta somente depois que o problema já estiver instalado.

O desafio será transformar o planejamento e o dinheiro anunciado em ações concretas nas regiões que realmente precisarem.

ENTENDA O CONTEXTO

O El Niño é um fenômeno climático natural provocado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico. Ele altera a circulação atmosférica e pode mudar o padrão de chuva e temperatura em diferentes regiões.

No episódio atual, o governo federal trabalha com a possibilidade de impactos mais fortes no Brasil. O Sul aparece como uma área de atenção para excesso de chuva, enchentes e deslizamentos, enquanto Norte e Nordeste podem enfrentar redução das chuvas, seca e aumento do risco de queimadas.

Por isso, o governo anunciou R$ 1,335 bilhão para prevenção e resposta.

O dinheiro será usado em áreas como saúde, segurança alimentar, monitoramento dos rios, fiscalização ambiental, combate a incêndios e apoio a comunidades e agricultores.

A previsão é que o fenômeno siga até o início de 2027.

 

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