Caiado e Ratinho redefinem a política até 15/8

Governadores influenciam alianças e estratégias para as eleições presidenciais de 2026, segundo pesquisa recente.
Redação NC News
ouça este conteúdo
00:00 / 00:00
1x

A disputa entre Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro ganha contornos regionais decisivos enquanto a pesquisa Quaest revela governadores estrelados e vulneráveis em 10 estados e as convenções partidárias correm para fechar candidaturas até 5 de agosto.

Os números de aprovação e desaprovação dos governos estaduais, somados à oficialização dos nomes para a Presidência e aos acordos nos palanques regionais, reposicionam forças e pressionam partidos a ajustar estratégias às vésperas do registro das chapas na Justiça Eleitoral, que vai até 15 de agosto.

Caiado dispara, Ratinho consolida e Castro vira problema no RJ

O dado mais estridente da rodada de julho da Quaest é o de Ronaldo Caiado, do PSD de Goiás. O ex-governador aparece com “87% de aprovação” e apenas 7% de desaprovação, segundo o instituto. O índice transforma Caiado em ativo nacional de primeira linha num momento em que seu partido tenta ampliar espaço no próximo ciclo de poder.

No Paraná, Ratinho Júnior, também do PSD, segue a mesma trilha. A pesquisa indica “81% de aprovação” para o governador, patamar que o coloca como um dos poucos líderes estaduais capazes de transferir votos em escala para aliados, em especial para o campo que tenta se descolar da polarização direta entre Lula e Flávio Bolsonaro.

O quadro é bem mais áspero no Rio de Janeiro. Cláudio Castro, ex-governador fluminense ligado ao PL, aparece com “54% de desaprovação” e, segundo a Quaest, “se tornou o único ex-governador do levantamento com mais desaprovação do que aprovação, saldo negativo de 26 pontos percentuais”. A fragilidade abre flanco no principal reduto político da família Bolsonaro e dificulta a montagem de um palanque robusto para o senador Flávio.

Nordeste e Norte reforçam Lula; Flávio busca espaço

No Nordeste, a fotografia favorece o campo lulista. Em Pernambuco, Raquel Lyra, do PSDB, ganha tração. A Quaest registra que a governadora “passou de 62% para 68% de aprovação”, ao mesmo tempo em que a desaprovação cai de 35% para 23%. O movimento reforça seu peso como fiadora de alianças locais e interlocutora disputada por PT, PSB e partidos de centro.

Na Bahia, Jerônimo Rodrigues, do PT, soma 57% de aprovação e, segundo o instituto, “52% dizem que ele merece ser reeleito”. O governador chega competitivo para a própria disputa estadual e serve de âncora para o projeto de Lula num dos maiores colégios eleitorais do país, onde o bolsonarismo ainda sofre para consolidar nomes.

No Ceará, Elmano de Freitas tem 52% de aprovação, mas governa em ambiente claramente rachado: entre eleitores lulistas, chega a 77% de aprovação; entre bolsonaristas, enfrenta 67% de desaprovação. A divisão expõe como o embate nacional invade a política local e torna cada palanque regional um campo de teste para Lula e Flávio.

No Norte, o MDB ocupa posição estratégica. No Pará, Helder Barbalho sobe de 63% para 66% de aprovação antes de deixar o governo para disputar o Senado, enquanto sua sucessora, Hana Ghassan, estreia com 49% de aprovação e 21% de desaprovação. A dupla se torna vitrine para a aliança com Lula, que aposta em Hana para manter o controle do estado e garantir um palanque coeso na região.

São Paulo e Minas viram tabuleiro central da sucessão

São Paulo segue como o grande prêmio da disputa nacional. Tarcísio de Freitas, do Republicanos, mantém 55% de aprovação, número considerado estável pela Quaest, mas distante do auge da série histórica. O desgaste moderado alimenta a ofensiva de Lula sobre o eleitorado paulista, enquanto Flávio Bolsonaro tenta segurar o aliado como principal vitrine de gestão do seu campo.

A leitura do instituto aponta que o eleitor de Tarcísio não pede ruptura, mas mudança: “38% querem mudar apenas o que não está funcionando, 33% querem mudar totalmente e 26% defendem a continuidade”. O dado indica um eleitorado aberto a negociações, tanto no plano estadual quanto na escolha para a Presidência.

Em Minas Gerais, a transição também reconfigura o jogo. Romeu Zema, do Novo, mantém 52% de aprovação e 41% de desaprovação, mas deixa o cargo para concorrer ao Planalto, abrindo espaço para o vice, Mateus Simões, que estreia com 36% de aprovação. A gestão de Zema é aprovada por 80% dos bolsonaristas e rejeitada por 55% dos lulistas, o que o coloca mais próximo do campo de Flávio, mesmo que tente se vender como alternativa liberal independente.

