O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez neste domingo (2) um discurso marcado por apelos à militância, críticas a adversários nacionais e internacionais e uma defesa enfática de seu governo durante a convenção nacional do PT, que oficializou sua candidatura à reeleição em 2026.
Logo no início da fala, Lula surpreendeu ao reconhecer uma falha na organização do próprio evento. O presidente afirmou que nenhuma mulher havia sido escalada para discursar oficialmente na convenção e classificou a situação como um erro que também era de sua responsabilidade. Em seguida, quebrou o protocolo e chamou a primeira-dama Janja Lula da Silva ao palco para representar as mulheres durante a cerimônia.
Ao longo de mais de uma hora de discurso, Lula alternou momentos de descontração, relatos pessoais e recados políticos. Em um dos trechos mais comentados, comparou sua trajetória eleitoral à carreira de grandes nomes do futebol mundial.
“Pelé disputou quatro Copas. Messi e Cristiano Ronaldo jogaram seis. Essa é a minha sétima Copa”, afirmou, em referência às sete eleições presidenciais das quais participou: 1989, 1994, 1998, 2002, 2006, 2022 e agora 2026. O presidente lembrou que, se vencer a disputa deste ano, conquistará o quarto mandato no Palácio do Planalto.
Lula também fez um discurso de confiança na vitória e pediu que a militância trabalhe para encerrar a disputa ainda no primeiro turno.
“Eu e o Alckmin vamos ganhar as eleições. Não há nenhuma razão para perder. Mesmo que a gente só erre daqui para frente, o acerto foi tanto que a gente não perde essas eleições”, declarou.
Outro tema recorrente foi o uso das redes sociais. O presidente pediu que apoiadores utilizem o celular como ferramenta de campanha e de defesa das ações do governo.
“Utilizem 24 horas por dia para falar coisa boa, mostrar o que precisa ser feito e defender nossos candidatos”, disse, ao afirmar que a disputa eleitoral também será travada no ambiente digital.
Lula ainda voltou a comentar o cenário internacional. Sem citar diretamente novos episódios envolvendo o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que não pretende entrar em confronto com a maior potência militar do mundo, mas garantiu que fará uma “guerra de narrativas”.
“O cara diz que tem os maiores navios do mundo, a maior bomba atômica, o maior Exército. Eu não quero briga com ele. Eu quero paz. Quero derrotá-lo na narrativa”, afirmou.
Na mesma linha, criticou o presidente da Argentina, Javier Milei, por sua recente passagem pelo Brasil e afirmou que não permitirá interferência estrangeira nas eleições brasileiras.
“Enquanto eu for presidente, ninguém de fora vai meter o bedelho nas eleições brasileiras”, declarou.
Durante a fala, Lula também dedicou parte do tempo para defender programas do governo nas áreas de saúde e assistência, destacando investimentos no SUS, no Brasil Sorridente e no programa Agora Tem Especialistas. O presidente afirmou que hoje qualquer brasileiro pode ter acesso a equipamentos modernos para tratamento contra o câncer, independentemente da renda.
Já no encerramento, voltou a destacar sua disposição física para enfrentar mais uma campanha eleitoral. Aos 80 anos, afirmou que vive um dos melhores momentos de sua vida.
“Se vocês estavam esperando descansar, se preparem, porque o Lulinha está com 80 anos, mas com energia de 30.”
Em tom bem-humorado, comparou a si próprio e ao vice-presidente Geraldo Alckmin a “duas garrafas de vinho da melhor qualidade” e voltou a defender que a chapa busque a vitória já no primeiro turno das eleições de outubro.