Acidente com dois caminhões mata casal na BR-277 em Campo Largo, Curitiba

Colisão grave entre veículos na BR-277 em Campo Largo causa mortes e interdita a rodovia por horas.
Redação NC News
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Um grave acidente entre dois caminhões e um carro mata duas pessoas na BR-277, em Campo Largo, na Região Metropolitana de Curitiba, na madrugada desta sexta-feira (31). As vítimas são um homem de 42 anos e uma mulher de 27, que viajavam em um caminhão bitrem carregado de soja.

A batida acontece em um trecho já afetado por outro acidente e paralisa por horas o fluxo no sentido norte da rodovia, estratégica para o transporte de cargas no Paraná.

Batida em fila formada por atendimento a outro acidente

O choque ocorre no km 131 da BR-277 enquanto equipes da Polícia Rodoviária Federal (PRF) e da concessionária Via Araucária atendem o destombamento de um caminhão no km 127. Por volta das 3h, um rodotrem carregado de ureia e um carro de passeio aguardam em fila quando o bitrem das vítimas atinge violentamente a traseira do rodotrem.

O impacto empurra o rodotrem contra o carro, que é atingido lateralmente e acaba no canteiro central. No veículo de passeio viajavam quatro adultos e uma criança. Todos saem ilesos. O motorista do rodotrem também não se fere.

No bitrem, o casal fica preso às ferragens da cabine, que se deforma por completo. Equipes de resgate trabalham no local, mas os dois ocupantes não resistem. A identidade das vítimas não é divulgada oficialmente até o momento.

Sem marcas de freada e tacógrafo entre 80 km/h e 90 km/h

As circunstâncias do acidente ainda são apuradas. O policial civil Rodrigo Podegurski, que acompanha o atendimento, afirma que não há sinais de tentativa de frenagem antes da colisão traseira.

Segundo ele, o tacógrafo – equipamento que registra velocidade e tempo de direção – do caminhão bitrem aponta que o veículo trafega entre 80 km/h e 90 km/h pouco antes do impacto. Para o trecho, esse patamar é considerado alto diante da fila formada por causa do destombamento adiante.

“Não se sabe se ele bateu, se estava utilizando celular, se teve mal súbito, ou se simplesmente dormiu”, diz Podegurski. A hipótese de falha mecânica não é descartada, mas os primeiros indícios reforçam a possibilidade de falha humana.

Rodovia bloqueada por horas e impacto em série

O acidente agrava a já delicada situação da BR-277 nesta manhã. O sentido norte da rodovia fica totalmente interditado na altura de Campo Largo, com desvio improvisado pelo acostamento. O tráfego só é liberado por volta das 11h, depois de cerca de oito horas de bloqueio e lentidão.

A BR-277 é um dos principais eixos de ligação entre o interior do Paraná e a capital, usada intensamente para o escoamento de soja, fertilizantes e produtos industriais. Caminhões bitrem e rodotrem, como os envolvidos no acidente, são comuns na via. Cada interrupção longa afeta prazos de entrega, custos de frete e a rotina de milhares de motoristas.

Motoristas que seguem em direção a Curitiba e ao interior relatam congestionamentos extensos e viagens bem mais longas. Mesmo quem não se envolve em colisões enfrenta atrasos e risco maior de novos incidentes em pistas estreitas, trechos de acostamento e acessos improvisados.

Risco em atendimentos e pressão por segurança

O caso expõe a fragilidade da operação em rodovias com grande fluxo de veículos pesados quando ocorre um primeiro acidente. A fila gerada pelo destombamento no km 127 cria uma situação de vulnerabilidade para quem está parado, especialmente à noite e de madrugada, quando a visibilidade diminui e o cansaço pesa sobre os caminhoneiros.

Especialistas em trânsito apontam que a combinação entre longas jornadas ao volante, pressão por entrega rápida e trechos com obras ou bloqueios aumenta a chance de colisões traseiras. Em cenários assim, qualquer segundo de distração – seja por celular, sono ou mal súbito – pode ser fatal.

A investigação policial foca justamente nesse conjunto de fatores. A análise do tacógrafo, de possíveis imagens de câmeras da rodovia e de laudos periciais deve indicar se houve excesso de velocidade para as condições da via, desatenção ou problema de saúde do motorista do bitrem.

Pressão por mudanças na gestão da BR-277

A repercussão do acidente reacende o debate sobre segurança na BR-277, em especial nos trechos da Grande Curitiba. Moradores, motoristas e entidades do setor de transporte cobram há anos melhorias na infraestrutura, mais áreas de escape, sinalização reforçada em casos de interdição e protocolos mais rígidos durante atendimentos na pista.

A concessionária Via Araucária e a PRF tendem a revisar os procedimentos adotados na madrugada, como a extensão da área isolada, o uso de viaturas com luzes de alerta em trechos anteriores à fila e a comunicação com motoristas por painéis e aplicativos de trânsito. Medidas assim podem reduzir a chance de que um novo acidente ocorra enquanto equipes lidam com outro.

As mortes do homem de 42 anos e da mulher de 27 também chamam atenção para a vulnerabilidade dos trabalhadores do transporte rodoviário. Caminhoneiros enfrentam jornadas exaustivas, muitas vezes com poucos pontos seguros para descanso, em rodovias sobrecarregadas. O resultado se vê nas estatísticas de sinistros e em tragédias como a desta madrugada.

As investigações seguem em andamento e devem orientar medidas futuras de fiscalização, campanhas educativas e ajustes de engenharia na BR-277. O desfecho do inquérito e a eventual adoção de novos protocolos terão peso direto na rotina de quem depende da rodovia para trabalhar ou se deslocar diariamente.

 

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