Lula, Flávio e o xadrez dos palanques estaduais

Enquanto as pesquisas circulam, as convenções partidárias dão forma definitiva à disputa presidencial. O PT confirma que “Luiz Inácio Lula da Silva busca o quarto mandato presidencial”, repetindo a dobradinha com Geraldo Alckmin, do PSB, como vice. O objetivo é transformar governadores aliados em multiplicadores da campanha, sobretudo no Nordeste e em grandes capitais.

No outro polo, o PL oficializa Flávio Bolsonaro candidato à Presidência. Na fala que resume sua missão, o partido afirma que o senador “assume a tarefa de preservar a influência política de Jair Bolsonaro e manter a agenda conservadora”. O posto de vice permanece em aberto, reflexo das dificuldades para costurar um nome competitivo que una direita tradicional e bolsonarismo raiz.

O PSD entra na corrida com a chancela dos números de Caiado. A sigla informa que “oficializou a candidatura de Ronaldo Caiado em 26 de julho, com Gilberto Kassab como vice”. O partido tenta ocupar o espaço do centro pragmático, explorando a aprovação recorde em Goiás e a força de Ratinho Júnior no Paraná para negociar apoios cruzados em segundo turno.

Nos estados, as chapas começam a espelhar a divisão nacional. No Norte, Lula apoia nomes como Hana Ghassan no Pará e candidatos de PSB e MDB em outros estados, enquanto Flávio ergue palanques em ao menos seis unidades da região. No Nordeste, o presidente reúne nove candidaturas governistas, como João Campos, do PSB, em Pernambuco, e Jerônimo Rodrigues, na Bahia, deixando o campo bolsonarista em posição defensiva.

Em São Paulo, Lula se ancora na candidatura de Fernando Haddad, do PT, que tenta se beneficiar do desgaste gradual de Tarcísio. Flávio aposta na reeleição do governador paulista como locomotiva da direita. Em Minas, Romeu Zema cruza seu projeto presidencial com a sucessão estadual, enquanto no Rio o PL busca candidaturas como a de Douglas Ruas para tentar compensar a rejeição a Cláudio Castro.

Margem de erro curta, prazos apertados e próximo round

A Quaest realiza as entrevistas de julho com amostras estaduais que variam de 900 a mais de 1,600 eleitores, sempre com margem de erro de 3 pontos percentuais, exceto em São Paulo, onde o índice cai para 2 pontos. O grau de confiança é de 95%, padrão usado para projetar os resultados para o conjunto do eleitorado.

Os números chegam justamente na reta final das convenções, que precisam bater o martelo sobre candidatos e alianças até 5 de agosto. O prazo seguinte, em 15 de agosto, marca o limite para registro das candidaturas na Justiça Eleitoral. A partir de 16 de agosto, começa a propaganda eleitoral, quando a força real de cada palanque será testada no horário gratuito e nas ruas.

Governadores com aprovação alta entram nesse período como ativos cobiçados, capazes de arrastar recursos, tempo de TV e votos. Gestores com saldo negativo, como Cláudio Castro, tornam-se fonte de tensão interna e risco de contaminação para candidaturas associadas. A campanha, no entanto, ainda pode mexer nas curvas de aprovação, à medida que a economia, a segurança e serviços básicos entrem no centro do debate público.

Os próximos dias definem o desenho final dos palanques. A partir daí, o jogo passa do bastidor para o confronto direto nas pesquisas de intenção de voto e na propaganda, em uma eleição que promete alto grau de competitividade e forte impacto na correlação de forças entre o Planalto e os governos estaduais a partir de 2027.

O que a pesquisa Quaest de julho mostra sobre os governadores?

A pesquisa Quaest de julho de 2026 mostra que Ronaldo Caiado tem 87% de aprovação em Goiás, Ratinho Júnior 81% no Paraná, Raquel Lyra 68% em Pernambuco e Cláudio Castro lidera a desaprovação no Rio, com 54%, revelando governadores muito fortes e outros fragilizados às vésperas das eleições.

Como os palanques estaduais influenciam Lula e Flávio Bolsonaro?

Os palanques estaduais influenciam Lula e Flávio Bolsonaro porque governadores bem avaliados, como Caiado, Ratinho Júnior e Jerônimo Rodrigues, podem transferir apoio e estrutura, enquanto gestões rejeitadas, como a de Cláudio Castro no Rio, enfraquecem alianças locais e dificultam a construção de maiorias para cada campo na disputa presidencial.

Quais são os prazos mais importantes do calendário eleitoral agora?

Os prazos mais importantes do calendário eleitoral agora são 5 de agosto para que convenções definam oficialmente candidaturas, 15 de agosto para registro de todos os candidatos na Justiça Eleitoral e 16 de agosto para início da propaganda de rádio, TV e internet, quando o impacto dos palanques será testado diretamente.


Carregar Comentários