O presidente Lula, candidato à reeleição, usou o discurso da convenção que oficializou sua candidatura à reeleição para reforçar a defesa de políticas voltadas às mulheres e fazer um duro recado contra a violência doméstica. Durante o evento, realizado neste domingo (2), em São Paulo, Lula afirmou que seu governo não busca o apoio de homens que agridem mulheres e disse que esse eleitor deve escolher outro candidato.
“Não tem problema que eu perca algum voto, mas não é necessário e não é possível. O cara vai ter que escolher: ou ele vota em mim ou ele bate na mulher. Se bater na mulher, não precisa votar em mim”, declarou o presidente durante a cerimônia.
A fala ocorreu em um dos momentos mais enfáticos do discurso, no qual Lula destacou ações de combate à violência contra as mulheres e reconheceu que o país ainda enfrenta um desafio para reduzir os casos de agressão. Segundo o presidente, o enfrentamento ao problema exige continuidade de políticas públicas e mudança de comportamento na sociedade.
“Deus levou sete dias para fazer o mundo e ainda não acabou, porque só vai acabar no dia em que a gente acabar com gente ruim no mundo, sobretudo com a violência de homem contra a mulher nesse país”, afirmou Lula.
Convenção marca lançamento da campanha de reeleição
O evento oficializou a candidatura de Lula para um novo mandato presidencial e reuniu integrantes da aliança formada por partidos como PT, PV, PCdoB, PSB, PDT e as federações PSOL/Rede. A cerimônia contou com a presença do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), além de aliados políticos.
Em um discurso voltado para temas que devem dominar a campanha de 2026, Lula também falou sobre soberania nacional, defesa, indústria brasileira e exploração de recursos estratégicos. O presidente afirmou que pretende ampliar investimentos em tecnologia e proteção das fronteiras para evitar que riquezas do país sejam controladas por outros países.
Além disso, Lula afirmou que, caso conquiste um novo mandato, pretende travar uma disputa política no Congresso sobre o papel das emendas parlamentares e o funcionamento do fundo partidário.
“Minha quarta presidência é para mudar muita coisa nesse país. Vai ter briga com emenda parlamentar, com papel que hoje tem o Legislativo”, disse o presidente.
Discurso mira temas sociais e eleitorais
Ao longo da fala, Lula tentou construir uma imagem de continuidade do governo e apresentou bandeiras que devem fazer parte da disputa eleitoral, como defesa da democracia, valorização da indústria nacional, desenvolvimento tecnológico e proteção social.
O presidente também afirmou que pretende fortalecer áreas como inteligência artificial, ciência e formação profissional, argumentando que o Brasil precisa preparar trabalhadores para as transformações tecnológicas.
O discurso marcou uma nova fase da corrida eleitoral, com Lula buscando mobilizar sua base política e apresentar as principais propostas para um eventual quarto mandato no Palácio do Planalto.