A senadora Tereza Cristina (PP-MS) disse “sim” e aceitou ser candidata a vice-presidente na chapa de Flávio Bolsonaro (PL). A decisão, comunicada nesta quinta-feira (30), implodiu o discurso de neutralidade da federação União Progressista e colocou fogo no xadrez político para a Presidência da República.
A guinada acontece após semanas de resistência. O plano original de Tereza Cristina era seguir no Senado e brigar pela presidência da Casa em 2027. O recuo veio após uma reunião decisiva em Brasília na última quarta-feira (29) e um bombardeio de telefonemas de lideranças do PL e de gigantes do agronegócio.
A força do “Trator do Agro”
A escolha de Valdemar Costa Neto, presidente do PL, não foi por acaso. A presença da senadora na chapa funciona como um ímã poderoso para atrair os bilhões do agronegócio para a campanha bolsonarista.
Para o setor, que domina fatias expressivas do PIB nacional, a ex-ministra representa a garantia de uma linha direta com o Palácio do Planalto em um eventual governo.
A presença de Tereza Cristina consolida a narrativa de que o bolsonarismo é o único caminho seguro para as pautas prioritárias do campo, como crédito rural, segurança e regras ambientais flexíveis.
PP contra a parede
Com o sim da senadora, o Centrão agora precisa desarmar uma bomba-relógio. O presidente nacional do PP, Ciro Nogueira, iniciou uma corrida contra o tempo para medir a febre nos estados.
O problema é explosivo:
- Racha iminente: Cerca de 90% da cúpula da federação União Progressista (PP e União Brasil) defendia a neutralidade para proteger acordos regionais.
- O Rosto do Centrão: Ao assumir a vice, Tereza Cristina vira o símbolo da aliança com o PL, forçando as lideranças que negociam com adversários de Bolsonaro a se explicarem nos palanques.
- Prazo fatal: A convenção nacional do PP está marcada para 5 de agosto. Até lá, o partido terá que escolher se embarca de vez na polarização nacional ou se tenta salvar as alianças estaduais.
Se o PP confirmar o apoio, a campanha presidencial ganha um novo contorno de força. Se recuar, o movimento de Tereza Cristina entrará para a história como a jogada que ameaçou rachar o Centrão ao meio.