Copom corta Selic para 14% e CNPS mantém juro do consignado

Copom reduz a taxa básica de juros pela quarta vez consecutiva, enquanto CNPS mantém juros do consignado inalterados.
Redação NC News
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O Banco Central corta hoje a taxa básica de juros, a Selic, de 14,25% para 14% ao ano, em decisão unânime do Copom. O movimento marca o quarto corte consecutivo. Um dia antes, o Conselho Nacional de Previdência Social (CNPS) decide que só discutirá reduzir o juro do consignado do INSS quando a Selic cair a 10,5%.

BC desacelera juros, CNPS pisa no freio do consignado

A nova taxa de 14% ao ano consolida a estratégia do Banco Central de flexibilizar a política monetária em doses pequenas. O objetivo é aliviar o custo do crédito e dar algum fôlego à atividade econômica, sem perder de vista o risco de uma nova alta da inflação.

Na prática, porém, aposentados e pensionistas do INSS continuam sem alívio imediato. O teto de juros do empréstimo consignado segue em 1,85% ao mês. O CNPS, presidido pelo ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz, amarra qualquer corte nesse limite à Selic em 10,5%.

“Não há necessidade de se apresentar uma redução da taxa de juros, que hoje está em 1,85%. Quando a Selic atingir 10,5%, o CNPS debaterá uma redução na taxa de juros do consignado”, afirma Wolney na reunião do colegiado em Brasília.

Copom mantém cautela e evita sinalizar próximos passos

O Comitê de Política Monetária, formado por sete diretores e comandado por Gabriel Galípolo, escolhe um corte de 0,25 ponto percentual e evita prometer qualquer trajetória futura. A decisão contraria parte do mercado e do governo, que pressiona por reduções mais fortes depois do pico de 15% atingido neste ciclo de alta.

No comunicado, o BC descreve um cenário global ainda instável. “O ambiente externo permanece incerto em função da indefinição acerca dos conflitos armados no Oriente Médio e da incerteza sobre a política monetária em algumas economias avançadas. Tal cenário exige cautela por parte de países emergentes em ambiente marcado por elevação da volatilidade de preços de ativos e commodities”, diz o texto.

A autoridade monetária cita riscos de alta, como choques de preços ligados a conflitos geopolíticos, a inflação resistente de serviços no Brasil e estímulos domésticos à demanda. Ao mesmo tempo, reconhece que a desaceleração da economia, aqui e lá fora, e uma possível queda do petróleo podem ajudar a segurar os preços.

O BC deixa claro que não fecha a porta para novas reduções, mas condiciona tudo aos próximos dados. “A magnitude total do ciclo de calibração será estabelecida à luz de novas informações visando assegurar a convergência da inflação à meta”, afirma o comunicado.

Crédito mais barato, mas não para todos

Com a Selic em 14% ao ano, bancos tendem a reduzir o custo de linhas de crédito, principalmente para grandes empresas e tomadores de menor risco. As condições ainda são duras para famílias endividadas, mas a trajetória de queda abre espaço para renegociações e alongamento de prazos.

No consignado do INSS, o quadro é diferente. Ao manter o teto em 1,85% ao mês, o CNPS preserva a rentabilidade dos bancos e evita uma reacomodação forçada de contratos. A decisão é vista como conservadora por entidades que pedem juros menores para aposentados, um dos grupos mais expostos ao endividamento.

O ministro Wolney Queiroz argumenta que o sistema precisa de estabilidade para seguir oferecendo crédito. O governo também tenta mostrar que atua em outra frente, ao atacar a fila do INSS. Segundo ele, o tempo médio de espera caiu de 108 dias em 2021 para 48 dias hoje, com a promessa de chegar a 45 dias entre setembro e outubro, quando o ministério considera a fila “zerada”.

Pressão política cresce sobre BC e Previdência

A combinação de Selic ainda elevada, juros do consignado intactos e renda comprimida mantém pressão sobre o Planalto. A ala política cobra cortes mais agressivos do Copom, enquanto movimentos de aposentados e sindicatos miram o CNPS para forçar um alívio nos empréstimos.

O Banco Central, por sua vez, tenta se equilibrar entre esses pleitos e o temor de perder o controle da inflação em um contexto de choques externos e incerteza nas maiores economias. O fato de o Brasil estar entre poucos países que já reduzem juros em 2026 reforça a prudência do colegiado.

No curto prazo, o mercado financeiro deve seguir atento a cada dado de inflação e atividade. A velocidade com que a Selic pode se aproximar de 10,5% — o gatilho definido pelo CNPS para discutir o consignado — vira uma referência central para bancos, governo e beneficiários do INSS.

No médio prazo, o debate tende a se concentrar em duas frentes: até onde o BC conseguirá cortar juros sem reacender a inflação e quanto espaço o CNPS terá para reduzir o teto do consignado sem comprometer a oferta de crédito e a saúde financeira do sistema. As próximas reuniões do Copom e do conselho previdenciário colocam esse impasse à prova.

Qual é a taxa Selic atual após o último corte do Copom?

A taxa Selic atual é de 14% ao ano, após corte de 0,25 ponto percentual decidido hoje pelo Copom, que reduziu a taxa de 14,25% para 14% e completou o quarto movimento consecutivo de flexibilização monetária adotado pelo Banco Central neste ciclo iniciado após o pico de 15%.

Por que o Conselho só vai debater o consignado do INSS quando a Selic atingir 10,5%?

O CNPS só vai debater a redução do teto do consignado do INSS quando a Selic atingir 10,5% porque o ministro da Previdência, Wolney Queiroz, entende que o juro atual de 1,85% ao mês ainda é adequado, protege a oferta de crédito e só pode ser revisto com uma queda bem mais forte da taxa básica.

Como o corte da Selic para 14% ao ano impacta a economia?

O corte da Selic para 14% ao ano tende a baratear gradualmente o crédito, aliviar o custo de capital das empresas e favorecer investimentos e consumo, ainda que de forma limitada, pois a taxa permanece elevada, restringe financiamentos mais arriscados e mantém o aperto sobre famílias muito endividadas, especialmente as de renda mais baixa.

O que o Banco Central anunciou sobre futuros cortes da Selic?

O Banco Central anunciou que futuros cortes da Selic dependerão dos próximos dados de inflação e atividade, afirmando que “a magnitude total do ciclo de calibração será estabelecida à luz de novas informações”, sem antecipar ritmo ou tamanho dos próximos passos, o que mantém a condução da política monetária em terreno cauteloso.

Quais são as expectativas para a taxa Selic nos próximos meses?

As expectativas para a Selic nos próximos meses apontam para continuidade de cortes graduais, condicionados ao comportamento da inflação e do cenário externo, mas sem garantia de trajetória rápida até 10,5%, patamar que o CNPS usa como referência para discutir o juro do consignado, o que pode empurrar esse debate para um horizonte de médio prazo.


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