“O Brasil está polarizado, radicalizado e, consequentemente, paralisado.” Foi com esse diagnóstico que o pré-candidato à Presidência da República pelo Avante, Augusto Cury, apresentou nesta segunda-feira (3) as principais diretrizes de sua campanha durante a Convenção Nacional do partido, realizada na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp).
O evento reune o presidente nacional do Avante, deputado federal Luiz Tibé (MG), além do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, e do prefeito da capital, Ricardo Nunes.
Durante a entrevista coletiva, Cury afirmou que aceitou disputar a Presidência por acreditar que o país precisa superar a polarização política e construir um projeto de longo prazo para o Brasil. Segundo ele, a prioridade será estabelecer um pacto nacional de governabilidade, baseado no diálogo entre diferentes correntes políticas e setores da sociedade.
“O Tibé me deu carta branca para fazer um pacto nacional para que nós possamos diminuir essa polarização que tem paralisado a nação brasileira”, afirmou. Em seguida, reforçou que “não é possível mais vivermos como se tivéssemos dois barcos: direita e esquerda. Na verdade, só há um barco chamado Família Brasileira”.
Entre as propostas apresentadas, Augusto Cury destacou políticas públicas voltadas aos cerca de 32 milhões de brasileiros neurodivergentes, incluindo pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA), TDAH e dislexia. O pré-candidato defendeu a ampliação da assistência e de políticas específicas para esse público.
Na educação, Cury propôs uma reformulação dos currículos escolares, com a inclusão de disciplinas como empreendedorismo, educação financeira, oratória e educação socioemocional. Também defendeu a valorização dos professores, a expansão do ensino técnico e a implantação da educação em tempo integral como estratégia para preparar os jovens para os desafios do mercado de trabalho.
Na área econômica, o psiquiatra afirmou que pretende criar escolas do empreendedor e agências do banco do empreendedor em comunidades, escolas públicas e municípios de todo o país. Segundo ele, o Brasil também precisa se preparar para os impactos da inteligência artificial e da robótica sobre o emprego, investindo em qualificação profissional e novas oportunidades de geração de renda.
Ao encerrar a coletiva, Augusto Cury voltou a defender o respeito às divergências e afirmou que a democracia depende da liberdade de imprensa e do debate de ideias. “A democracia sobrevive da divergência; a unanimidade só existe nas ditaduras”, declarou, acrescentando que ideias diferentes não devem transformar adversários em inimigos.