Piloto desaparece no Tietê e embarcação de lagosta é suspensa

Homem desaparece durante navegação no Rio Tietê e pesca é temporariamente proibida para embarcação envolvida.
Redação NC News
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O piloto Guiomar Gimenes, de 61 anos, desaparece no Rio Tietê, em Promissão (SP), enquanto conduzia uma embarcação. No mesmo momento, o governo federal suspende por 30 dias a autorização de pesca do barco Elizangela Arli, especializado na captura de lagosta em boa parte do litoral brasileiro.

Os dois episódios expõem, em cenários distintos, a pressão sobre a segurança na navegação e o endurecimento da fiscalização sobre embarcações de trabalho, do interior paulista ao mar aberto.

Sumiço em meio ao vento forte no Tietê

Guiomar, morador de Mendonça (SP) e piloto experiente, navegava pelo Tietê na região de um porto de areia quando decide deixar o comando do barco para um colega. Ele vai até uma das escadas da embarcação em um momento de vento forte e, segundo relato da família, desaparece em seguida.

O colega só percebe a ausência pouco depois e aciona as autoridades. Um boletim de ocorrência é registrado, e o Corpo de Bombeiros inicia as buscas ainda na noite do sumiço. As equipes retomam o trabalho ao longo do dia seguinte e mantêm as operações de resgate neste momento, com varredura na área do rio e apoio de embarcações de apoio.

O g1 Bauru e Marília registra que “ele sumiu na noite de quarta-feira (29) durante uma navegação”. A família acompanha as buscas de perto e pressiona por respostas sobre o que aconteceu nos minutos em que o piloto deixa a cabine para ir até a escada.

Pressão por respostas e debate sobre segurança

O caso mobiliza moradores de Mendonça e de Promissão, acostumados a ver o Tietê como rota de lazer, pesca esportiva e transporte regional. A imagem de um piloto veterano sumindo em poucos minutos em um trecho conhecido do rio acende o alerta para os riscos da navegação fluvial em condições adversas de tempo.

As circunstâncias do desaparecimento, em meio a ventos fortes, tendem a alimentar questionamentos sobre medidas de segurança usadas na embarcação, como uso efetivo de coletes salva-vidas, barreiras físicas em áreas de risco e protocolos para circulação da tripulação fora da cabine. A investigação da Polícia Civil e de órgãos náuticos deve mirar eventuais falhas de procedimento, sem descartar causas acidentais.

Enquanto as buscas seguem, o movimento de embarcações na região fica mais tenso. Barqueiros e operadores turísticos reforçam cuidados, e a própria presença de bombeiros no rio altera a rotina de lazer de moradores e visitantes. A família de Guiomar vive a angústia da espera, enquanto aguarda qualquer pista que indique o paradeiro do piloto.

Governo trava por 30 dias barco de lagosta

Longe do interior paulista, outra embarcação entra no foco do poder público. O Ministério da Pesca e Aquicultura publica no Diário Oficial da União a suspensão, por 30 dias corridos, da autorização de pesca da embarcação Elizangela Arli. A sanção vale por 30 dias a partir da data de publicação.

O barco atua na modalidade de covos, armadilhas usadas para capturar lagosta verde (Panulirus laevicauda) e lagosta vermelha (Panulirus argus). A área autorizada de operação abrange o mar territorial e a Zona Econômica Exclusiva das regiões Norte, Nordeste e Sudeste, numa faixa que vai do Amapá ao Espírito Santo.

Segundo o ato assinado pela Secretaria Nacional de Registro, Monitoramento e Pesquisa da Pesca e Aquicultura, a medida tem base no artigo 44 da Portaria MPA nº 606, de dezembro de 2025, que disciplina sanções administrativas na atividade pesqueira. O barco está inscrito no Registro Geral da Atividade Pesqueira (RGP) sob o número CE-0001683-5 e na Autoridade Marítima sob o número 163-003781-8.

Risco de cancelamento e impacto econômico

Na prática, a Elizangela Arli fica impedida de realizar qualquer cruzeiro de pesca durante o período de suspensão. O próprio Ministério da Pesca e Aquicultura alerta, no texto oficial, que “o descumprimento da sanção imposta pode gerar o cancelamento definitivo da Autorização de Pesca”.

A decisão atinge diretamente a cadeia produtiva ligada à lagosta, um dos produtos mais valorizados da pesca nacional, com forte presença em exportações e no abastecimento de restaurantes. Tripulantes, armadores, intermediários e comerciantes podem sentir o efeito imediato da paralisação de 30 dias, sobretudo em localidades costeiras que dependem da pesca de alto valor comercial.

O endurecimento do controle, porém, é visto dentro do governo como necessário para garantir a sustentabilidade do estoque de lagostas e o cumprimento das regras ambientais. A Portaria MPA nº 606 estabelece um conjunto de exigências para embarcações industriais, incluindo respeito a períodos de defeso, limites de captura e equipamentos de rastreamento.

A suspensão da Elizangela Arli funciona como recado para outras embarcações de pesca de lagosta e de outras espécies: o MPA demonstra disposição de usar o arsenal completo de sanções, inclusive a ameaça de cancelamento definitivo, contra quem descumprir normas.

Segurança nos rios, fiscalização no mar

Os dois casos expõem faces complementares de um mesmo cenário. No interior, o desaparecimento de Guiomar reforça o debate sobre segurança cotidiana da navegação em rios, muitas vezes vista como atividade de baixo risco e conduzida com menos equipamentos e treinamentos do que no ambiente marítimo.

Na costa, a suspensão da Elizangela Arli sinaliza uma guinada de rigor na gestão da pesca, com impacto direto sobre embarcações de trabalho, frotas empresariais e comunidades pesqueiras. O recado é que o cumprimento de regras, de equipamentos obrigatórios a limites de captura, deixa de ser recomendação e passa a significar sobrevivência econômica do negócio.

As próximas semanas devem trazer desdobramentos concretos. No Tietê, o resultado das buscas por Guiomar e eventuais laudos podem levar à revisão de protocolos, campanhas de conscientização e, se houver evidências de falhas, responsabilizações. No mar, o comportamento da Elizangela Arli durante a suspensão e novas ações de fiscalização indicarão se o Ministério da Pesca pretende estender esse padrão de rigor a outras embarcações, influenciando a formulação de políticas para um setor que tenta conciliar exploração econômica e preservação dos recursos marinhos.

O que aconteceu com o piloto desaparecido no Rio Tietê?

O piloto Guiomar Gimenes, de 61 anos, some após deixar o comando do barco para um colega e ir até a escada da embarcação, em meio a ventos fortes. O Corpo de Bombeiros mantém as buscas no Rio Tietê, em Promissão (SP), e ele ainda não é localizado.

Por que o governo suspendeu a autorização de pesca da embarcação de lagosta?

O Ministério da Pesca e Aquicultura aplica uma suspensão de 30 dias à autorização de pesca da embarcação Elizangela Arli com base em medidas administrativas previstas na Portaria MPA nº 606, de dezembro de 2025. A decisão, registrada no Diário Oficial da União, busca reforçar a fiscalização da atividade pesqueira e prevê, em caso de descumprimento, o cancelamento definitivo da autorização.


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